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Valeis muito mais!...

Hoje quero voltar a falar sobre a Eutanásia. À hora que escrevo ainda não sei o resultado da votação das propostas dos projectos lei que tornam o acto de matar uma pessoa doente e em grande sofrimento legal no nosso país. Já referi neste espaço por diversas vezes a minha total oposição a esta legislação, ao não reconhecer legitimidade aos maiores partidos do nosso espectro político para poderem decidir numa matéria tão essencial quando foram omissos nos seus programas eleitorais e porque o que se pretende fazer não é acabar com o sofrimento mas matar quem sofre.

O que está em causa verdadeiramente é a forma como vivemos e como nos podemos tornar melhores pessoas construindo uma sociedade onde todos têm lugar. Uma sociedade só pode evoluir se aprende a superar as dificuldades e não desiste dos desafios permanentes da existência desde o momento da concepção até ao ocaso da vida. A vida é uma aprendizagem e o que nos torna melhores pessoas é estarmos disponíveis para darmos sempre mais de nós mesmos em favor do bem comum.

Nos meus primeiros anos de seminário tive a graça de ir com um padre amigo visitar uma das obras mais impressionantes do Padre Américo: O Calvário de Paço de Sousa. Nesta casa eram recebidas todas as pessoas que a sociedade tinha rejeitado devido a sofrerem de graves incapacidades físicas e mentais. Fiquei impressionado com muitas situações de vida que ali encontrei, mas o que falou mais fundo no meu coração, e me fez estar em silêncio durante alguns dias, foi ver a forma como estas pessoas eram tratadas. O cuidado, o carinho, o zelo, a persistência, o ambiente de tranquilidade no meio de tanto sofrimento, fez-me pensar se alguma vez seria capaz de amar assim, numa gratuidade total de quem dá de si sem esperar nada em troca porque o outro era incapaz de o fazer.

O sofrimento é uma realidade atroz da nossa existência. Mas quando há amor verdadeiro, o que antes parecia impossível de aceitar e compreender, ganha um misterioso sentido de bem. Aquelas pessoas estavam em situações irreversíveis, nunca iriam ficar curadas dos seus padecimentos, mas todos dias cumpriam uma missão extraordinária ao ensinarem outras a belíssima linguagem do amor. Naquele dia desejei que me também eu aprendesse a amar assim porque de outra forma a minha vida seria muito pobre.

Quando visitei o cemitério ali existente foi claro para mim que nenhuma daquelas vidas tinha sido menos valiosa porque ali estava um testemunho de gente muito amada.

 Hoje continuam a existir imensas situações de abandono, de pessoas desprezadas e rejeitadas por se encontrarem em situações de fragilidade extrema. O que fazer diante deste flagelo que desmascara uma sociedade que se faz passar como sendo de progresso e bem-estar? Será que podemos continuar a viver como se o mal dos outros não nos importasse? Ou vivemos adormecidos numa mentalidade egoísta e mesquinha que esconde os débeis e vende a mentira que o sofrimento tira dignidade à vida?

A eutanásia é uma mentira porque só tem uma boa morte quem experimenta até ao seu último suspiro que a sua vida vale mais do que o sofrimento que experimenta. Quem está no calvário de uma vida repleta de dor precisa de ser amado e acompanhado, e nunca sentir que está a mais neste mundo porque o seu prazo de validade chegou ao fim.

A maior dor da vida não é física, mas é a que se experimenta no coração de quem se encontra só e com medo angustiante de ter deixado de valer alguma coisa para os outros. O que aqui está em causa não se funda em crenças religiosas, mas termino esta breve reflexão com uma Palavra belíssima e reconfortante de Jesus: “Não se vendem cinco pássaros por duas pequeninas moedas? Contudo, nenhum deles passa despercebido diante de Deus. Mais ainda, até os cabelos da vossa cabeça estão contados. Não temais: valeis mais do que muitos pássaros.” (Lc 12, 6-7)  

Pe. Ricardo Franco
Edição 1275- 21 de Fevereiro de 2020



20 de Fevereiro de 2020

Dia 20 de Fevereiro de 2020 celebra-se o centenário da partida de Santa Jacinta Marto para o céu. Depois de uma agonia de mais de um ano, esta criança santa morre poucos dias antes de completar os 10 anos de idade. A história da sua vida é marcada pela simplicidade e pela clareza de quem sabe, sobretudo depois das aparições de Nossa Senhora, que nada é mais importante do que fazer da sua existência uma entrega de amor aos outros, particularmente pelos que mais necessitam de ser libertados da condenação do mal.

