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Amar vale a pena

A solidariedade é fundamental na edificação de uma comunidade humana justa e equilibrada. A atenção às necessidades dos outros desperta em nós as forças do amor e as capacidades para não nos resignarmos ao mal. O cuidar dos fracos, o estar disponível para ajudar quem está em situações de fragilidade, a denúncia das injustiças pela prática do bem, são dinamismos essenciais para nos fazer crescer em humanidade. Uma sociedade centrada nos seus esquemas egoístas, na busca desenfreada de satisfações pessoais, escrava da lógica das aparências, promove a morte e condena-se a si mesma.

O nosso mundo tem exemplos muito belos e valorosos de solidariedade. A fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) é um testemunho extraordinário de dedicação pela causa de tantos que sofrem e são esquecidos pela sociedade. O trabalho que desenvolvem em alguns dos lugares mais dramáticos de miséria e sofrimento é verdadeiramente notável e merece ser apoiado por todas as formas que estejam ao nosso alcance.

O Cardeal Joseph Ratzinger (agora Papa Emérito Bento XVI) descreveu esta organização como “um presente da Providência para o nosso tempo”. Ele afirmou que a Ajuda à Igreja que Sofre se tinha “(…) tornado uma das instituições de caridade católicas mais importantes. (…) Está a trabalhar de uma maneira que vale a pena em todo o mundo. O nosso mundo está faminto e sedento por testemunhas do Senhor ressuscitado, por seres humanos que transmitem a fé em palavras e acções, bem como por seres humanos que estão ao lado daqueles que precisam”.

Em Portugal, as Igrejas Cristãs assinaram memorando para proteção do ambiente e sustentabilidade ecológica numa procura de contribuírem todos para a realização de acções concretas que valorizem o nosso viver em sociedade. O Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Ornelas, afirmou que, no campo da proteção do ambiente, da ecologia integral, “é possível e necessário” um caminho “com toda a humanidade”. “Este apelo ganhou nova dimensão e nova presença com a encíclica ‘Laudato Si’, aliada também à ‘Fratelli Tutti’.” Neste contexto, salientou que “muitos desses valores passaram para a sociedade vindos do Evangelho” e afirmou que, nestas e em outras causas, “não há dúvidas” que as Igrejas Cristãs têm feito “um caminho muito importante e devem continuar a fazê-lo”. “A fé em comum explicita-se em diversos modos, podemos ir fazendo caminhos que nos levem a uma maior unidade entre nós”.

A solidariedade ajuda a criar pontes, a vencer as barreiras das tristezas passadas, a traçar rumos novos para um futuro melhor. As lógicas do consumismo, do oportunismo carreirista, da obtenção de fins sem olhar aos meios, da exploração dos fracos para satisfazer os poderosos, são chagas abertas no nosso existir como pessoas com consequências nefastas para todos. É urgente acreditar na força do bem, arriscar tudo no amor sem medidas, aventurar-se no ir contra a corrente da mesquinhez, porque só assim poderemos ser verdadeiramente felizes.

O Papa Francisco na mensagem que enviou ao Fórum Globosec Bratislava, que se realizou na Eslováquia sobre o tema ‘Reconstruamos melhor o mundo’, afirmou: "A crise que afectou a todos lembra-nos que ninguém se salva sozinho. A crise abre-nos o caminho para um futuro que reconhece a verdadeira igualdade de cada ser humano: não uma igualdade abstrata, mas concreta, que oferece às pessoas e aos povos oportunidades justas e reais de desenvolvimento". E de forma enérgica concluiu dizendo: “Agir para o desenvolvimento de todos é realizar um trabalho de conversão. E antes de tudo decisões que convertem a morte em vida, as armas em alimento”.

Estamos no mês do Sagrado Coração de Jesus. Jesus oferece-nos o seu amor neste coração que se deixa trespassar para curar todas as feridas que o mal provoca na nossa vida. O seu coração é uma fonte da qual devemos beber para podermos ser portadores de graça uns para os outros.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1305 - 18 de Junho de 2021 



Velas, colchas e flores!

