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Um Espírito novo!

 

Ao longo da nossa existência somos confrontados com diversas situações em que parece que o mal triunfou, roubando, às vezes, até a capacidade de continuar a fazer da nossa vida e a da dos outros um lugar melhor. Jesus diz no Evangelho: “Não resistais ao mal!” (Mt 5, 39). O que é que isso significa? Acredito que antes de mais significa que responder ao mal com mal só faz este crescer.  

É verdade que no momento do ataque do mal a reacção mais imediata é a revolta, e porventura, a ira porque a nossa natureza leva a isso. Não se trata de algo que se mude por decreto e de forma automática, é necessário aprender a buscar o Espírito de Amor que nos capacita para não nos deixarmos vencer pela perversidade nefasta de quem nos quer destruir.

Além disso é importante que saibamos buscar a ajuda em quem confiamos e encontrarmos as estruturas que não nos deixam sós diante deste combate que acontece no quotidiano da nossa existência. A família, os amigos, a comunidade de referência são relações que devemos cuidar e com quem somos chamados a partilhar as agruras e amarguras da nossa vida.

À nossa volta existem muitas situações dramáticas de injustiças pessoais e comunitárias, de faltas de respeito pelo outro das mais diferentes formas, de sofrimentos sem sentido resultantes de opções sem qualquer discernimento, de relações arruinadas por invejas e interesses mesquinhos, de pessoas destruídas e escravas de ressentimentos e ódios, e tantas outras manifestações de mal. Importa acreditar no poder do bem, certamente não podemos resolver os problemas do mundo, mas podemos optar por ser diferentes e, no nosso dia-a-dia, querer que seja sempre o Amor a vencer mesmo quando o mal nos ataca com violência.

A nossa forma de ser muito primitiva enfatiza sempre mais o que é mal, a maior parte das vezes uma pequena dor ou indisposição transtorna-nos por completo, as notícias sobre desgraças, violências e quaisquer tipos de escândalos ou maledicência são produtos muito mais atrativos e consumidos até à exaustão. O entretenimento baseado em violência é sempre o mais lucrativo, o resultado é que não aprendemos a ser pessoas de bem enquanto nos vamos deixando adormecer pela insídia venosa do mal.

A consciência da debilidade é o caminho para poder recomeçar. Na Sagrada Escritura há uma passagem livro do profeta Ezequiel que me faz acreditar que baixar os braços não é opção. O Povo Eleito longe da sua terra no exílio depois de ter-se esquecido de Deus e feito alianças perigosíssimas com quem lhe queria fazer mal, escuta uma palavra verdadeiramente impressionante da parte de Deus que lhe faz uma promessa, que hoje é para nós: “Derramarei sobre vós uma água pura e sereis purificados; Eu vos purificarei de todas as manchas e de todos os pecados. Dar-vos-ei um coração novo e introduzirei em vós um espírito novo: arrancarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne. Dentro de vós porei o meu espírito, fazendo com que sigais as minhas leis e obedeçais e pratiqueis os meus preceitos. (…) sereis o meu povo e Eu serei o vosso Deus. Libertar-vos-ei de todas as manchas; …. Então, vos lembrareis da vossa má conduta e das vossas obras, que não eram boas; sentireis repugnância por causa das vossas iniquidades e dos vossos pecados.  (…) Assim fala o Senhor DEUS: No dia em que vos purificar de todas as vossas iniquidades, repovoarei as cidades e as ruínas serão reedificadas. (…) Então, reconhecerão os povos, que estão à vossa volta, que Eu, o SENHOR, reconstruí o que estava em ruína e plantei o que estava devastado. Eu, o SENHOR, o disse e o farei.

Levantar os braços para o alto, buscar o perdão do mal que se fez, desejar o bem a quem nos magoou e foi injusto para connosco, são os remédios do céu. Não se trata de panaceias nem utopias de bem, mas um caminho de verdade e Amor, o único que nos faz felizes. Pela minha parte este é caminho que quero percorrer e o combate que procuro travar todos os dias. Não é fácil, mas sei que vale a pena!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1330 - 2 de Setembro de 2022



Em contagem decrescente!

