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O Amor é a cura!

O nosso mundo precisa de conversão! Os homens necessitam de aprender a amar! A mentira do mal e a acção perniciosa do seu autor, o diabo, alastra de forma terrível e devastadora. Impressiona-me a pouca capacidade de amar que se observa no quotidiano da existência. O critério da vida, a razão para a qual se vive e o que se procura, está reduzido a uma procura egoísta de bem-estar e prazer. A sociedade é assolada por imensas tempestades e tragédias, mas enquanto não nos afecta directamente é apenas algo que nos toca sem nos transformar.

Os meios de comunicação social mostram a cada passo: cenas de violência em imensas partes do mundo, episódios de maus tratos e de opressão dos mais fracos, injustiças legitimadas por leis absurdas, políticos e outras figuras de relevo da sociedade cuja ambição pessoal se sobrepõe a qualquer tipo de sentido ético do bem comum, o proliferar de uma sociedade imoral escrava de imensas formas de depravação em que as pessoas valem menos que os animais. O cenário é assustador e parece que somos incapazes de inverter este rumo vertiginoso de destruição do nosso mundo, mas a verdade é que não é assim. É importante acreditar e começarmos nós mesmos a mudar a nossa forma de pensar e agir.

A nossa diocese está a viver o terceiro ano da caminhada de recepção sistemática da Constituição Sinodal de Lisboa, aplicando especialmente o seu número 53: “Sair com Cristo ao encontro de todas as periferias…”, continuando a “fazer da Igreja uma rede de relações fraternas”. O desafio é sermos, enquanto cristãos, o rosto da caridade divina, aprendendo com Jesus a ser presença do Amor que cura e salva. Hoje, como há dois mil anos, a urgência desta missão mantem-se, porque Deus nos criou para a felicidade e conhece a nossa fragilidade que nos engana. Cristo salvou-nos dando a vida por todos, agora é preciso aprender a viver esse dom.   

A Igreja celebra no fim do ano litúrgico a Solenidade de Nosso Jesus Cristo Rei do Universo. O fim da sua vida é levar a todos a ser participantes deste reinado. “Jesus veio para revelar e trazer uma nova realeza: a realeza de Deus. Veio para dar testemunho da verdade de um Deus que é amor (cf. 1 Jo 4, 8.16) e que deseja estabelecer um reino de justiça, de amor e de paz. Quem está aberto ao amor, escuta este testemunho e acolhe-o com fé, para entrar no reino de Deus.” (Papa Bento XVI) O trono deste Rei é a Cruz onde Ele aponta a todos a medida da vida: amar até às últimas consequências para assim vivermos desde já a eternidade, uma plenitude que nos realiza e faz felizes.

Ao escrever estas palavras tenho a sensação de que aquilo que digo está distante da realidade de muitos… acreditar no amor e no fazer o bem parece cada vez mais uma utopia, um devaneio de alguns sonhadores. A felicidade confunde-se com prazer e satisfação. A lógica do mundo é que tudo é provisório e nada permanece: “a vida são dois dias e o Carnaval são três”, por isso, o que importa é aproveitar. A consequência desta forma de pensar e agir é que se vive em permanente tensão, na busca de algo mais, sem se saber o que é, e onde se encontra, num relativismo alienante e incapacitante. Acredito que muitas das desgraças humanas e sociais que assistimos diariamente tem origem numa visão deformada da existência e das prioridades da vida.

A nossa sociedade está doente, porque esqueceu-se que a grande aprendizagem da vida é crescer na capacidade de amar e tudo fazer por amor. Santo Agostinho com sabedoria continua a exortar-nos: “Ama e faz o que quiseres. Se calares, calarás com amor; se gritares, gritarás com amor; se corrigires, corrigirás com amor; se perdoares, perdoarás com amor. Se tiveres o amor enraizado em ti, nenhuma coisa senão o amor serão os teus frutos”.

Por mais que possam dizer o contrário, eu continuo a acreditar: isto não é um sonho mas a cura!

Pe. Ricardo Franco
Edição 12569- 15 de Novembro de 2019



Os Santos do nosso tempo!