A passagem da imagem da Virgem Maria, Nossa Senhora do Rosário de Fátima, pelas ruas das terras das paróquias onde estamos a servir foi, novamente este ano, um momento comovente e interpelador. A pandemia impediu que fizéssemos as habituais procissões a pé por algumas ruas das terras, mas possibilitou que desta forma a Mãe do Céu visitasse os seus filhos em todas as casas. Uns estavam à espera com velas, flores e colchas nas janelas, outros foram surpreendidos, mas a todos aqueles breves instantes foram um consolo para a alma e alegria para o coração.

O que importa agora é não ficarmos pelo sinal sem procurar o seu sentido. Maria quer-nos muito para o seu Filho. Vivemos numa sociedade marcada por muitas contradições e dificuldades, as incertezas do futuro certamente nos oprimem, contudo, com Maria aprendemos a olhar o céu, a esperar no Amor de Deus que ela gerou no seu seio para se oferecer por todos nós.

Os problemas não desaparecem, os desafios não estão vencidos de forma mágica, os sofrimentos permanecem, todavia, quando temos Maria connosco é como se acendêssemos uma pequena vela no meio das trevas da noite, apesar de nos faltar tanto, sabemos oferecer flores, e mostrar o melhor que temos, para dar beleza à vida.

À medida que ia passando nas casas rezando o rosário e dando a bênção a quem saudava Maria, pensava em tantos que vivem sem sentido, cujo horizonte da existência é a incógnita do amanhã, e pedia ao Senhor que pela intercessão da sua Mãe possa dar esperança a quem se encontra perdido, fortaleça os que não desistem e anseiam pela eternidade.

Quando todos acendemos uma vela a noite fica iluminada, as trevas não desaparecem, mas é possível olharmos o rosto uns dos outros, sabendo assim que não estamos sós. A esperança vence a solidão porque nos capacita para o encontro no amor que vence o mal. As flores na rua, as colchas nas janelas e varandas, constroem a beleza que nos permite sorrir, alimentam a alma que não desiste de buscar sempre mais, fazem acreditar que a existência vale a pena quando damos o melhor de nós.

O Papa Francisco exorta-nos a uma ecologia integral, que radicando nos valores evangélicos transforme a nossa forma de viver. “Precisamos de uma nova abordagem ecológica que transforme a nossa maneira de habitar o mundo, os nossos estilos de vida, a nossa relação com os recursos da Terra e, em geral, o modo de olhar para o homem e de levar a vida. Uma ecologia humana integral, que envolve não só as questões ambientais mas o homem na sua totalidade, torna-se capaz de ouvir o clamor dos pobres e de ser fermento para uma nova sociedade”.

As nossas relações precisam de amor, de esperança e de beleza. A vida não pode estar refém de lógicas consumistas, de buscas desenfreadas de prazeres efémeros que nos consomem, destroem o ambiente, sem nos saciar. A pandemia mostrou-nos a nossa fragilidade e do mundo que construímos. É necessário que nos unamos naquilo que importa e não tenhamos medo. A noite pode ser muito densa, mas se cada um de nós tiver o desejo de fazer brilhar uma pequena luz estaremos a fazer parte da mudança.

O Santo Padre acredita e interpela. “Há esperança. Todos nós podemos colaborar, cada qual com a própria cultura e experiência, cada um com as suas iniciativas e capacidades, para que a nossa mãe Terra regresse à sua beleza original e a criação volte a resplandecer, de acordo com o desígnio de Deus”.

Maria passa à nossa porta para nos mostrar que ela está unida a todos os seus filhos. A sua intercessão junto do seu Filho nas Bodas de Caná - “Não têm vinho!” - permanece ainda agora na sua atenção pelo que mais precisamos. O mandato que dá aos servos - “Fazei tudo o que Ele vos disser!” - é a garantia de quem acredita que o maior poder é o Amor que vence o mal. Agora é a nossa vez de responder. Não estamos sós!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1304 - 4 de Junho de 2021



É urgente mudar as prioridades e os critérios!