As Jornadas Mundiais da Juventude de Lisboa acontecem dentro de um ano, de 1 a 6 de Agosto de 2023. Em todas as dioceses de Portugal e de muitos países de língua oficial portuguesa a preparação é cada vez mais intensa. Depois de uma pandemia que adiou a sua realização, prevista para 2022, num contexto de guerra que não se sabe quando vai acabar, e apesar de toda a instabilidade económica, a expectativa para viver este encontro único pelo seu espírito e dimensão é cada vez maior.

Mais do que um acontecimento as Jornadas são sempre uma oportunidade. O Concílio Vaticano II afirmou que os jovens são os primeiros e os imediatos apóstolos da juventude. Hoje afirma-se que eles são os protagonistas da Nova Evangelização. O Papa Francisco na continuidade com São João Paulo II e de Bento XVI exorta continuamente os jovens a não se instalarem e acomodarem na mediocridade de uma existência sem sentido e a sonharem, a partir do Evangelho, a construção de um mundo novo. O Senhor Patriarca referiu que este foi um pedido expresso do Papa para a JMJ 2023: “Quero evangelização, não quero conferências. Isso já eles têm de mais!”.

O lema da Jornada ‘Maria levantou-se e partiu apressadamente!’ afirma esta urgência do ir mais longe, de atender aos dinamismos do Espírito e como Maria ir ao encontro de todos, especialmente dos mais frágeis e desfavorecidos. A escuta da Palavra de Deus faz-se sempre num diálogo de Amor que nos ensina a vencer a indiferença, o egoísmo dos nossos interesses, e a acreditar que a verdadeira felicidade está em nos podermos dar aos outros.

O mundo em que vivemos é extremamente desafiante, muitos constroem as suas vidas sobre mentiras e ilusões de felicidade, carregando fardos de sofrimento e angústia para os quais não tem solução. Por isso, é fundamental que possamos levar aos outros o tesouro que em Jesus recebemos, cumprindo o mandato evangélico: “Dai de graça o que de graça recebeste” (Mt 10, 8).

A vida em Cristo é sempre uma aventura, um caminho para a eternidade, onde no hoje de cada dia se aprende a buscar o sentido e a viver comprometidos com o ser mais, dando mais de si. Jesus mostra o caminho, que é ele mesmo (Cfr Jo 14, 6), e sustenta-nos com a sua força “Não vos deixarei órfãos; Eu voltarei a vós!” (Jo 14, 18). Sempre me impressiona que tantos vivam para tão pouco, numa alienação de prazeres que não satisfazem e que criam cada vez vazios maiores. A sedução pelo que é efémero e passageiro escraviza e incapacita. Jesus que nos conhece e jamais abandona diz aos seus discípulos e hoje a cada um de nós: “Anunciei-vos estas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo, tereis tribulações; mas, tende confiança: Eu já venci o mundo!” (Jo 16, 33).

O encontro de jovens de todas as partes do mundo, a maioria dos quais acredita no Deus que nos revelou Jesus Cristo (embora todos tenham lugar e ninguém seja excluído), é uma ocasião de renovação, de nos deixarmos conduzir por quem nos ama e jamais nos engana com o que não vale nada. É uma oportunidade para que a juventude revele os seus anseios e aspirações mais profundos de uma existência que não se consome na mesquinhez. É uma interpelação á criatividade de quem quer sempre mais a partir do Evangelho de Jesus e sonha um mundo novo. É uma inspiração a viver no compromisso sério pelo bem comum, onde o pouco de muitos se pode tornar muito para todos.

