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Ousar ir mais longe…

O Evangelho diz que quando Jesus nasceu foi visitado por umas figuras misteriosas que guiados por uma nova estrela no céu vão ao encontro do Menino nascido numa gruta em Belém. O relato apenas nos diz que eram uns Magos do Oriente e os tesouros que Lhe ofereceram: ouro, incenso e mirra. Os presentes são uma manifestação simbólica de quem era Aquele que adoravam: um rei a quem oferecem ouro, que é Deus feito homem e por isso lhe entregam incenso, que veio ao mundo para morrer em sacrifício de Amor pela humanidade inteira, cujo corpo haveria de ser perfumado com mirra.

Em Portugal o Dia de Reis, a Epifania do Senhor, há muito deixou de ser feriado nacional, e, se não fosse a tradição de comer Bolo Rei, quase que passaria despercebido, até porque na liturgia este dia é sempre celebrado no primeiro Domingo depois de 1 de Janeiro. Ao iniciarmos um novo ano fazemos sempre votos para que possamos vivê-lo como os bens essenciais para a nossa vida e de quem nos rodeia. Depois do ano mais desafiante das nossas vidas, que mudou o mundo, é importante que encontremos sentido e vontade de fazer que na nossa existência tão frágil, haja sinais de confiança, alegria, ânimo, e desejo de não desistirmos perante as adversidades.

Os Magos não se acomodaram nem se resignaram a uma existência estéril e vazia, aprenderam a olhar o céu, e a deixarem-se conduzir numa obediência libertadora aos sinais de que a vida não se esgota na circunstância de cada um. A sua ousadia levou-os longe, fê-los enfrentar o desconhecido, mas a verdade é que nunca se perderam porque nunca deixaram de procurar. O seu entusiasmo impressiona, a sua disponibilidade inquieta, a sua generosidade interpela.

A história dos Magos é uma parábola divina para a nossa vida. A nossa existência faz sentido, só precisamos de aprender a olhar os sinais, encontrar a Estrela que nos guia na medida que nos ilumina, ensina a ser audazes, a ir mais além, e a ser verdadeiramente agradecidos. Levantemos os olhos para mais longe, aprendamos a ver a beleza que transforma o coração.   

Acredito que precisamos de aprender a desejar o que mais importa e nos faz sair de um comodismo que nos aprisiona e isola. O Amor há-de ser sempre o nosso maior anseio, porque nós fomos criados para amar uma vez que nascemos do Amor. Quem ama não desiste, não se contenta com propostas medíocres, mas procura sempre caminhos novos e a ajuda dos outros para não desfalecer perante as dificuldades. Um novo ano é sempre um tempo novo, é uma oportunidade de calendário para poder recomeçar, de alguma forma fazer o inventário espiritual do que se fez no passado, para sabermos onde vale a pena investir no presente, de forma a construir um futuro melhor.

Os que vivem animados pela fé no Menino sabem que a história é um desígnio misterioso de Deus, o que importa é procurá-lo todos os dias, numa ousadia do Espírito que nos preenche de vida e de Graça. Nestes dias em que alguns dos nossos representantes na Assembleia da República, em vez de discutirem a melhor forma para ultrapassarmos a pandemia, ultimam a redacção final da lei da morte a pedido, chamada erradamente de eutanásia (literal: boa morte), os cristãos unem-se em oração e invocando a Senhora mais brilhante que o Sol suplicam-lhe o milagre que todo este processo possa voltar para trás. Sabemos que não se trata de uma questão de fé, mas de respeito pela dignidade humana. Quem sofre precisa de ser amado, acompanhado, cuidado, e não que lhe digam para desistir e pedir para ser morto.

Se começamos o ano a legalizar a morte, como poderemos aprender a viver? Jesus Menino recebeu mirra ao nascer para significar que a sua morte iria ser uma manifestação de Amor. E é assim que deveria ser sempre com cada um de nós! Aprendamos a ousadia do Amor para sabermos ir mais além, e ajudarmo-nos uns aos outros a caminhar para a plenitude para a qual vimos a este mundo. Estamos a começar um novo ano nesta terra, mas o que desejamos de verdade é a eternidade vivida no Amor.

