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O vírus que nos ameaça!

O mundo está em estado de alerta máximo devido à mais recente epidemia do chamado coronavírus. Não me recordo na história recente de um tal grau de alarmismo em relação a uma doença, mas é um facto que esta, de forma bastante rápida, está alastrar por todos os continentes, provocando uma reacção global de medo e desconfiança face ao que ainda poderá acontecer.

Ao tomar conhecimento das medidas de prevenção e protecção fiquei a pensar como este vírus actua da mesma forma que muitos outros males que nos atingem como pessoas. As mais eficazes, além dos cuidados redobrados com a nossa higiene, aconselham e exigem que vivamos em isolamento, porque há o perigo de contágio se não houver uma distância de segurança, pelo menos de um metro, segundo a Organização Mundial de Saúde, e em caso de dúvida no surgimento de algum sintoma a pessoa deve ficar em casa.

A epidemia desta doença ameaça fazer crescer uma outra que nos nossos dias é terrível, e tristemente muito mais silenciosa, para uma percentagem significativa da humanidade: a solidão. Acredito que a humanidade tem os meios para lidar com esta terrível doença, mas também espero que depois da crise se possa reflectir sobre os grandes males que infectam a nossa forma de viver em sociedade e encontrarmos todos juntos os meios para a combater e os novos caminhos a atitudes que devemos tomar para o bem comum.

A Igreja todos os anos procura viver um tempo de quarentena para que todos possamos reflectir sobre os males que nos atacam e destroem e precisam de ser destruídos e vencidos pelo poder da Páscoa de Cristo, porque a verdade é que Deus jamais nos deixa sós. A Quaresma mais do que tempo de calendário religioso é uma oportunidade a não nos resignarmos ao mal, a um viver para nada, a nos iludirmos com o pensamento que o tempo cura os ressentimentos e feridas das relações. A Quaresma é um tempo de combate para o qual nos preparamos, libertando-nos de tudo o que está a mais na nossa vida e impede de ver o essencial, e podermos assim aceitar o convite d’O Senhor da Vida e irmos com Ele ao deserto vencer o Príncipe das trevas.   

O pecado é nesse sentido uma ameaça feroz à nossa felicidade e a vivermos de forma saudável e construtiva o nosso tempo neste mundo, porque nos incapacita para o vivermos em sociedade. O que está em causa é a nossa existência desfigurada por tantos enganos e mentiras, que leva a que percamos o sentido e a vontade de fazer mais e melhor por nós e pelos outros. A sua consequência mais nefasta e terrível é a de deixarmos de acreditar no amor e nos deixemos alienar por quaisquer caricaturas de prazer e bem-estar que apenas provocam escravidão e um vazio impossível de preencher.  

O sacramento da reconciliação, a confissão dos pecados a um padre, é uma das realidades sacramentais mais incompreendidas e desvalorizadas por parte das pessoas sem fé e de muitos que se afirmam cristãos. A justificação para este engano está numa concepção muito errada sobre a forma como Deus actua na nossa história e está sempre disposto a ir à nossa procura, ou então disponível para nos acolher, sejam quais forem as encruzilhadas da vida em que nos encontremos, e por isso nos envia os seus instrumentos de graça.

Impressiona-me a afirmação de São Paulo para ajudar os cristãos de Corinto a compreenderem a necessidade de se reconciliarem, uma vez que viviam imersos em tantos males/pecados pessoais e comunitários: “Aquele que não havia conhecido o pecado, Deus o fez pecado por nós, para que nos tornássemos, nele, justiça de Deus.” (2 Cor 5, 21) A confissão é este encontro real e eficaz com Cristo que, por meio do padre, acolhe o pecador que ama e o liberta do pecado que o aprisiona na gratuidade do perdão. Quem não acredita, experimente!

Hoje procuro confessar-me com muita regularidade, e não o faço por gosto, mas porque experimento que não há melhor antídoto para qualquer vírus de mal que queira entrar no meu coração e naquilo que faço no quotidiano da minha existência. Só a misericórdia de Deus que encontro aos pés do sacerdote tem o poder de me tirar da miséria e solidão em que me encontro quando não fiz do Amor a razão do meu agir e viver.  