A dignidade de uma pessoa não tem preço. Impressiona que em sociedades ditas desenvolvidas, como a que vivemos, se possa desprezar os direitos humanos mais básicos para se poder ganhar dinheiro. A ditadura do lucro impõe-se como uma inevitabilidade terrível e a fraqueza de muitos é explorada pelos interesses egoístas de alguns. O nosso mundo está repleto de injustiças, de violência e opressão, a maioria das vezes por causa de interesses económicos.

Entristece-me que muitos considerem que ganhar a vida seja apenas o ganhar dinheiro. É uma mentira! O dinheiro é uma coisa necessária e será boa se contribuir para o bem. A beleza da vida não está no acumular riqueza, mas no saber partilhar com quem tem menos. A felicidade que ninguém nos pode tirar é a que nasce do quanto podemos fazer uns pelos outros. O que escrevo não é uma utopia, nem palavras sem contexto no real, mas o horizonte que nos permite encontrar sentido para a nossa existência.

Todos sabemos que não levamos nada deste mundo, mas a nossa memória será guardada e até celebrada se a nossa vida foi portadora de bem para os outros. A mentira da cultura hedonista é fazer acreditar que o bem-estar, o disfrutar do tempo presente, são a finalidade e o objectivo que nos faz levantar todos dias.

A exploração dos emigrantes, a situação dos refugiados, e a administração danosa de algumas instituições bancárias em Portugal são apenas alguns dos exemplos escandalosos da ditadura dos interesses de quem não se importa com os outros, idolatra o dinheiro, e não se importa com as consequências nefastas que possa ter na sociedade. As pessoas deixaram de contar.  

A justiça humana parece incapaz de resolver esta tendência maléfica do homem que vive para servir o dinheiro, sem olhar a meios. É impossível continuar a pactuar com uma cultura que não olha a custos para atingir interesses egoístas. Em muitas situações parece que quem tem de fazer justiça tem os olhos tapados, tal como a representação tradicional da mesma, e nem procura ver para não ter que decidir em favor dos mais fracos. A impunidade dos culpados é reveladora de uma justiça em decadência.

Viver subjugado a esta ditadura do ter mais e acumular é a forma de não saber o que é a liberdade que só o amor pode dar. É urgente que como sociedade, que não se quer destruir pela obsessão dos bens materiais, aprendamos a estabelecer prioridades, a termos critérios claros e objectivos sobre o que importa e como concretizá-los.

Entristece-me ver como os culpados do mal prefiram justificar as suas opções erradas, para não terem que sofrer as consequências do que fizeram, e mudar a sua forma de agir. Escandaliza como haja quem julgue merecer prémios de serviço realizado quando nem sequer conhecem bem a realidade do trabalho que devia exercer e não se importa que os resultados do que fez sejam ruinosos. E muitos dos que contribuíram directamente para o desastre, seja este humanitário ou financeiro, se mostrem incapazes para assumir seriamente os erros praticados. É assustadora a soberba que demonstram, quase de gozo, pelas instâncias que regulam a actividade económica e financeira.  

A pandemia podia ser uma ocasião favorável para se crescer em solidariedade, compromisso social, partilha generosa do pouco de muitos, responsabilização em favor do bem comum, contudo, o medo e a insegurança incapacitam para sair do vazio e fazer tudo por amor. Quando aprendemos amar gratuitamente descobrimos a razão primeira pela qual fomos criados.

A propósito de tudo isto, o Papa afirma de forma contundente que, como sociedade, devemos enfrentar corajosamente a cultura do descartável: uma “cultura que nos ameaça continuamente. Viver descartando o que nos incomoda, o que nos sobra, o que nos impede de ter mais e mais. E, contra essa cultura do descartável, viver a cultura do receber, do acolher, da proximidade, da fraternidade. Hoje, mais do que nunca, somos solicitados a ser fraternos”.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1303 - 21 de Maio de 2021



A “maratona” do Rosário

O Papa Francisco convocou a Igreja para durante o mês de Maio realizar uma "maratona" de oração do rosário para pedir a Nossa Senhora o fim da pandemia, que aflige o mundo há mais de um ano, e pela retoma das actividades sociais e de trabalho. O Santo Padre quis envolver todos os Santuários Marianos do mundo nesta iniciativa, para que se tornassem instrumentos para uma oração de toda a Igreja. A iniciativa é realizada à luz da expressão bíblica: "De toda a Igreja subia incessantemente a oração a Deus" (At 12,5).