Um bom propósito para este novo ano é que em todas as circunstâncias nos possamos unir em favor da vida, procurando sempre o que faz de nós melhores pessoas e nos garante a felicidade.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1294 - 8 de Janeiro de 2021



A Alegria do Natal!

Deus amou tanto o mundo que lhe enviou o seu Filho Unigénito para que todo o que n’Ele crê não morra mas tenha a vida eterna” (Jo 3, 16). O Natal é a celebração deste mistério do Amor de Deus. Jesus, nascido no presépio de Belém, é a Luz que vem dissipar as trevas, a Graça que cura os doentes, a Esperança que conforta os desanimados, o Amor maior que todo o mal, a Vida que vence a morte. Ao contemplarmos este mistério como um coração agradecido somos inundados por uma alegria que não tem fim. O paraíso é uma promessa cumprida em Jesus nascido.

Deus Menino vem ao nosso encontro para nos revelar a beleza da Vida. O presépio é uma Palavra fundamental para a nossa existência marcada por tantas contradições e incompreensões. O nascimento do Messias no meio da pobreza de um estábulo mostra a fidelidade de Deus que nos quer muito para além das nossas fragilidades e misérias. Ele nunca nos abandona, conhece o nosso sentir, e sempre nos chama para si, porque nos amou desde o primeiro momento em que fomos formados no seio da nossa mãe. As nossas vidas precisam desta simplicidade divina, que no meio de tantas confusões vem até nós como criança no colo de sua Mãe.

O Natal fala-nos de Amor! O Menino, nos braços de Maria sob o olhar protector de José, é a mais bela parábola que podemos escutar. Se tivermos a ousadia de estar diante do presépio em silêncio, contemplando quem nos olha e ama, então certamente havemos de experimentar no nosso coração a gratidão por sermos tão amados. É importante deixarmo-nos envolver pela Graça de Deus, aceitarmos o maior presente que alguma vez podemos receber, e como os Pastores e os Magos aprendermos a adorar para que saibamos recomeçar. A nossa existência precisa desta boa notícia: o Céu está aberto para nós!

Muitas vezes vivemos enredados num vazio que nos oprime, num medo que nos rouba o horizonte, na incapacidade das nossas limitações e dos outros. O Natal interpela a nossa sede de mais, o nosso desejo profundo de sentido, a necessidade de podermos ir além do que as nossas forças permitem. Os problemas e dificuldades da nossa vida não vão desaparecer, muitos dos sofrimentos que padecemos irão continuar, as injustiças e as cadeias do mal ainda hão-de perdurar, mas a verdade é que não estamos sós e podemos encontrar a Paz se nos aproximarmos d’Aquele que agora nasce para nós.

Este ano estamos impedidos de realizar muitas coisas bonitas e importantes, nomeadamente, o de partilharmos a alegria do dom do Nascimento de Jesus com as nossas famílias alargadas e amigos com quem habitualmente nos reunimos à volta da mesa de Natal. O desafio é que nada não nos impeça de celebrarmos e vivermos a alegria de Maria e José na ternura do Menino em palhas deitado. Abramos as nossas vidas a Jesus, com Ele a nossa existência caminha para a plenitude para a qual fomos criados. A Graça vence todas as barreiras, porque a “Deus nada é impossível" e quando nos abandonamos à sua vontade em nós acontecem maravilhas.

As limitações que nos são impostas possam despertar a nossa criatividade, quem ama não desiste de se dar, de ir para além das suas limitações. O Natal interpela-nos à simplicidade, a sermos mais de Deus, porque Ele é todo para nós. Não fiquemos na tristeza e na amargura do que não podemos fazer. Aprendamos a sonhar mais alto, a desejar o céu para estarmos unidos a Jesus. Hoje, como há dois mil anos os Anjos continuam cantar: “Glória a Deus nas alturas, e Paz na terra aos homens de boa vontade" (Lc 2,14). Juntemos a nossas vozes a este coro celeste porque Jesus é o nosso Salvador. Deixemos que esta alegria se transforme em gratidão e nosso coração a mesma plenitude de Graça aconteça e possa transbordar para todos os que partilham a nossa vida. 