No mesmo dia, o Parlamento Português prepara-se para aprovar a lei da eutanásia. Mais uma vez, fica provado que existem interesses extremamente maliciosos com uma influência assustadora naquela que deveria ser uma das expressões da nossa democracia. Senão, vejamos como refere Pedro Afonso no jornal ‘Observador’: “A Associação Médica Mundial reiterou recentemente a sua oposição à legalização da eutanásia e ao suicídio medicamente assistido, após um processo de análise aprofundada sobre este tema. Também entre nós, seis bastonários da Ordem dos Médicos, incluindo o actual bastonário, Dr. Miguel Guimarães, rejeitaram publicamente a despenalização da eutanásia. O Conselho Nacional de Ética e Deontologia da Ordem dos Médicos (que já  tinha emitido um parecer negativo em 2018) voltou  novamente a emitir um parecer negativo aos actuais quatro projectos de legalização da eutanásia e do suicídio assistido apresentados pelos partidos políticos nesta legislatura. O parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida ainda não é conhecido, estando prevista uma reunião para o dia 17 de Fevereiro (três dias antes da votação). Mas, mais uma vez, é tudo feito à pressa, sem qualquer respeito pela ética e pela prudência que uma matéria desta natureza deve ter. Pelos vistos, os deputados, que vão legislar sobre esta matéria, não precisam de ler e reflectir sobre o documento, pois a decisão já está tomada”.

A Dra. Isilda Pegado, no mesmo jornal, refere um dado escandaloso: “Após modificação do anunciado sentido de voto dos partidos à esquerda do PS (excepto PCP) no Orçamento de Estado, surge o agendamento deste debate!!! Que coincidência…” o que leva a uma conclusão: “O povo também fica a saber que este Orçamento não lhe dará melhores condições de vida, nem um Futuro melhor, mas… ser-lhe-á oferecida a morte a pedido. Moeda de troca?”.

Perante estes factos é difícil dizer alguma coisa! Pessoalmente invade-me um sentimento de profunda tristeza e pesar: parece que estamos entregues ao poder do mal, que quem triunfa neste mundo são os filhos das trevas, e que pouco se pode fazer quando estão em causa interesses económicos poderosíssimos. Mas talvez ainda mais preocupante seja o facto de uma maioria da sociedade portuguesa, certamente pouco esclarecida e ludibriada por discursos enganadores de direitos e de bondade para com os “coitadinhos que sofrem”, pareça estar convencida de que matar é melhor do que cuidar e acompanhar. Que se pode acabar com o sofrimento acabando com quem sofre, sem compreender que este caminho é contrário a uma visão responsável e defensora da dignidade da vida humana.

Apesar de tudo acredito que vidas como a da pequena Jacinta são faróis preciosos no meio desta escuridão. Depois de ter a visão do inferno ela dedicou todas as suas forças e determinação a rezar e oferecer sacrifícios pela conversão dos pecadores. No final de 1918, ela dizia à sua prima Lúcia: “Nossa Senhora veio nos ver e diz que vem buscar o Francisco muito em breve para o Céu. E a mim perguntou-me se queria ainda converter mais pecadores. Disse-Lhe que sim. Disse-me que ia para um hospital, que lá sofreria muito. Que sofresse pela conversão dos pecadores, em reparação dos pecados contra o Imaculado Coração de Maria, e por amor a Jesus”.

Santa Jacinta Marto vele por nós e, agora junto a Deus, interceda para que saibamos que a única resposta diante do mal e de qualquer situação de sofrimento, por maior que seja, é sempre o amor até à doação da própria vida porque é isso que vale a pena.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1274 - 7 de Fevereiro de 2020



Fazer bem ao mundo!