A preparação logística para as Jornadas é de uma dimensão enorme e implicará uma mobilização e cooperação sem precedentes em Portugal. Contudo, acredito que esta ainda será a mais fácil de fazer, porque nós somos um povo que sabe acolher e com mais ou menos dificuldade sabemos organizar grandes eventos, apesar de este não ter comparação com qualquer outro até aqui realizado no nosso país (estamos a falar em mais de um milhão de jovens com sérias probabilidades de se aproximar dos dois milhões). A preparação mais exigente e, porventura, a mais necessária é a que a cada um, independentemente da sua idade, deverá fazer no sentido de se deixar tocar por esta Primavera do Espírito e acreditar que vale mesmo a pena mudar e, para isso, levantar-se e partir!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1329 - 5 de Agosto de 2022



Férias com consciência

O tempo das férias é uma oportunidade para parar e olhar a vida. O descanso não sucede de forma mágica e automática. É importante que libertos da azáfama do quotidiano da nossa existência preenchida com tantos afazeres e actividades, saibamos descansar na busca da unidade interior que muitas vezes se perde no meio das tantas coisas em que estamos envolvidos e nos ocupam por inteiro.

Uma prática diária que pode ser muito útil fazer de forma mais demorada é o exame de consciência. Habitualmente trata-se de um exercício pessoal de oração cristã, de se colocar diante do Amor de Deus para se deixar iluminar por Ele e fazer da conversão uma prática do quotidiano da existência. Acredito que mesmo para quem não vive a fé pode ser muito benéfico realizá-lo com frequência e aproveitar o tempo de férias para praticar, mesmo sem a referência explícita a Deus. Deixo aqui algumas pistas para quem quiser procurar uma reconciliação interior e a capacidade de vencer a inércia das rotinas vazias e desprovidas de sentido em que tantas vezes nos encontramos.

Para o poder realizar é necessário buscar um espaço de tranquilidade que permita gastar tempo a pensar a vida e olhar a sua história. Buscar o eu interior mais profundo, não ter medo de ir além da superficialidade do sentir.

A primeira atitude é aprender a ser grato. Procurar ter um olhar positivo sobre si mesmo, sobre a realidade em que se está, sobre as pessoas com quem se partilha o quotidiano da existência. Pensar do que é que se está verdadeiramente agradecido: acontecimentos, experiências, pessoas... O tomar consciência de quanto bom se tem conduz à gratidão e a um coração mais apto para amar.

O segundo passo implica a capacidade de reconhecer as suas debilidades e como se lida com as fraquezas dos outros. A humildade diante dos erros cometidos, das más opções, do que se disse ou do que ficou por dizer, das omissões de bem, permite acreditar que vale a pena começar de novo e dispor-se a fazer as mudanças necessárias para viver melhor. Não é algo de automático, mas implica a vontade de querer trilhar novos caminhos.

Dispor-se ao perdão é então absolutamente necessário. Perdoar-se a si mesmo, perdoar a quem lhe fez mal e desejar poder pedir perdão a quem não se soube amar. A maior grandeza que se pode experimentar é a do amor que vence o mal e não se deixa aprisionar pelos ressentimentos, tristezas, culpas e todas as outras atitudes que nos roubam a alegria de viver.  

A consciência do bem praticado que se deve agradecer, e do mal em que se caiu que exige reconciliação, dará o discernimento necessário para tomar as decisões sobre o que importa manter e aquilo que se deve abandonar. Permite ainda que possa reflectir sobre as ajudas a que importa recorrer, porque a vida é uma aventura que não se faz sozinho.

O último passo é pensar sempre no propósito para o dia da manhã. Os mestres espirituais ensinam que os propósitos devem seguir a regra dos ‘p’: o pouco, o prático e o possível. A simplicidade é sempre o melhor caminho para se chegar longe, porque quem se carrega com muitos pesos acaba por ficar cansado muito depressa.

O Pe. Joaquim da Conceição Duarte, grande amigo e mestre, meu director espiritual no Seminário de Almada e com quem trabalhei nos primeiros anos de padre, dizia aos seminaristas que as férias eram um tempo formativo indispensável e muito necessário. O estar livre dos afazeres habituais implicava que se soubesse ser criativo no aproveitar bem o tempo e não cair no laxismo tão propenso aos vícios que consomem a vida.  