Pe. Ricardo Franco
Edição 1276 - 6 de Março de 2020



Valeis muito mais!...

Hoje quero voltar a falar sobre a Eutanásia. À hora que escrevo ainda não sei o resultado da votação das propostas dos projectos lei que tornam o acto de matar uma pessoa doente e em grande sofrimento legal no nosso país. Já referi neste espaço por diversas vezes a minha total oposição a esta legislação, ao não reconhecer legitimidade aos maiores partidos do nosso espectro político para poderem decidir numa matéria tão essencial quando foram omissos nos seus programas eleitorais e porque o que se pretende fazer não é acabar com o sofrimento mas matar quem sofre.

O que está em causa verdadeiramente é a forma como vivemos e como nos podemos tornar melhores pessoas construindo uma sociedade onde todos têm lugar. Uma sociedade só pode evoluir se aprende a superar as dificuldades e não desiste dos desafios permanentes da existência desde o momento da concepção até ao ocaso da vida. A vida é uma aprendizagem e o que nos torna melhores pessoas é estarmos disponíveis para darmos sempre mais de nós mesmos em favor do bem comum.

Nos meus primeiros anos de seminário tive a graça de ir com um padre amigo visitar uma das obras mais impressionantes do Padre Américo: O Calvário de Paço de Sousa. Nesta casa eram recebidas todas as pessoas que a sociedade tinha rejeitado devido a sofrerem de graves incapacidades físicas e mentais. Fiquei impressionado com muitas situações de vida que ali encontrei, mas o que falou mais fundo no meu coração, e me fez estar em silêncio durante alguns dias, foi ver a forma como estas pessoas eram tratadas. O cuidado, o carinho, o zelo, a persistência, o ambiente de tranquilidade no meio de tanto sofrimento, fez-me pensar se alguma vez seria capaz de amar assim, numa gratuidade total de quem dá de si sem esperar nada em troca porque o outro era incapaz de o fazer.

O sofrimento é uma realidade atroz da nossa existência. Mas quando há amor verdadeiro, o que antes parecia impossível de aceitar e compreender, ganha um misterioso sentido de bem. Aquelas pessoas estavam em situações irreversíveis, nunca iriam ficar curadas dos seus padecimentos, mas todos dias cumpriam uma missão extraordinária ao ensinarem outras a belíssima linguagem do amor. Naquele dia desejei que me também eu aprendesse a amar assim porque de outra forma a minha vida seria muito pobre.

Quando visitei o cemitério ali existente foi claro para mim que nenhuma daquelas vidas tinha sido menos valiosa porque ali estava um testemunho de gente muito amada.

 Hoje continuam a existir imensas situações de abandono, de pessoas desprezadas e rejeitadas por se encontrarem em situações de fragilidade extrema. O que fazer diante deste flagelo que desmascara uma sociedade que se faz passar como sendo de progresso e bem-estar? Será que podemos continuar a viver como se o mal dos outros não nos importasse? Ou vivemos adormecidos numa mentalidade egoísta e mesquinha que esconde os débeis e vende a mentira que o sofrimento tira dignidade à vida?

A eutanásia é uma mentira porque só tem uma boa morte quem experimenta até ao seu último suspiro que a sua vida vale mais do que o sofrimento que experimenta. Quem está no calvário de uma vida repleta de dor precisa de ser amado e acompanhado, e nunca sentir que está a mais neste mundo porque o seu prazo de validade chegou ao fim.

A maior dor da vida não é física, mas é a que se experimenta no coração de quem se encontra só e com medo angustiante de ter deixado de valer alguma coisa para os outros. O que aqui está em causa não se funda em crenças religiosas, mas termino esta breve reflexão com uma Palavra belíssima e reconfortante de Jesus: “Não se vendem cinco pássaros por duas pequeninas moedas? Contudo, nenhum deles passa despercebido diante de Deus. Mais ainda, até os cabelos da vossa cabeça estão contados. Não temais: valeis mais do que muitos pássaros.” (Lc 12, 6-7)  

Pe. Ricardo Franco
Edição 1275 - 21 de Fevereiro de 2020



20 de Fevereiro de 2020

Dia 20 de Fevereiro de 2020 celebra-se o centenário da partida de Santa Jacinta Marto para o céu. Depois de uma agonia de mais de um ano, esta criança santa morre poucos dias antes de completar os 10 anos de idade. A história da sua vida é marcada pela simplicidade e pela clareza de quem sabe, sobretudo depois das aparições de Nossa Senhora, que nada é mais importante do que fazer da sua existência uma entrega de amor aos outros, particularmente pelos que mais necessitam de ser libertados da condenação do mal.

