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Não perder tempo!

O tempo é uma das dimensões principais da nossa existência. A vida, que sabemos ser passageira, é medida pelo tempo em que existimos neste mundo, por isso, é um bem precioso, que parece nunca ser suficiente. Os momentos mais significantes são assinalados e celebrados nas datas que fazem memória no presente da importância dos acontecimentos passados, e são oportunidades para projectar um futuro mais sorridente.

O perigo é quando nos achamos senhores do tempo, e esquecemo-nos que este nos é dado gratuitamente, mas nunca é verdadeiramente nosso. (Quantas vezes não somos surpreendidos pela morte repentina de alguém que conhecíamos e que não tinha graves problemas de saúde!). A sabedoria está em usá-lo o melhor que soubermos para criar memórias que perdurem, realizar gestos que vão além da nossa finitude, abrir caminhos que façam os outros seguir na mesma direcção, no fundo que não demos por perdido o tempo que podemos viver neste mundo.

É importante sabermos fazer a avaliação da forma como, nós e os outros, vivemos o tempo que nos é dado para cumprir as missões que nos são confiadas. Se passamos a vida a perder o nosso e tempo e o dos outros então temos de aprender a mudar a forma como vivemos. É difícil mudar, a estabilidade da mediocridade é mais fácil e confortável do que a aventura do desconhecido sem garantias imediatas.

A nossa vida em sociedade necessita de estruturas que nos suportem e nos capacitem para os desafios da vida. A terapeuta familiar Margarida Cordo, em declarações à Revista ‘Família Cristã’ e Agência ECCLESIA, afirmou que a Igreja “tem de perceber” os desafios dos novos tempos das famílias e insistir na promoção do acolhimento e disse que é necessário promover uma relação “saudável com o tempo”. “Depressão é excesso de passado, stress é excesso de presente e ansiedade é excesso de futuro. O que temos para viver é no presente e nunca em excesso. É a relação com o tempo que está a estragar a realidade das famílias”.

O “hoje” é fundamental. Cada dia é um dom. As pessoas que estão ao nosso lado ou se cruzam connosco, os trabalhos e afazeres que temos de dar resposta, os sonhos e projectos que gostaríamos de realizar, implicam da nossa parte um compromisso sério e exigente por darmos o melhor de nós.     

Acredito que é importante investirmos no que perdura, que vença as vicissitudes de uma existência marcada por tantas incógnitas. Estamos certamente cansados de uma pandemia que se reinventa a cada passo, contudo, sabemos que as provações são sempre oportunidade de nos superarmos e de irmos mais além. Não perder tempo no que não interessa e valorizar o que agora temos para viver.

Quando se inicia um novo ano é costume formular-se votos de desejo de coisas boas para si e para os outros, mas a verdade é que estas só se tornarão realidade se houver compromisso efectivo da nossa parte. O bem não acontece por geração espontânea, nem cai das nuvens, é sempre o resultado das nossas acções e de como nos empenhamos em usar o tempo que temos de forma responsável e benéfica para todos. O desafio é imenso, mas não podemos desanimar.  

O livro do Apocalipse tem uma palavra impressionante que nos pode ajudar: “Ele enxugará todas as lágrimas dos seus olhos; e não haverá mais morte, nem luto, nem pranto, nem dor. Porque as primeiras coisas passaram.» O que estava sentado no trono afirmou: «Eu renovo todas as coisas.» E acrescentou: «Escreve, porque estas palavras são dignas de fé e verdadeiras.» E disse-me ainda: «É verdade! Eu sou o Alfa e o Ómega, o Princípio e o Fim. Ao que tiver sede, Eu lhe darei a beber gratuitamente, da nascente da água da vida.»” (Ap 21, 4-6)

A questão é de onde queremos viver? Como queremos aproveitar o tempo que temos? Aprendamos a fazer memórias de vida! Não há tempo a perder, no hoje que se torna passado e num futuro que se faz presente. Só o bem permanece no tempo que passa.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1316 - 7 de Janeiro de 2022 



A perfeição do Amor é Jesus nascido!