O Dia de Todos os Santos é uma festa da Igreja Católica onde se celebra a vocação de todos os baptizados, particularmente os que foram reflexo da santidade de Deus. Penso que muitos encaram a santidade como um estado de vida de alguém que é perfeito, que jamais erra ou comete pecados, julgando por isso que ser santo é fruto de esforço pessoal e se deve aos méritos de cada um. Associar a santidade à impecabilidade só é possível em Deus, no seu Filho e no Amor que brota dos Dois a que chamamos de Espírito Santo. A Virgem Maria foi preservada do pecado por especial graça em atenção ao dom que havia de receber para benefício de todos nós. Todos os outros são santos porque se deixaram tocar pela Graça e aprenderam em cada momento das suas vidas a desejar que Deus acontecesse plenamente nos seus pensamentos, palavras e acções.

​Recordo as palavras de São João Paulo II repetidas tantas vezes, sobretudo aos jovens: “Jovens, não tenhais medo de ser santos! Voai alto, sede daqueles que apontam para metas dignas de Filhos de Deus” e noutra ocasião “Contemplai e reflecti! Deus criou-nos para compartilhar a sua própria vida; chama-nos para ser seus filhos, membros vivos do Corpo místico de Cristo, templos luminosos do Espírito do Amor. Chama-nos para ser «seus»: quer que todos sejam santos. Caros jovens, tende a santa ambição de ser santos, como Ele é santo!”.

​Hoje quero aqui lembrar jovens do nosso tempo cuja vida é um testemunho de santidade porque Deus estava vivo neles. Breves apontamentos que espero suscitem a curiosidade por os conhecer melhor. Vale muito a pena!

​Guido Shaffer nasceu a 22 de Maio de 1974 na cidade de Volta Redonda. Residia com os seus pais no Rio de Janeiro no bairro de Copacaban onde era médico e surfista.

​Guido criou vários grupos de oração onde era considerado um pregador incansável da Palavra de Deus. Por onde passava o seu grande amor a Jesus, à Virgem e à Igreja era contagiante. Não perdia um minuto sequer que não fosse na evangelização, arrastando os jovens para Deus através do testemunho de vida na busca profunda e radical da santidade. Estava no último ano do Seminário quando foi chamado por Deus para mais perto d’Ele num acidente enquanto fazia surf, tinha apenas 34 anos.

​Chiara Badano nasceu em Sassello, Itália, a 29 de Outubro de 1971. Era uma jovem muito bonita, gostava de fazer desporto e os seus amigos consideravam-na uma pessoa extraordinária.

​Aos 17 anos foi-lhe diagnosticado um tumor ósseo. Enfrentou a doença apoiada em Deus. A relação de intimidade e confiança no Senhor permitia-lhe transmitir aos outros uma paz, uma alegria e uma serenidade que seduzia. Perante o sofrimento dizia: “Se é assim que queres, Jesus, eu também quero”. A sua vida é um exemplo para muitas pessoas. Poucos dias antes de partir para o Céu, com apenas 18 anos, dizia aos amigos: “Já não posso correr, mas gostaria de vos passar a Chama, como nas Olimpíadas”.

​Alexia González-Barros nasceu em Madrid a 7 de Março de 1971, era a mais nova de sete irmãos. Aos 13 anos, a 4 de Fevereiro de 1985, foi-lhe diagnosticado um tumor maligno que a paralisou. Apesar das quatro longas operações e dos dolorosos e prolongados tratamentos aceitou a doença, oferecendo o seu sofrimento e limitações à Igreja, ao Papa e a outros. A coragem, a força, a paz, a alegria foram dons constantes até à passagem para a eternidade apenas com 14 anos.

Carlo Acutis deixou este mundo com apenas 15 anos devido a uma leucemia fulminante, e deixou na memória de todos aqueles que o conheceram uma profunda admiração pelo seu breve, mas intenso, testemunho de vida cristã. Carlo era muito dotado para tudo aquilo que estava ligado a tecnologia, tanto que seus amigos e os adultos formados em engenharia informática o consideravam um génio. Todos ficavam maravilhados com sua capacidade de entender os segredos que a tecnologia esconde e que normalmente estão acessíveis apenas àqueles que concluíram a faculdade. Os interesses de Carlo variavam entre a programação de computadores, a montagem de filmes, a criação de websites, a redacção de bandas desenhadas, e o voluntariado com os mais necessitados, crianças e idosos. Antes de morrer escreveu: “Eu estou feliz por morrer, porque vivi a minha vida sem perder nenhum minuto em coisas que não agradam a Deus”.