No mesmo dia, o Parlamento Português prepara-se para aprovar a lei da eutanásia. Mais uma vez, fica provado que existem interesses extremamente maliciosos com uma influência assustadora naquela que deveria ser uma das expressões da nossa democracia. Senão, vejamos como refere Pedro Afonso no jornal ‘Observador’: “A Associação Médica Mundial reiterou recentemente a sua oposição à legalização da eutanásia e ao suicídio medicamente assistido, após um processo de análise aprofundada sobre este tema. Também entre nós, seis bastonários da Ordem dos Médicos, incluindo o actual bastonário, Dr. Miguel Guimarães, rejeitaram publicamente a despenalização da eutanásia. O Conselho Nacional de Ética e Deontologia da Ordem dos Médicos (que já  tinha emitido um parecer negativo em 2018) voltou  novamente a emitir um parecer negativo aos actuais quatro projectos de legalização da eutanásia e do suicídio assistido apresentados pelos partidos políticos nesta legislatura. O parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida ainda não é conhecido, estando prevista uma reunião para o dia 17 de Fevereiro (três dias antes da votação). Mas, mais uma vez, é tudo feito à pressa, sem qualquer respeito pela ética e pela prudência que uma matéria desta natureza deve ter. Pelos vistos, os deputados, que vão legislar sobre esta matéria, não precisam de ler e reflectir sobre o documento, pois a decisão já está tomada”.

A Dra. Isilda Pegado, no mesmo jornal, refere um dado escandaloso: “Após modificação do anunciado sentido de voto dos partidos à esquerda do PS (excepto PCP) no Orçamento de Estado, surge o agendamento deste debate!!! Que coincidência…” o que leva a uma conclusão: “O povo também fica a saber que este Orçamento não lhe dará melhores condições de vida, nem um Futuro melhor, mas… ser-lhe-á oferecida a morte a pedido. Moeda de troca?”.

Perante estes factos é difícil dizer alguma coisa! Pessoalmente invade-me um sentimento de profunda tristeza e pesar: parece que estamos entregues ao poder do mal, que quem triunfa neste mundo são os filhos das trevas, e que pouco se pode fazer quando estão em causa interesses económicos poderosíssimos. Mas talvez ainda mais preocupante seja o facto de uma maioria da sociedade portuguesa, certamente pouco esclarecida e ludibriada por discursos enganadores de direitos e de bondade para com os “coitadinhos que sofrem”, pareça estar convencida de que matar é melhor do que cuidar e acompanhar. Que se pode acabar com o sofrimento acabando com quem sofre, sem compreender que este caminho é contrário a uma visão responsável e defensora da dignidade da vida humana.

Apesar de tudo acredito que vidas como a da pequena Jacinta são faróis preciosos no meio desta escuridão. Depois de ter a visão do inferno ela dedicou todas as suas forças e determinação a rezar e oferecer sacrifícios pela conversão dos pecadores. No final de 1918, ela dizia à sua prima Lúcia: “Nossa Senhora veio nos ver e diz que vem buscar o Francisco muito em breve para o Céu. E a mim perguntou-me se queria ainda converter mais pecadores. Disse-Lhe que sim. Disse-me que ia para um hospital, que lá sofreria muito. Que sofresse pela conversão dos pecadores, em reparação dos pecados contra o Imaculado Coração de Maria, e por amor a Jesus”.

Santa Jacinta Marto vele por nós e, agora junto a Deus, interceda para que saibamos que a única resposta diante do mal e de qualquer situação de sofrimento, por maior que seja, é sempre o amor até à doação da própria vida porque é isso que vale a pena.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1274 - 7 de Fevereiro de 2020



Fazer bem ao mundo!