O Natal é um mistério de Amor! O Nascimento de Jesus é a manifestação belíssima de como Deus nunca desiste da humanidade que criou para ser sua imagem e semelhança. O engano do mal desfigura-nos, rouba-nos o paraíso, mas para Ele ninguém está a mais, ou irremediavelmente perdido. Deus ama-nos a todos e por isso nos dá o seu Filho. No presépio contemplamos a imensidade deste Amor numa criança que nasce no meio de animais. O Amor que ilumina a noite, abre o céu e os anjos cantam a Glória de Deus.

O Natal é uma parábola da humildade. O Filho de Deus aceita o lugar dos últimos, dos desprezados deste mundo, dos que deixaram de ter lugar, porque a todos quer manifestar a Vida que só n’Ele encontramos. Deus faz-se pequeno e nasce da humilde serva que apenas quer fazer a vontade de Deus e ser obediente à sua Palavra. Na pequenez e fragilidade de uma criança podemos aprender a contemplar a sabedoria divina, o caminho da Vida.

O Natal é um lugar de encontro. Os pastores condenados a uma vida longe dos outros e dedicados a encontrar nos animais o que as pessoas não sabiam oferecer são os primeiros a ir ao encontro e a ser transformados na adoração do Menino. Os Magos do Oriente que olhavam o firmamento em busca do sentido para as questões fundamentais da existência deixam-se conduzir por uma estrela que os leva à Luz do mundo, e nesse encontro as suas vidas se transformam e aprendem a trilhar novos caminhos.

O Natal é um manancial de memórias. A vida precisa de história para ter sentido, e a nossa é tocada pelo próprio Deus que vem a nós deitado num presépio, envolvido em panos, contemplado pela sua mãe e seu pai. Importa aprender a adorar porque quando nos deixamos envolver por esta manifestação de beleza celeste então aprendemos a olhar a vida com o horizonte da eternidade. Só faz memória o que vai ao mais profundo de nós mesmos, e é partir daí que vale a pena sonhar além dos nossos limites.  

O Natal é um acontecimento de Graça. Muitos além dos nossos méritos está a maravilhosa condescendência divina que se oferece a nós neste Menino nascido de uma Virgem na pobreza de uma gruta. A Deus nada se paga. Tudo é dom! Importa aprender a viver a gratidão de quem se sabe indigno, mas aceita ser depositário do maior tesouro do céu. A bondade do Senhor enche a terra inteira para que o mal possa ser vencido pela gratuidade de quem sabe dar tudo para que ninguém se perca na mediocridade de uma vida egoísta.

O Natal é a manifestação da Eternidade. Deus é uma comunhão de pessoas unidas no Amor. Na Encarnação de Jesus é-nos aberta a porta do céu, podemos vislumbrar a plenitude para a qual fomos criados e que havemos de aprender a desejar em cada momento da nossa peregrinação terrestre. Muitas vezes vivemos para ganhar a vida neste mundo o que é um terrível engano porque tudo o que conhecemos é passageiro, apenas o Amor de Deus não passa porque é eterno.

O Natal é oportunidade de comunhão. Jesus quis nascer no seio de uma família. Grande parte da sua vida, cerca de 30 anos, cresceu com eles, partilhou o quotidiano de uma existência comum sempre disponível para poder ser mais. Ao reunirmo-nos em família aproveitemos para desejar ser mais e comprometermo-nos a cuidar mais uns dos outros, e a procuramos crescer numa comunhão que perdura para além de uma época. A família é um suporte essencial para podermos enfrentar a aventura do presente que nos é dado e do futuro que nos espera.

O Natal é hoje para nós. O tempo é umas das dimensões da nossa existência que nos permite crescer e avançar sempre mais além. O celebrarmos o Nascimento de Jesus é fundamental para dar à nossa vida beleza, sentido, profundidade, alegria porque sem elas tudo se torna mais difícil e muitas vezes até absurdo. Vivemos numa época desafiante e confusa, por isso, é importante confiar e saber esperar em quem nos ama. Hoje Jesus vem para nós. Abramos-Lhe a porta, deixemo-Lo entrar e aceitemos fazer parte desta belíssima História de Amor.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1315 - 17 de Dezembro de 2021 



O tempo que não se perde!