Uma notícia do jornal Observador publicada a 15 de Janeiro refere: “Os maiores riscos que o mundo vai enfrentar em 2020 são os “confrontos económicos”, a “polarização política interna”, as “ondas de calor extremas”, a “destruição de ecossistemas de recursos naturais” e os “ataques cibernéticos a infraestruturas”. As conclusões são do Global Risks Report para 2020, publicado pelo Fórum Económico Mundial.

O problema é que muitos dos riscos avaliados são já problemas reais para os quais é urgente encontrar uma solução. O erro está em pensar que a responsabilidade cabe só aos outros, enquanto governos ou detentores de poder económico. A terrível ilusão vive-a quem pensa que não será afectado porque são apenas questões de política e de notícias que não chegam à nossa porta.

Ao longo da minha vida observo que a mudança é algo que assusta, incomoda e inquieta a maior parte das pessoas. Estamos acostumados a buscar seguranças nas rotinas e nos hábitos adquiridos e não é fácil mudar, aceitar começar de novo, e arriscar fazer de forma diferente o que se fez sempre da mesma forma e nunca nos satisfez. A novidade ao mesmo tempo que fascina também causa desconfiança. Encontrar o equilíbrio é a única forma de poder acordar cada dia e preparar-se para aventura da existência.

A Igreja tem como missão ser “luz do mundo e sal da terra” e é na fidelidade ao Evangelho de Jesus que poderá cumprir para bem de todos. Nesse sentido proponho que aprendamos com a sabedoria do céu ensinada por Jesus e olhemos para a sua vida como o exemplo perfeito de quem sabe onde se encontra a felicidade. Recordaram-me recentemente como é errado pensar que os outros sabem aquilo que ainda nem sequer lhe dissemos ou partilhamos com eles, sobretudo se é importante para nós. Nesse sentido escrevo estas breves linhas como testemunho daquilo em que acredito e todos os dias procuro viver, embora muitas vezes pareça que estou sempre a começar.

A maior doença que é também um desafio com que me deparo todos os dias é a mentira do egoísmo, do viver para si mesmo, na ânsia tantas vezes frustrada de se saciar com os prazeres do mundo quando estes apenas geram mais vazio e angústia. Jesus inicia a sua vida pública com o grito: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho!” e quem O escutava e ia ao seu encontro era curado das enfermidades que uma existência errática a nível pessoal ou comunitário lhe tinha provocado.

Os milagres de Jesus não são promoções do seu “eu”, mas o anúncio em sinais visíveis e concretos de que a vida vale a pena ser vivida quando fazemos dela um dom para os outros. No “vai e…” que Jesus diz a muitos dos que são curados está um programa de vida de quem aceita viver a novidade do Amor. É verdade que cruz é a última paragem da vida terrena de Cristo neste mundo, mas esta é sobretudo um excesso de Amor que tem poder para salvar quem aceita viver O Dom que ali é feito a toda a humanidade.

Os riscos que o mundo enfrenta são a triste expressão de vidas não convertidas ao Amor, de quem não tem horizonte de eternidade, mas deixa-se enganar pelas lógicas destruidoras do mal e desiste de acreditar que é impossível inverter a situação. Precisamos de aprender a acolher os outros, a sairmos dos nossos “quentinhos” egoístas e mesquinhos e estarmos disponíveis para quem encontrarmos no nosso caminho.

A prioridade ecológica tão em voga nos nossos dias deve ajudar-nos sobretudo a ter como critério de discernimento da nossa acção se aquilo que fazemos é importante para os outros e para o ambiente. Acredito que se tivermos uma “pegada ecológica” saudável então os nossos passos e de quem caminha connosco serão mais seguros e fazedores de bem!

Na Igreja vamos começar (de 18 a 25 de Janeiro) a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que corresponde a esta intuição profundamente evangélica de que as nossas diferenças, mais do que geradoras de divisão, podem ser caminho de crescimento mútuo, de aceitarmos caminhar juntos e aprendermos a fazer bem ao mundo que Deus criou para nós!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1273- 17 de Janeiro de 2020



Votos para um novo ano!