Uma notícia do jornal Observador publicada a 15 de Janeiro refere: “Os maiores riscos que o mundo vai enfrentar em 2020 são os “confrontos económicos”, a “polarização política interna”, as “ondas de calor extremas”, a “destruição de ecossistemas de recursos naturais” e os “ataques cibernéticos a infraestruturas”. As conclusões são do Global Risks Report para 2020, publicado pelo Fórum Económico Mundial.

O problema é que muitos dos riscos avaliados são já problemas reais para os quais é urgente encontrar uma solução. O erro está em pensar que a responsabilidade cabe só aos outros, enquanto governos ou detentores de poder económico. A terrível ilusão vive-a quem pensa que não será afectado porque são apenas questões de política e de notícias que não chegam à nossa porta.

Ao longo da minha vida observo que a mudança é algo que assusta, incomoda e inquieta a maior parte das pessoas. Estamos acostumados a buscar seguranças nas rotinas e nos hábitos adquiridos e não é fácil mudar, aceitar começar de novo, e arriscar fazer de forma diferente o que se fez sempre da mesma forma e nunca nos satisfez. A novidade ao mesmo tempo que fascina também causa desconfiança. Encontrar o equilíbrio é a única forma de poder acordar cada dia e preparar-se para aventura da existência.

A Igreja tem como missão ser “luz do mundo e sal da terra” e é na fidelidade ao Evangelho de Jesus que poderá cumprir para bem de todos. Nesse sentido proponho que aprendamos com a sabedoria do céu ensinada por Jesus e olhemos para a sua vida como o exemplo perfeito de quem sabe onde se encontra a felicidade. Recordaram-me recentemente como é errado pensar que os outros sabem aquilo que ainda nem sequer lhe dissemos ou partilhamos com eles, sobretudo se é importante para nós. Nesse sentido escrevo estas breves linhas como testemunho daquilo em que acredito e todos os dias procuro viver, embora muitas vezes pareça que estou sempre a começar.

A maior doença que é também um desafio com que me deparo todos os dias é a mentira do egoísmo, do viver para si mesmo, na ânsia tantas vezes frustrada de se saciar com os prazeres do mundo quando estes apenas geram mais vazio e angústia. Jesus inicia a sua vida pública com o grito: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho!” e quem O escutava e ia ao seu encontro era curado das enfermidades que uma existência errática a nível pessoal ou comunitário lhe tinha provocado.

Os milagres de Jesus não são promoções do seu “eu”, mas o anúncio em sinais visíveis e concretos de que a vida vale a pena ser vivida quando fazemos dela um dom para os outros. No “vai e…” que Jesus diz a muitos dos que são curados está um programa de vida de quem aceita viver a novidade do Amor. É verdade que cruz é a última paragem da vida terrena de Cristo neste mundo, mas esta é sobretudo um excesso de Amor que tem poder para salvar quem aceita viver O Dom que ali é feito a toda a humanidade.

Os riscos que o mundo enfrenta são a triste expressão de vidas não convertidas ao Amor, de quem não tem horizonte de eternidade, mas deixa-se enganar pelas lógicas destruidoras do mal e desiste de acreditar que é impossível inverter a situação. Precisamos de aprender a acolher os outros, a sairmos dos nossos “quentinhos” egoístas e mesquinhos e estarmos disponíveis para quem encontrarmos no nosso caminho.

A prioridade ecológica tão em voga nos nossos dias deve ajudar-nos sobretudo a ter como critério de discernimento da nossa acção se aquilo que fazemos é importante para os outros e para o ambiente. Acredito que se tivermos uma “pegada ecológica” saudável então os nossos passos e de quem caminha connosco serão mais seguros e fazedores de bem!

Na Igreja vamos começar (de 18 a 25 de Janeiro) a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que corresponde a esta intuição profundamente evangélica de que as nossas diferenças, mais do que geradoras de divisão, podem ser caminho de crescimento mútuo, de aceitarmos caminhar juntos e aprendermos a fazer bem ao mundo que Deus criou para nós!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1273- 17 de Janeiro de 2020



Votos para um novo ano!