A importância da Virgem Maria na vida cristã é um dado incontestável. A sua presença é visível na Igreja, nos templos, em tantas formas de arte, nas devoções mais populares e em muitas manifestações de fé. São João Paulo II ao propor a oração do Rosário, como caminho complementar para uma autêntica espiritualidade cristã, dizia: «A contemplação de Cristo tem em Maria o seu modelo insuperável. À contemplação do rosto de Cristo, ninguém se dedicou com a mesma assiduidade de Maria».

No século XVI, aquando da Batalha de Lepanto, o Papa São Pio V com as mãos erguidas ao alto como Moisés acompanhava uma multidão de fiéis que, em Roma, rezavam o Rosário implorando a intercessão de Maria para que a Europa não sucumbisse perante a ameaça do Império Otomano. Ainda hoje os cristãos celebram a Festa de Nossa Senhora do Rosário a 7 de Outubro, dia em que os cristãos venceram a batalha.

Em Fátima, Nossa Senhora aparece a três pastorinhos, pede-lhes que rezem o rosário/terço todos os dias pela conversão dos pecadores e para que os homens não mais ofendessem a Jesus. A vida destas crianças mudou e com elas a de milhões em todo o mundo.

A oração cristã é a intimidade de amor que transforma a vida. Rezar é dar lugar ao Espírito Santo para que actue e nos revele os desígnios misteriosos de Deus. A abertura à relação com Deus permite que o crente cresça na comunhão com todos os outros, ao mesmo tempo que experimenta a presença consoladora do Senhor.

O Rosário é uma oração muito simples, na medida em que é a recitação de fórmulas facilmente aprendidas por todos, mas extremamente exigente porque a repetição constante dificulta a concentração do pensamento. A Igreja medita os mistérios da vida de Cristo, ao mesmo tempo que invoca a Mãe do Senhor. A oração une o nosso coração ao dela para juntos chegarmos mais próximo do seu Filho.

É importante aprendermos a colocarmo-nos aos pés de Jesus. Invocá-Lo com a atitude confiante de Maria que conhece todas as nossas necessidades. A intercessão de Maria é a expressão do seu amor de Mãe que cuida e jamais abandona os seus filhos e o mundo inteiro de que ela é Senhora. A mais bela de todas as criaturas.

A oração exige que cada um dê do seu tempo, que entregue o seu coração e submeta a sua vontade. Na medida em que o fazemos damos lugar à acção de Deus, e é despertada em nós a consolação do Espírito. As graças que recebemos são carícias da ternura de um Pai que não cessa de nos fazer experimentar as suas maravilhas, que transforma a nossa vida muito além do que podíamos pensar ser possível. Rezamos pelo fim da pandemia, mas sobretudo para que todos estejamos unidos no Amor.

A Mãe do céu é a nossa guia nesta aprendizagem de Amor. Respondamos ao convite do nosso Pastor e procuremos estar unidos na oração do Rosário. Façamo-lo em família, e mesmo estando sós aprendamos a estar em profunda comunhão com todos. Num passado, não muito longínquo, era rara a casa em que o rosário/terço não fosse rezado pelos que nela habitavam. A oração aproximava de Deus pelas mãos de Maria, ao mesmo tempo que favorecia a partilha da vida com a simplicidade do amor de quem aceita rezar com e pelo outro. É tempo de recuperarmos as boas práticas! Elas são essenciais para o bem de todos.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1302 - 7 de Maio de 2021



Ano de São José

Um de Maio é de dia de São José Operário. A sociedade civil celebra o Dia do Trabalhador. O Papa Francisco convocou a Igreja a celebrar o Ano de São José de 8 de Dezembro de 2020 a 8 de Dezembro de 2021 e escreveu uma belíssima Carta Apostólica sobre São José a propósito dos 150 anos da sua proclamação como Padroeiro Universal da Igreja.