Bom Ano!”. É a expressão que mais ouvimos e repetimos nestes dias. É uma saudação amigável e própria de quem deseja bem para os outros com quem se cruza e partilha a experiência do tempo neste mundo. O conteúdo está no sentido que cada um lhe dá e naquilo que aspira e entende como de bom para si e para os outros, e alguns quando a pronunciam ainda acrescentam: “com saúde que é o mais importante!”.

Reconheço a importância de desejarmos o bem, mas acredito que é mais necessário e urgente aprendermos a fazer o bem aos outros, porque o mais importante é sempre o amor. O novo ano é sempre uma oportunidade! Primeiro de pensarmos como vivemos o último? As escolhas que fizemos, as relações que construimos, os caminhos que percorremos, o que é importante manter e aquilo que há-de mudar. Depois de pensarmos como queremos viver o que agora se inicia? É nesse sentido que faço os meus votos para este novo ano que nestas linhas deixo de forma simples, porque acredito que esta partilha possa ajudar a alguns.  

A nível pessoal desejo que aprendamos a dar mais tempo às pessoas que amamos e termos a sabedoria de viver, reconhecendo que os outros precisam muito mais do nosso tempo e da nossa atenção do que do dinheiro que lhes possamos dar e do conforto material que lhes possamos proporcionar. Impressiona-me a facilidade estúpida que nos faz estar muito mais tempo à frente de máquinas (telemóveis, computadores, consolas de jogos, etc) do que diante das pessoas fundamentais na nossa vida. A escravidão dos ídolos deste mundo conduz a uma terrível alienação do que verdadeiramente nos faz ser pessoas.   

O novo ano é também uma oportunidade de nos exercitarmos na capacidade de praticarmos o acolhimento dos outros com quem nos cruzamos diariamente. Ir mais além de um superficial “Olá! Tudo bem!”, mas estarmos atentos às necessidades dos outros. Vivemos com tantas pessoas e conhecemos tão poucas! Muitas vezes reparo que até nos bancos das Igrejas se sentam estranhos e não irmãos. É um contra senso que não tem nada a ver com o Evangelho e com a graça do Espírito que actua em quem acredita num Deus que é uma comunhão de Amor.

A Igreja é chamada a ser fiel à sua vocação original. Cristo identificou a sua missão: sal da terra e luz do mundo (Mt 5, 13-14). O tempo que vivemos chama-nos a uma autenticidade evangélica que como o fermento na massa transforme o mundo. A era da cristandade já não existe, as bases da fé estão fragilizadas por um subjectivismo e relativismo pernicioso que como um cancro corrói a identidade cristã. É urgente a clareza no anúncio da Boa Nova de Jesus, e muito mais que querer convencer os outros para sermos mais numerosos, não termos medo de testemunhar a radicalidade de uma existência pautada pela Verdade anunciada por Ele e experimentada na vida quotidiana em todas as suas dimensões.

O mundo precisa de saber rejeitar as mentiras do demónio, que alastram em formas de ideologias progressistas, mas que são instrumentos de condenação da própria humanidade. O valor da pessoa não é defendido por qualquer manifestação da ideologia de género, mas quando nos aprendemos a respeitar nas nossas diferenças que são simultaneamente uma riqueza para todos. Ninguém é feliz quando atenta contra a defesa da vida deste o momento da concepção, passando pela fase da debilidade da doença até ao seu ocaso. As leis do aborto, da eutanásia, do suicídio assistido, são características tristes de uma cultura decadente e de uma humanidade que perdeu a capacidade de amar.

Uma máxima da vida espiritual diz que todos os compromissos devem seguir a regra dos três “p”: o pequeno, o prático e o possível. Não se trata de querer mudar tudo mas arriscar começar e voltar sempre a tentar sem nos deixarmos desanimar pelas nossas fraquezas e as dos outros. O Ano Novo é assim uma oportunidade de voltarmo-nos a comprometer com a vida que nos é dada gratuitamente e fazermos dela um dom para os outros na aprendizagem crescente do amor!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1272- 3 de Janeiro de 2020



Deus Menino nasce para nós!