Bom Ano!”. É a expressão que mais ouvimos e repetimos nestes dias. É uma saudação amigável e própria de quem deseja bem para os outros com quem se cruza e partilha a experiência do tempo neste mundo. O conteúdo está no sentido que cada um lhe dá e naquilo que aspira e entende como de bom para si e para os outros, e alguns quando a pronunciam ainda acrescentam: “com saúde que é o mais importante!”.

Reconheço a importância de desejarmos o bem, mas acredito que é mais necessário e urgente aprendermos a fazer o bem aos outros, porque o mais importante é sempre o amor. O novo ano é sempre uma oportunidade! Primeiro de pensarmos como vivemos o último? As escolhas que fizemos, as relações que construímos, os caminhos que percorremos, o que é importante manter e aquilo que há-de mudar. Depois de pensarmos como queremos viver o que agora se inicia? É nesse sentido que faço os meus votos para este novo ano que nestas linhas deixo de forma simples, porque acredito que esta partilha possa ajudar a alguns.  

A nível pessoal desejo que aprendamos a dar mais tempo às pessoas que amamos e termos a sabedoria de viver, reconhecendo que os outros precisam muito mais do nosso tempo e da nossa atenção do que do dinheiro que lhes possamos dar e do conforto material que lhes possamos proporcionar. Impressiona-me a facilidade estúpida que nos faz estar muito mais tempo à frente de máquinas (telemóveis, computadores, consolas de jogos, etc) do que diante das pessoas fundamentais na nossa vida. A escravidão dos ídolos deste mundo conduz a uma terrível alienação do que verdadeiramente nos faz ser pessoas.   

O novo ano é também uma oportunidade de nos exercitarmos na capacidade de praticarmos o acolhimento dos outros com quem nos cruzamos diariamente. Ir mais além de um superficial “Olá! Tudo bem!”, mas estarmos atentos às necessidades dos outros. Vivemos com tantas pessoas e conhecemos tão poucas! Muitas vezes reparo que até nos bancos das Igrejas se sentam estranhos e não irmãos. É um contra senso que não tem nada a ver com o Evangelho e com a graça do Espírito que actua em quem acredita num Deus que é uma comunhão de Amor.

A Igreja é chamada a ser fiel à sua vocação original. Cristo identificou a sua missão: sal da terra e luz do mundo (Mt 5, 13-14). O tempo que vivemos chama-nos a uma autenticidade evangélica que como o fermento na massa transforme o mundo. A era da cristandade já não existe, as bases da fé estão fragilizadas por um subjectivismo e relativismo pernicioso que como um cancro corrói a identidade cristã. É urgente a clareza no anúncio da Boa Nova de Jesus, e muito mais que querer convencer os outros para sermos mais numerosos, não termos medo de testemunhar a radicalidade de uma existência pautada pela Verdade anunciada por Ele e experimentada na vida quotidiana em todas as suas dimensões.

O mundo precisa de saber rejeitar as mentiras do demónio, que alastram em formas de ideologias progressistas, mas que são instrumentos de condenação da própria humanidade. O valor da pessoa não é defendido por qualquer manifestação da ideologia de género, mas quando nos aprendemos a respeitar nas nossas diferenças que são simultaneamente uma riqueza para todos. Ninguém é feliz quando atenta contra a defesa da vida deste o momento da concepção, passando pela fase da debilidade da doença até ao seu ocaso. As leis do aborto, da eutanásia, do suicídio assistido, são características tristes de uma cultura decadente e de uma humanidade que perdeu a capacidade de amar.

Uma máxima da vida espiritual diz que todos os compromissos devem seguir a regra dos três “p”: o pequeno, o prático e o possível. Não se trata de querer mudar tudo mas arriscar começar e voltar sempre a tentar sem nos deixarmos desanimar pelas nossas fraquezas e as dos outros. O Ano Novo é assim uma oportunidade de voltarmo-nos a comprometer com a vida que nos é dada gratuitamente e fazermos dela um dom para os outros na aprendizagem crescente do amor!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1272- 3 de Janeiro de 2020