Guido, Chiara, Alessia e Carlo são um exemplo belíssimo de que a santidade está na sabedoria de fazer as pequenas e grandes coisas da vida a partir do Amor de Deus, por isso, apesar de terem deixado o nosso convívio terreno continuam muito presentes.

Pe. Ricardo Franco
Edição 12568- 1 de Novembro de 2019



O suicídio não é a solução… “Só Deus basta!”

A Organização Mundial de Saúde publicou, a 9 de Setembro, um relatório feito com base em estimativas globais de 2016 onde refere conclusões preocupantes que apresento de forma sistemática porque me parece que se trata de algo que não devemos ficar indiferentes dada a sua importância vital:

- Todos os anos morrem 800 mil pessoas de suicídio, há um suicídio a cada 40 segundos e a maior parte de pessoas com menos de 45 anos;

- O suicídio está entre as 20 principais causas de morte em todo o mundo - e é a segunda causa de morte para os jovens -, provocando mais mortes que a malária, o cancro da mama ou mesmo as guerras e homicídios;

- Nos países de elevado rendimento a taxa de suicídio é três vezes superior à dos países de médio ou baixo rendimento;

- Portugal ocupa o 20.º lugar Europa e, o suicídio é a segunda causa de morte para jovens entre os 15 e os 29 anos, a seguir aos acidentes rodoviários e à frente das mortes por violência interpessoal.

A Igreja acompanha os homens e tem a missão de anunciar O Evangelho da Vida e de denunciar os males e os erros presentes na história que condenam o homem no presente da sua existência. São João Paulo II alertou no texto profético, Igreja na Europa nº9, "estamos assistir a uma apostasia silenciosa por parte do homem auto-suficiente que vive como se Deus não existisse”. A consequência imediata é a perda de valores porque quando os homens se esquecem de Deus então fica prisioneiro do relativismo. O Papa Pio XII numa frase considerada quase proverbial tinha profetizado: "o pecado do século é a perda do sentido do pecado" e anos mais tarde São João Paulo II interpelava os jovens universitários: "Aprendei a chamar pecado ao pecado, e não o chameis liberdade e progresso".

A cultura de morte está de tal forma disseminada na nossa sociedade que muitos perdem a esperança e o suicídio parece ser a única solução para uma existência condenada a um vazio de sentido. As causas estão numa mentira repetida até à saciedade: “o homem é senhor de si mesmo”. Esta visão totalmente distorcida da vida conduz a um abismo de sofrimento sem horizonte e consecutivamente à destruição de si mesmo.

O Papa Bento XVI dias antes de ser eleito tinha afirmado com um discernimento brilhante: “Enquanto que o relativismo, quer dizer, deixar-se 'levar à deriva por qualquer vento de doutrina', parece ser a única atitude adequada nos tempos atuais. Vai se constituindo uma ditadura do relativismo que não reconhece nada como definitivo e que deixa como última medida somente o próprio eu e seus desejos" e pouco tempo depois já na cadeira de São Pedro ensinava “sem a luz da verdade; mais cedo ou mais tarde cada pessoa está, de facto, condenada a duvidar da bondade da sua própria vida e das relações que a constituem, do valor do seu compromisso para construir com os outros algo em comum”.

A mudança só se fará ao nível da mentalidade e sobretudo do coração. Santa Teresa de Jesus, que a Igreja celebra a15 de Outubro, teve de enfrentar no século XVI um mundo perdido em superficialidades e coisas vãs dentro e fora do convento onde vivia. A reforma que fez não fundou nas suas qualidades e fortaleza mas, sobretudo, numa experiência de amor com Jesus que a fazia aproximar-se de Deus e estar próxima para servir os homens. Dentro do muito que deixou escrito reproduzo aqui um dos seus poemas mais conhecidos cuja densidade e clareza são um autêntico programa para podermos começar a mudar.

Nada te perturbe, Nada te espante,/ Tudo passa, Deus não muda, / A paciência tudo alcança; /Quem a Deus tem, Nada lhe falta: /Só Deus basta.

Eleva o pensamento, Ao céu sobe, / Por nada te angusties, Nada te perturbe. / A Jesus Cristo segue, Com grande entrega, / E, venha o que vier, Nada te espante. /Vês a glória do mundo? É glória vã; /Nada tem de estável, Tudo passa.

Deseje às coisas celestes, Que sempre duram; / Fiel e rico em promessas, Deus não muda.