A nossa existência é marcada pela pressa, estamos sempre a correr para fazer alguma coisa ou chegar a qualquer lado. Vivemos na ilusão de sermos senhores do tempo, mas este nunca nos chega. A inquietação de não termos tempo é algo que facilmente nos consome e até nos incapacita, porque muitas vezes deixamos para trás aquilo que de facto é mais importante. A azáfama do dia-a-dia cansa sem satisfazer, gastamo-nos mas não nos encontramos.

A Sagrada Escritura, Palavra de divina para iluminar a vida do homem, afirma que na criação Deus quis dar-nos um sétimo dia para descansar e aprendermos a contemplar o que antes tínhamos realizado. “O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”, assim o revela Jesus para que não caíssemos no engano de um ritualismo sem a experiência da graça do Amor. O descanso humaniza-nos na medida em que aproveitamos o tempo para olhar o que fizemos numa atitude de gratidão e de partilha com quem vive connosco, e ao mesmo tempo descobrimos juntos os caminhos que ainda teremos de percorrer.

O Evangelho ensina-nos a reflectir sobre a nossa vida estando despertos numa atitude de vigilância e de oração. Olhar a vida, pensar o que fizemos e o que deixámos por fazer, cuidar das nossas relações tantas vezes desgastadas pela correria do quotidiano, de forma a encontrarmos a unidade que nos pacifica, preenche e capacita para continuar a aventura da existência. Vigiar e orar é fundamental para não se perder a alegria de viver.

A tentação que todos podemos sofrer é habituarmo-nos à mediocridade de um viver sem sentido, sem horizonte, onde nos contentamos com o mínimo e perdemos o interesse por ir mais longe. O hoje é marcado pela incerteza, pela ameaça de uma pandemia que parece não ter fim, pelo medo de perdermos a vida sem termos cumprido os nossos sonhos e projectos. Importa estar vigilantes, ou seja, atentos aos sinais e disponíveis para nos darmos. A vida é tanto mais bela quanto a aprendemos a partilhar. Pode não ser fácil porque implica o sairmos dos nossos comodismos e falsas seguranças, mas só assim a existência terá um sentido de plenitude.

O Advento que em Igreja estamos a viver é uma ajuda preciosa para aprendermos a ter um olhar mais profundo sobre nós. A oração é a forma de termos azeite na almotolia que faz brilhar a Luz que nos ilumina, ou seja, é no diálogo com Deus que nos ama que nos capacitamos para nos renovarmos no amor, uns com os outros e connosco próprios. Este é um tempo propício para aprendermos a cuidar da nossa vida e ganhar a alegria de viver, exercitando-nos na Esperança no Senhor que já veio, que agora vem, e que virá no fim dos tempos.

A maravilha da fé é a de saber que Deus não desiste de nós, espera-nos com a paciência de quem nos ama e jamais se cansa. Muitas vezes nos deixamos enganar e iludir, caímos na mentira de uma vida fútil e fácil que nos esvazia e entristece, e se não nos ajudam acabamos por pensar que já não há remédio. Neste Advento somos convidados a recomeçar, a deixarmo-nos animar pela promessa do Amor de Deus cumprida no nascimento de Jesus e acreditarmos que vale a pena a mudança.

Este é um tempo de conversão. A pedirmos confiadamente ao Senhor que cure o nosso coração tantas vezes obstinado no mal e nas suas formas mesquinhas de agir. A querermos viver o tempo cumprindo as nossas obrigações, mas dando prioridade àqueles que amamos e quem dedicamos a nossa vida.

É importante não nos habituar ao mal, nem a desistirmos todas as vezes em que os ventos são contrários. A Esperança de que o Advento nos fala impele-nos a olhar sempre para além de nós, das nossas medidas e capacidades e a acreditar que o Senhor é fiel.