José foi o escolhido por Deus para guardião dos seus tesouros mais preciosos: Jesus e Maria. O Evangelho não nos refere uma única palavra sua, diz que Deus falava com ele por meio de sonhos, que ele sempre obedeceu apesar das missões que lhe eram confiadas serem muito difíceis de compreender. O seu ofício de carpinteiro providenciava o sustento para a sua família e Jesus terá sido seu aprendiz/ajudante no sentido de poder continuar a tradição do seu pai.

José é um modelo belíssimo de paternidade que deve interpelar e servir de exemplo. A sociedade em que vivemos, tão despida de valores, necessita de reaprender a cuidar do que vale a pena e perdura. O pai é a referência dos filhos. É o garante da segurança, o homem forte que desejamos ser quando crescermos. O respeitar o pai é estruturante da nossa personalidade, na medida em que aprendemos os limites para as nossas vontades. A obediência ao pai não é um fardo, mas a garantia de crescermos como pessoas válidas e capazes de transformar o mundo.

Jesus era conhecido por ser filho de José. Acredito que para Ele isso era motivo de muita satisfação porque o pai tinha-lhe ensinado a ser homem, e nunca Lhe faltou em tantos momentos de tribulação. Nem a Ele, nem à mãe! O Papa Francisco diz: “Não se nasce pai, torna-se tal... E não se torna pai, apenas porque se colocou no mundo um filho, mas porque se cuida responsavelmente dele. Sempre que alguém assume a responsabilidade pela vida de outrem, em certo sentido exercita a paternidade a seu respeito”.

A paternidade vai muito além da biologia, realiza-se na vida, na existência diária de entrega e cuidado por quem recebemos como dom, e aceitamos ajudar a crescer como pessoa. Diz ainda o Santo Padre: “Na sociedade actual, muitas vezes os filhos parecem ser órfãos de pai. A própria Igreja de hoje precisa de pais”. José aceitou ser a referência para Jesus, transmitir-lhe não apenas a linhagem, mas, sobretudo, o testemunho de uma vida séria, exigente e trabalhadora. Demorou tempo, o contexto foi o realismo da simplicidade, na disponibilidade para tudo fazer por amor.

Hoje, como antes, estas são virtudes essenciais que é necessário exercitar, porque garantem estabilidade e uma experiência humana completa. A grande parte da vida do Filho de Deus, neste mundo, foi partilhada com José, Maria e todos quantos de alguma forma faziam parte da sua família. Esta foi a experiência fundante para depois poder cumprir a missão que o Pai Lhe tinha confiado.

José ensina-nos a medida certa. O amor como critério, o sacrifício como caminho de liberdade, o dom de si como garantia de felicidade. É um exemplo. O operário que serve, que não busca o próprio interesse, mas faz do trabalho a forma de colaborar com Deus no projecto da criação do mundo. O silêncio de José é rico de conteúdo porque ao mesmo tempo que é disponibilidade para escutar, também mostra a humildade para aceitação humilde de tudo aquilo que o supera. Ele não ambiciona ser senhor de ninguém, mas recebe com confiança a missão de ser esposo de Maria e pai de Jesus.     

Termino esta breve reflexão com o apelo do nosso pastor: “A crise do nosso tempo, que é económica, social, cultural e espiritual, pode constituir para todos um apelo a redescobrir o valor, a importância e a necessidade do trabalho para dar origem a uma nova «normalidade», em que ninguém seja excluído. O trabalho de São José lembra-nos que o próprio Deus feito homem não desdenhou o trabalho. A perda de trabalho que afeta tantos irmãos e irmãs e tem aumentado nos últimos meses devido à pandemia de Covid-19, deve ser um apelo a revermos as nossas prioridades. Peçamos a São José Operário que encontremos vias onde nos possamos comprometer até se dizer: nenhum jovem, nenhuma pessoa, nenhuma família sem trabalho!”.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1301 - 16 de Abril de 2021