Ama-o como merece, Bondade Imensa; / Confiança e fé viva, Mantenha a alma, / Que quem crê espera, Tudo alcança.

A maldade, a injustiça, / O abandono, não ameaçará, / Quem a Deus tem, / Mesmo que passe por momentos difíceis; / Sendo Deus o seu tesouro, Nada lhe falta".

Ainda que tudo perca, Só Deus basta.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1267 - 18 de Outubro de 2019



Dia dos Fiéis Defuntos: a esperança que nos anima e conforta

Para mim escrever estas linhas é sempre um exercício difícil, mas que procuro fazer com seriedade, e com intenção de poder ajudar de alguma forma e ser útil a quem gasta tempo a ler. Quando pensava no tema para esta edição alguns me foram sugeridos:

- O Oitavário para a Oração pela Unidade dos Cristãos
No dizer do Papa Francisco uma missão de todos num compromisso sério por vivermos em fidelidade ao Evangelho, e na procura de apesar das diferenças caminhar na unidade. A fé nos diz que esta é possível pela oração, isto é, na abertura a acção do Espírito Santo que nos ensina a vencer todas as barreiras do nosso egoísmo e escolha erradas, e a seguir juntos por onde o Senhor nos chama, ainda que de formas diferentes, mas com a convicção profunda que o que importa verdadeiramente é encontrarmo-nos todos em Deus.

- A Jornada Mundial da Juventude no Panamá nos dias 22 a 27 de Janeiro

João Paulo II teve a intuição de fazer e concretizou esta iniciativa de se reunir periodicamente com os jovens cristãos de todo o mundo. Os outros Papas continuaram a fazê-lo e para Francisco esta é já a terceira vez: depois de Rio de Janeiro e Cracóvia agora é num pequeno país da América Central: o Panamá. Apesar de tantas solicitações aparentemente mais aliciantes que o mundo oferece, centenas de milhares, mesmo milhões, de jovens encontram-se para celebrar a sua fé e a pertença à Igreja Católica, acolherem uma Palavra de Deus na pessoa do Santo Padre, e para se renovarem interiormente na missão que o Senhor lhes confia de serem testemunhas do Evangelho e modelos de santidade.

- A crescente oferta de programas de televisão sobre as relações de compromisso entre duas pessoas das formas mais surreais

Apesar de não ter seguido pessoalmente estes formatos de televisão, escuto vários comentários e leio algumas notícias. Quando era criança surgiram na televisão as telenovelas brasileiras, idolatradas por uma grande maioria, revelando aquilo que hoje ainda se mantém em muitos casos: as pessoas precisam de fantasiar e encontrar escapatórias para as vidas que levam. A nossa sociedade vive um déficit assustador de capacidade de amar. Hoje parece que o que interessa é apenas o prazer egoísta e imediato. A doação simples, silenciosa e gratuita própria de quem ama, não está nos horizontes de vida de muitos, o que revela uma pobreza humana triste e preocupante. Só o Amor realiza a pessoa tudo o resto são caricaturas geradoras de vazio e angústia. Assistir a estes programas parece-me algo desaconselhável e inapropriado, sobretudo, para os mais novos. Trata-se de algo parecido com o ensinar as crianças a valorizarem a paz e depois oferecer-lhes armas, jogos de guerra e outras coisas do género para brincarem. Um mundo de faz de conta onde o que importa é o teu prazer!

- A reportagem sobre a vida das monjas do Carmelo de Coimbra: Clausura Feliz

Um exemplo de bom jornalismo sobre algo que edifica e importa para todos: a procura da felicidade. Aquelas mulheres dentro do Convento descobriram-na de uma forma interpelante e escandalosa para alguns, mas a verdade é que a sua alegria é autêntica e, por isso, contagiante. Quem dera que todos acreditássemos na força do Amor vivido em Deus e aceitássemos responder-lhe com generosidade, ainda que isso implique a renúncia e o deixar as débeis seguranças até aí aprendidas. A sabedoria da vida destas mulheres tem muito a ver com o que dizia outro grande Carmelita, São João da Cruz, sobre o modo de chegar ao tudo: “Para chegares ao que não sabes, hás-de ir por onde não sabes. / Para chegares ao que não gozas, hás-de ir por onde não gozas. / Para vires ao que não possuis, hás-de ir por onde não possuis. / Para vires a ser o que não és, hás-de ir por onde não és.