A todos desejo um Santo Advento e que este tempo de graça nos ensine a viver o tempo das nossas vidas.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1314 - 3 de Dezembro de 2021



As nossas raízes

O aceitar as diferenças e estar disponível para aprender com quem tem outras experiências ou sabedoria de vida é sinal de maturidade. A identidade pessoal não se afirma contra ninguém e estará tanto mais consolidada quanto houver a capacidade de entrar em diálogo com o outro, apesar das divergências de olhar sobre a realidade. O autoconhecimento implica a consciência segura do que nos faz ser pessoas e como somos o fruto de uma história que nos ensinou a ser quem somos. Ao nascermos num determinado lugar o nosso crescimento está referenciado à existência dos que aqui viveram antes de nós.

As nossas raízes são assim fundamentais para a afirmação da nossa identidade. Por outro lado, a melhor forma de matar uma árvore é destruir as suas raízes. Desconhecer de onde vimos implica quase sempre o não se saber quem se é. Na escola somos obrigados a estudar a disciplina de história não como curiosidades sobre o passado, mas para compreender melhor o nosso presente e aprender a construir o futuro.

A nossa sociedade ocidental tem procurado nos últimos anos negar as suas raízes cristãs em muitos dos países cuja matriz é claramente fruto dos valores evangélicos. Os últimos Papas têm-no dito constantemente no sentido de alertar para os perigos desta pretensão ideológica. Francisco escreveu na Exortação Apostólica A Alegria do Evangelho: “É verdade que, nalguns lugares, se produziu uma «desertificação» espiritual, fruto do projecto de sociedades que querem construir sem Deus ou que destroem as suas raízes cristãs.” (nº 86)

As consequências desta opção é a perda de referências e a incapacidade para lidar com as adversidades. Trata-se de um pântano existencial em que se torna muito difícil caminhar e subsistir. Neste vazio surgem ofertas de espiritualidades e de filosofias alternativas que procuram preencher as lacunas desta dimensão essencial do ser humano.  

É neste contexto que pretendo falar do plano de recuperação de aprendizagens - o 21|23 Escola+ - que o Ministério da Educação desenhou em parceria com o Instituto Padre António Vieira, tendo como base levar para as escolas a filosofia africana “ubuntu” para ajudar os alunos a aprenderem melhor e a serem melhores. A palavra com expressão em diferentes línguas africanas, não tem tradução directa para o português, mas significa “eu sou, porque tu és”, uma filosofia de vida humanista, assente em valores como a ética do cuidado, a construção de pontes e a liderança servidora.

Neste momento este projecto já está presente em 150 municípios e cerca de 400 agrupamentos. Pessoalmente desconhecia esta filosofia e muito menos que estava a ser implementada nas nossas escolas. Como disse antes considero que é sinal de maturidade saber dialogar com quem tem experiências diferentes de nós, mas o que está aqui em causa é algo de muito mais sério porque implica a formação das nossas gerações mais novas.

Não estou na posse de dados que me permitam tirar conclusões definitivas, mas não posso de me deixar de questionar sobre esta opção dos nossos governantes. Onde estão os estudos sérios sobre os benefícios desta filosofia em contexto ocidental? Serão as sociedades africanas exemplos acabados de liderança e de construção de relações inter-pessoais? Houve alguma investigação séria sobre a forma de responder aos desafios que hoje se colocam diante dos mais novos? Teve-se em consideração a experiência de séculos na Europa e de quem esteve sempre na vanguarda da resposta mais fiável para benefício de todos?

Impressiona como se teve tanta pressa em tirar os crucifixos das escolas e quaisquer outros símbolos ou práticas confessionais e agora esteja-se a impor aos nossos filhos, práticas que não têm nada a ver connosco nem com a nossa história. Hoje é impensável fazer qualquer tipo de oração cristã nas salas de aula, mas absolutamente aceitável e até recomendável fazer exercícios de ioga ou de qualquer outra forma de espiritualidade oriental e agora também africana. 

Parece-me bastante razoável que possamos parar e reflectir sobre o que é que queremos para a nossa vida e dos que nos estão confiados. Parece-me extremamente imprudente que se ofereça e até se imponha formas de olhar a vida que não tem nada a ver com a nossa identidade. Sinceramente eu sei quem sou e esse conhecimento vem da minha história e de todas as heranças que recebi. Essas não estou disposto a abdicar nem a perder.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1313 - 19 de Novembro de 2021



O desespero do fim!...