A Igreja está iluminada porque nela habita a Luz do Mundo que nasceu em Belém e a qual somos convidados a levar para nossas casas para que brilhe nas nossas vidas!

A todos desejo um Santo Natal repleto de alegria e gratidão, na contemplação do Amor de Deus em Jesus Menino.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1293 - 18 de Dezembro de 2020



Salve Nobre Padroeira!

A missão da Igreja é ser sal da terra e luz do mundo. (Mt 5, 13-14) Jesus chama-nos a participar da vida divina pelo dom que faz de si mesmo na cruz. O cristão é portador de um tesouro, de uma boa notícia, que transforma a vida e nos capacita no horizonte da eternidade para olharmos a existência com abrangência de um mistério que em cada dia se descobre e nos envolve sempre mais. 

A Igreja participa de todas as fragilidades dos homens e não lhes é indiferente: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração” (Gaudium et Spes 1).

A verdade é que todos temos o desejo da eternidade, de uma felicidade duradoira e estável, mas diariamente somos confrontados com a caducidade da nossa condição humana, e como os nossos limites nos colocam diante do drama da morte. O pecado é a expressão desta experiência trágica, porque como diz São Paulo muitas vezes “não é o bem que eu quero que faço, mas o mal que eu não quero, isso é que pratico” (Rm 7, 19).

A Virgem Maria foi preservada desde o momento da sua concepção desta sujeição ao pecado. O Povo de Deus, muito antes de Pio IX declarar como dogma de fé a sua Imaculada Conceição, aprendeu a reconhecer na Mãe de Deus as maiores graças divinas e a celebrá-las como promessa a cumprir em todos os filhos de Igreja.

“O mistério da Imaculada Conceição é fonte de luz interior, de esperança e de consolo”, assim nos recordava o Papa Bento XVI, e sobre a pureza de Maria, dizia que “Maria Imaculada ajuda-nos a redescobrir e defender a profundidade das pessoas, porque nela existe a transparência perfeita da alma no corpo. É a pureza em pessoa, no sentido que nela espírito, alma e corpo são plenamente coerentes entre si e com a vontade de Deus”. Agora com a alegria de ser seus filhos: “Cada vez que experimentamos a nossa fragilidade e a sugestão do mal, podemos dirigir-nos a Ela, e o nosso coração recebe luz e conforto”.

A Imaculada Conceição é Rainha e Padroeira de Portugal. No hino que o povo canta para celebrar os seus louvores esta verdade de fé é dita de forma simples e contundente: És a obra mais sublime / Que saiu das mãos de Deus. / Nem na terra nem nos céus, / Há criatura maior! Por ser cheia de Graça e porque sempre foi toda de Deus ela tem-nos a todos no coração e está atenta às nossas necessidades: A Tua glória é valer-nos, / Não tens maior alegria; / Ninguém chama por Maria, / Que não alcance favor. Hoje ela continua a ser a intercessora de todos os seus filhos que vivem as vicissitudes do tempo: Acorde-nos, Mãe piedosa, / Nestes dias desgraçados, / Em que vivemos lançados / No pranto, no dissabor.

O Advento é por excelência o tempo de Maria, na medida em que aprendemos a vivê-lo com ela e como ela o viveu. Durante estes dias olhemos mais fundo, interroguemos o nosso coração sobre os seus anseios, pensemos sobre a origem dos nossos medos, onde é que a vida deixou de fazer sentido. A verdade é que a nossa existência terrena está cheia de incógnitas e de projectos adiados, de obrigações e imposições civis difíceis de aceitar, precisamos de esperança, de quem nos fale com a sabedoria de um coração repleto de cuidado e ternura, e nos faça continuar a caminhar levantando os olhos para o Único que sempre é fiel.

A Imaculada experimentou imensas dificuldades, contrariedades inesperadas, lembremo-nos, por exemplo, que já quase no fim da gravidez teve de atravessar desertos e montanhas montada num burro para se ir recensear com José a Belém a fim de obedecer a um decreto do Imperador. Não estamos sós. Olhemos para Maria. Confiemo-nos a Maria. Ela está atenta, acolhe, ampara e protege. Nos seus braços e sobre o seu manto cabe o mundo inteiro segundo o testamento de Jesus na cruz: Eis o teu filho! (Jo 19, 26), que agora somos todos e cada um de nós que por ela aprendemos a viver o Amor de Deus.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1292 - 4 de Dezembro de 2020



O Senhor da história!