A nossa existência precisa de palavras que nos ajudem a encontrar sentido e sejam para nós uma interpelação a sermos mais no dom do Amor uns aos outros. Foi para isso que nascemos, se alguém nos disser o contrário está enganado. Se estas linhas ajudarem a encontrar alguma pista do caminho da verdade então já cumpriram a sua finalidade.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1251 - 18 de Janeiro de 2019



Aprendendo com os Magos!

A festa da Epifania do Senhor que tradicionalmente se chama de Dia dos Reis é a celebração da manifestação de Jesus como Aquele que vem ao mundo para salvar a humanidade inteira. Os magos representam a todos aqueles que anseiam por mais na sua vida, e não se contentam com o pouco do agora que possuem, mas desejam alcançar a imensidade do céu que contemplam. A busca deste mais que preencha de sentido a existência é a característica de quem não se acomoda a uma sobrevivência sem horizonte.  

O Papa Bento XVI descreve esta procura de uma forma magistral: “Os homens que então partiram rumo ao desconhecido eram, em definitivo, pessoas de coração inquieto; homens inquietos movidos pela busca de Deus e da salvação do mundo; homens à espera, que não se contentavam com seus rendimentos assegurados e com uma posição social provavelmente considerável, mas andavam à procura da realidade maior. Talvez fossem homens eruditos, que tinham grande conhecimento dos astros e, provavelmente, dispunham também duma formação filosófica; mas não era apenas saber muitas coisas que queriam; queriam sobretudo saber o essencial, queriam saber como se consegue ser pessoa humana. E, por isso, queriam saber se Deus existe, onde está e como é; se Se preocupa connosco e como podemos encontrá-Lo. Queriam não apenas saber; queriam conhecer a verdade acerca de nós mesmos, de Deus e do mundo. A sua peregrinação exterior era expressão deste estar interiormente a caminho, da peregrinação interior do seu coração. Eram homens que buscavam a Deus e, em última instância, caminhavam para Ele; eram indagadores de Deus”.

 Os nomes dos magos não aparecem nas Sagradas Escrituras, mas a tradição deu-lhe nomes cujo significado realça a sua procura de encontrarem o tesouro das suas vidas. Melchior é caracterizado geralmente como um idoso branco com barba em representação da região europeia e oferece ao Menino o ouro pela realeza de Cristo. Gaspar representa a área asiática e leva o incenso pela divindade de Jesus. Enquanto Baltazar é negro proveniente de África e presenteia o Salvador com mirra, substância que se utilizava para embalsamar cadáveres e simboliza a humanidade do Senhor. Além disso, os três fazem referência às idades do ser humano: juventude (Gaspar), maturidade (Baltazar) e velhice (Melchior). Desta forma está representada a humanidade inteira, a universalidade da salvação, e como no coração de Deus no dom seu Filho todos temos lugar, e Ele não se esquece de ninguém. 

A estrela que guia aos Magos ao presépio, mais do que um fenómeno físico é um símbolo de quem olha para além da sua razão, está atento aos sinais, se deixa interpelar por eles e aceita pôr-se a caminho. A Sagrada Escritura confirma o sinal e dá uma Palavra de interpretação que permite acolher o mistério. Uma oração da Igreja protestante diz de uma forma muito bela: "Ó Deus, que pela Estrela manifestaste teu unigénito Filho a todos os povos da terra; guia-nos à tua presença, os que hoje te conhecemos pela fé; a fim de que desfrutemos de tua glória face a face; mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém".

A palavra que marca a narração evangélica é verbo adorar que ouvimos na boca dos Magos: “Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”, e no que fazem quando chegam ao presépio “e entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no”. A verdade do Amor e da existência cumprida só se encontra em Deus e por isso só a Ele se adora! Os Magos desejaram encontrar o Senhor para poderem adorá-Lo, ou seja, procuraram sem desanimar e apesar das dificuldades o Único em cuja vida faz sentido e em quem sempre tudo se renova. Depois de adorarem “regressaram ao seu país por outro caminho” porque os seus olhos estavam iluminados, o seu coração convertido ao Amor, e os seus passos conduzidos pela Graça de Deus.

Agora é o tempo de fazermos nós a experiência: O Senhor vem para nós! Vamos também nós adorá-lo.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1250 - 4 de Janeiro de 2019