A Assembleia da República Portuguesa é constituída por 230 deputados a quem foi a confiada a tarefa de procurar cumprir os programas que sujeitaram a sufrágio nas eleições para este órgão legislativo. Quando escrevo estas linhas já está confirmado que o Presidente da República, depois de ouvir o Conselho de Estado, vai dissolver este parlamento e convocar eleições antecipadas.

Perante este cenário já esperado, alguns decidiram, numa tentativa desesperada, tentar fazer aprovar a Eutanásia antes do fim anunciado da legislatura. Como já referi noutras ocasiões: nenhum destes partidos colocou esta matéria nos seus programas eleitorais, não querem saber dos pareceres da Ordem dos Médicos e de quaisquer outras instâncias com responsabilidade ética, não estão interessados em promover um debate público, não vêem nem querem ver as “rampas deslizantes” nos poucos países que a aprovaram, ou seja, alguns dos deputados julgam-se “iluminados”, mais conhecedores da realidade do que quem nela vive diariamente e mesmo sem ninguém lhes ter sufragado tal decisão querem impor a todos uma prática que radica em ideologias verdadeiramente desumanas.

Alguns podem dizer que têm a lei do seu lado, mas não têm certamente nenhuma legitimidade moral. Entristece-me esta falta de nível na casa da democracia. As eleições podem ser, e espero que sejam, uma oportunidade para se discutir o que interessa ao nosso país em todos os níveis, inclusive dos valores fundamentais. Quem não o quer fazer e serve-se das fragilidades do sistema para não ter de se ocupar com o que importa, não é alguém que me representa e em quem se possa confiar.

Não é sério! E esta decisão é de extrema gravidade! O que está em causa é a vida das pessoas! Quando estão em grande sofrimento precisam de ser cuidadas, ajudadas, protegidas e não tratadas como lixo descartável. A nossa sociedade precisa de encontrar formas para ser mais humana, próxima e acolhedora. Não apenas o sistema de saúde mas todos. É urgente aprender a lidar com o sofrimento.

Neste momento vemos o aumento exponencial deste sofrimento existencial, causado por toda a situação da pandemia. As depressões e esgotamentos nervosos estão a crescer diariamente, os doentes não-covid com patologias graves vêem-se em condições cada vez piores, e os profissionais de saúde dedicados a estas áreas não tem mãos a medir. Se a Assembleia da República quer fazer algo de útil antes de terminar funções, que ponha em andamento um plano para poder face a todas estas consequências dramáticas da pandemia.

O que eu espero de quem recebe a função de governar é que sejam veículos de esperança, criadores de soluções, cuidadores do bem-comum e não pessoas que desfiguram a verdade a seu bel-prazer só para satisfazerem os interesses de alguns. O que estão a pretender fazer soa mesmo a desespero de quem sabe que está no fim. Mas em vez de aceitarem que o seu tempo está acabar e procurarem fazer o melhor que puderem com o que falta, decidem oferecer medicina de morte a quem se confronta com o drama da debilidade e do sofrimento.

As pessoas que são chamadas a governar tem o nome de ministros, talvez alguns não saibam o sentido etimológico da palavra "ministro" que vem do latim minister cujo significado é servidor. É isso que esperamos de quem governa e de quem legisla, que sirva o interesse de todos na procura do bem comum. O poder político não é uma honra mas um serviço, ou talvez possamos dizer, que a verdadeira honra está em bem servir.

Não sabe servir quem não sabe escutar, e procura apenas os seus interesses mesquinhos. A Eutanásia não é serviço à vida, mas uma mentira envolvida numa ilusão de compaixão humana. O desespero do fim exige a criatividade do amor que acompanha e cuida até ao fim, e não o placebo da indiferença, porque o que se está a oferecer é acabar com a vida de quem sofre e não com o sofrimento.

Senhores deputados: não escolham a morte no desespero do fim!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1312 - 5 de Novembro de 2021