A oração do Pai Nosso ensina-nos a pedir a Deus ‘Venha a nós os vosso Reino’ porque é urgente que possamos viver a plenitude para a qual fomos criados. Ao comentar esta petição, o Papa Bento XVI afirma “que equivale a dizer a Jesus: Senhor, fazei que sejamos vossos, vivei em nós, reuni a humanidade dispersa e atribulada, para que em Vós tudo se submeta ao Pai da misericórdia e do amor”.

O Ano Litúrgico conclui-se com a Solenidade: Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. A Igreja ensina-nos qual é o fim da história e a quem pertence a Senhoria do Universo. Um antigo hino dos cristãos canta de forma belíssima esta verdade assumida por Cristo, “Ele é anterior a todas as coisas e por Ele tudo subsiste. Ele é a Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo. Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos: Em tudo Ele tem o primeiro lugar” (Col 1, 17-18).

O cristão olha para o fim para aprender a viver o presente totalmente abandonado a Cristo, seu Senhor, a Quem tudo pertence, o Único que pode dar sentido a todas as vicissitudes da nossa existência. Pedimos ao Senhor que o seu Reino venha às nossas vidas para que nós possamos reinar com Ele. O trono de Cristo é a cruz e o seu reinado está plenamente realizado no dom da sua vida.

A história, para quem tem fé, é onde Deus nos continua a falar. Nada é obra do acaso, e mesmo as provações do mal, que nos engana na nossa enorme tibieza e constante fraqueza, são necessárias para nos dar maturidade e purificar do que não interessa. As tribulações são um caminho de crescimento na capacidade de viver numa entrega de Amor e na ousadia da Esperança de quem sabe que não caminha sozinho.

Jesus antes de se entregar na cruz vive um combate, que é o nosso em tantas situações, “Pai se é possível afasta de mim este cálice…” porque a rejeição da injustiça do mal é algo natural em nós, contudo, o caminho não é fugir, nem negar a história “mas não se faça o que eu quero mas o que tu queres!”, porque o Amor pode sempre mais.

A expectativa da chegada das tão ansiadas vacinas, pode gerar uma esperança ilusória de segurança e de retorno imediato ao que era antes. Não sei se será possível, nem sei como vai acontecer, o que sei e acredito é que importante aprender e não ser insensatos e ingénuos. Nós não somos deuses, nem senhores da história, um vírus invisível ‘tirou-nos o chão’, descobrimos que a morte existe e todos estamos sujeitos a ela. Este saber pode dar-nos maior discernimento e sabedoria para construirmos o nosso futuro. Baden Powell, fundador do Escutismo, dizia aos seus rapazes: “Procurai deixar o mundo um pouco melhor de que o encontrastes!”. Se isto era importante para o seu crescimento harmonioso e equilibrado, também o é para a humanidade inteira.

A esperança cristã, não é um ‘empurrar para a frente’, um ‘adiar para depois’, mas radica em Jesus e no viver o dom do seu Espírito. Num mundo onde prima a cultura de morte e o crescimento de uma sociedade hedonista, a festividade anual de Cristo Rei anima uma doce esperança nos corações humanos, já que nos impulsiona a olharmos para o Único que nos ama de forma perfeita e nos salva, porque jamais nos abandona. Ele é fiel.

Estamos cansados de pandemia, já não suportamos ouvir falar em vírus, vivemos no medo de que tudo possa ser ainda pior, oprime-nos a incerteza de um amanhã de bonança que nunca chega, magoa-nos o estarmos impedidos de abraçar quem amamos, mas a verdade é que este tempo tem sentido. O Senhor da história está a falar-nos: “Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu”.

A esperança cristã muda o coração. Nós existimos para amar. A existência só é plena quando se faz dela um dom para os outros. Jesus continua a dizer-nos “Há mais alegria em dar do que em receber!”, porque a não há maior tesouro do que aquele que se acumula no coração e nos projecta para a eternidade. Cristo Rei convida-nos a olhar para Ele, a ser totalmente d’Ele para que o seu Amor vença em nós.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1291 - 20 de Novembro de 2020



Um compromisso com história!