O Nascimento de Jesus em Belém de Judá é a mais bela história de Amor da nossa vida. Deus vem até nós! O céu desce à terra! Ele é o Emanuel, Deus connosco e Príncipe da Paz. O rei dos reis nasce do seio de uma humilde virgem, na pobreza de uma gruta, e os anjos convidam-nos a adorar! As trevas do mundo são iluminadas pela estrela que conduz à Luz verdadeira. O Natal fala-nos de eternidade e nós facilmente o reduzimos a um mero consumismo e gestos sem relevância no todo da nossa existência.   

Nesta história tudo tem sentido e se estivermos atentos aos sinais há uma verdade maior que permite contemplar o mistério do Verbo Incarnado. Importa, por isso, encontrar o desígnio misterioso de um Deus que não desiste de nos revelar o seu Amor. A nossa vida precisa de beleza, de cura, de alegria, de sentido, de um horizonte, e tudo isso nos é dado no Menino que nasce para nós. Abramos os olhos, não tenhamos medo de quem é sempre novo, e participemos deste êxtase de graça e de Amor!     

O Messias nasce no meio de animais porque não há lugar para Ele no meio dos homens, contudo, sem a sua Graça nenhum de nós se pode salvar. São João afirma no prólogo: “Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a quantos o receberam, aos que nele crêem, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus.” (Jo 1, 11-12) Celebrar o Natal é experimentar esta maravilha: Deus não desiste de me amar, apesar de tantas vezes eu lhe fechar a porta do meu coração!

O seu berço é uma manjedoura, porque Aquele que nasce é o alimento que nos sacia. Uma tradição antiga diz que “as tábuas do presépio foram depois as tábuas da cruz”. Ali de uma forma definitiva Ele oferece o seu corpo para que nós tenhamos a sua vida. Sempre que nos reunimos à volta do altar, celebrando a Eucaristia é esse sacrifício de Amor que nos envolve e do qual pela sua imensa bondade podemos participar.

Os pastores são os primeiros que o reconhecem, visitam e adoram, porque os pobres e humildes têm um lugar privilegiado no coração de Deus. Olhando para estes homens aprendamos a rezar: “O sacrifício agradável a Deus é o espírito contrito; ó Deus, não desprezes um coração contrito e arrependido.” (Sl 51, 19) Para nos aproximarmos de Deus é necessário apenas a disponibilidade e o desejo de quem não quer continuar iludido e perdido nas teias de uma existência amarga e vazia.

O Natal é a festa da família, na medida em que O Senhor do Universo se faz próximo de cada um de nós, familiar da humanidade inteira, para a todos introduzir na comunhão da Vida Divina. Aprender a relacionarmo-nos com os outros a partir do olhar de Deus que contemplamos no mistério da encarnação é a forma de crescermos na celebração sincera que nesta noite fazemos à volta da mesma mesa. As palavras do profeta farão assim ressonância na nossa vida: “Prestai-me atenção e vinde a mim. Escutai-me e vivereis. Farei convosco uma aliança eterna”; e poderemos afirmar com convicção: “Sim, saireis radiantes de alegria, e sereis reconduzidos em paz à vossa casa.” (Is 55, 3.12a)

O presépio é uma palavra poderosíssima de Deus que conhece as nossas debilidades e fraquezas, e sem se escandalizar da nossa miséria faz-se presente em humildade extrema. Jesus nasce no meio do nada para falar de Amor a cada um de nós, que tantas vezes nem sabemos para que vivemos e para onde caminhamos. É urgente meditar nas palavras de São Paulo que são a chave para podermos celebrar com verdade o Natal: “Conheceis bem a bondade de Nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, se fez pobre por vós, para vos enriquecer com a sua pobreza.” (2Cor 8,9)

Hoje, na circunstância em cada um se encontra, porventura, no meio de sofrimentos e angústias, Deus menino nasce para nós. Vivamos o Natal, aprendendo a contemplar no silêncio do nosso coração a imensidade do Amor de Deus, para que depois possamos celebrar e partilhar da mesma alegria dos pastores unidos aos anjos do Céu: “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens que Ele ama.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1271- 20 de Dezembro de 2019