O Jornal ALVORADA faz sessenta anos! Nesta edição iremos encontrar alguns testemunhos de pessoas que fazem parte da sua história, e que falam de outras que lhes estão profundamente ligadas como o Pe. António Escudeiro, seu fundador, a Verónica e o “seu” Augusto, que lhe dedicaram gratuitamente a sua vida, entre muitos outros que contribuíram para que este seja sempre o jornal da nossa terra.

O Concílio Vaticano II a 4 de Dezembro de 1966 aprova o Decreto Inter Mirifica sobre os Meios de Comunicação Social em que afirma, no nº14, os princípios da Imprensa de Inspiração Cristã: “Há que fomentar, antes de mais, a boa imprensa. Porém, para imbuir plenamente de espírito cristão os leitores, deve criar-se e difundir-se uma imprensa genuinamente católica que - sob o estímulo e a dependência directa quer da autoridade eclesiástica quer de homens católicos - editada com a intenção de formar, afirmar e promover uma opinião pública em consonância com o direito natural e com a doutrina e princípios católicos, ao mesmo tempo que divulga e desenvolve adequadamente os acontecimentos relacionados com a vida da Igreja. Devem advertir-se os fiéis da necessidade de ler e difundir a imprensa católica para conseguir um critério cristão sobre todos os acontecimentos.”

Ao longo destas seis décadas este Jornal, de matriz católica, ganhou uma relevância significativa na vida dos lourinhanenses que aqui vivem e de imensos que, estando longe em tantas partes do mundo, continuam, também por este meio, próximos dos seus e da sua terra. Hoje a sua identidade continua a ser a de estar ao “serviço da comunidade”, adaptando-se aos novos tempos, mas sem perder a inspiração original de ser um instrumento de comunicação que ajude a todos. Comunicar é possibilitar a comunhão, é caminho de proximidade e a melhor forma para crescermos uns com os outros.

A Igreja tem como missão comunicar uma Boa Notícia. O mandato de Jesus é claro: “Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado.” (Mt 28, 19-20) O Evangelho é a melhor notícia que podemos escutar. É a Palavra da verdade “inspirada por Deus e adequada para ensinar, refutar, corrigir e educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e esteja preparado para toda a obra boa.” (2 Tm 3, 16-17)

Um jornal de inspiração cristã serve para cumprir esta missão, porque, mais do que dar notícias, faz pontes, promove interacção de pessoas e possibilita a todos um espaço de encontro. Informar para formar e edificar a comunidade! O nosso mundo precisa de verdade, é necessário que aprendamos os valores que nos fazem crescer como pessoas. Impressiona-me como temos tanta informação, e ao mesmo tempo estejamos cada vez mais isolados. A ditadura do relativismo, denunciada pelo Papa Bento XVI, é uma das maiores tragédias dos nossos dias.

É urgente despertar de uma letargia que nos incapacita para um compromisso sério com a realidade que nos é dada a viver. A Europa negou as suas raízes cristãs, vivemos num clima de apostasia prática, que conduz a uma perda de identidade e a uma perseguição visível a quem confessa a fé cristã. Nestas últimas semanas, vários cristãos foram alvos de atentados em França, a filha predilecta da Igreja. Portugal, Terra de Santa Maria, prepara-se para aprovar a Lei da Eutanásia, quando vivemos a maior crise do nosso sistema de saúde. No meio de uma pandemia cada vez mais assustadora, entretidos com as eleições presidenciais nos EUA, distraídos com os protagonistas habituais da vida social, parece que nada disto importa. Quem perde a capacidade de olhar o horizonte, perde-se na mesquinhez de uma existência fútil.

O discernimento dos acontecimentos e da história é uma tarefa que nos compete a todos. Importa ser inteligente, pensar a vida e as decisões a tomar, defender-se dos “influencers” e dos “opinion makers” que mascaram a mentira e apenas servem os seus próprios interesses.

Estejamos atentos à realidade! Despertemos as consciências! Aprendamos a viver comprometidos! Como sempre este Jornal procurará fazer a sua parte!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1290 - 6 de Novembro de 2020