É importante pensar a vida. Recuperar o ânimo, organizar as prioridades, redefinir os objectivos essenciais e cuidar do que é mais precioso. Espero que todos consigam ter algum tempo de férias, ou pelo menos encontrem formas de descanso que permitam recuperar as forças e alegria de viver. Além de ser um direito é um dever de humanidade.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1328 - 15 de Julho de 2022



Um povo de santos

Este é o mês dos santos populares. O povo aproveita a celebração religiosa para fazer festas e arraiais que geram contentamento humano porque permitem que as pessoas se encontrem e confraternizem. Para uma grande maioria a invocação dos santos não corresponde a um desejo de seguir o seu exemplo, e viver como este a vida de Cristo em plenitude, contudo, é importante não desistir de ajudar a que o santo não seja apenas um pretexto para fazer uma festa.

A vida dos santos é uma interpelação e um estímulo a uma existência voltada para Deus, seguindo o exemplo de Cristo numa abertura permanente à graça santificante do Espírito. É o Senhor que santifica! A obra é sempre d’Ele! Conhecer a história dos santos ajuda a que se reconheça que a santidade acontece no concreto da vida e no quotidiano de uma existência em que Deus é o centro. Amar a Deus sobre todas as coisas para saber amar a todos e cuidar da criação.

Fernando Martins de Bulhões, baptizado na Sé de Lisboa no final do século XII, é um destes exemplos impressionantes onde uma vida de oração, de meditação profunda e permanente das Escrituras Sagradas e do tesouro da sabedoria dos padres da Igreja vai-se tornar pela obediência aos desígnios do Altíssimo uma luz de Graça para multidões até aos nossos dias. O fascínio da sua santidade e autoridade moral; a extensão e profundidade da sua cultura, acompanhada por um invulgar poder de comunicação, segundo as regras da retórica do seu tempo; a sua magnífica figura física fazem dele alguém que vale muito a pena conhecer. Em Portugal é conhecido por Santo António de Lisboa e celebramos o seu nascimento para o Céu no dia 13 de Junho (do ano 1231), quando deixou esta terra dizendo para quem estava junto de si: “Vejo o meu Senhor!”. Mais do que o santo das coisas perdidas ele é o cuidador das almas que estão em perigo de perdição, ou, o casamenteiro de quem está em desespero por arranjar um bom partido, ele ensina os caminhos do amor autêntico aprendido com Jesus, porque nele a santidade é caminho para todos.

A 24 de Junho a Igreja celebra o Nascimento de São João Batista, que já no seio materno, por virtude do Espírito Santo, exultou de alegria com a vinda da salvação humana, profetizando, com o próprio nascimento, o Senhor Jesus Cristo. De tal modo se manifestou nele a graça divina, que o próprio Senhor disse a seu respeito: “Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista” (Lc 7, 28). É o único santo, além da Mãe do Senhor, do qual se celebra não só o nascimento para o Céu, mas também o nascimento segundo a carne. Ele é o maior dos profetas de Israel, porque reconheceu e mostrou o Messias, em toda a sua vida permanecerá fiel à sua missão de porta-voz de Deus e a sua morte será um testemunho admirável de fidelidade à verdade. Poderia ser tentado a tomar-se por Messias, mas João sabia qual era a sua missão, nada reivindicou para si, e escolheu viver numa total humildade, como amigo do Esposo. Tornou-se um exemplo na nossa caminhada de seguimento de Jesus, para que deixemos, nós também, Jesus crescer em nós. Que esta seja também a nossa alegria.

O final do mês, dia 29, é marcado celebração conjunta dos apóstolos Pedro e Paulo. Simão foi o primeiro entre os discípulos a confessar que Jesus era Cristo, Filho de Deus vivo, por quem foi chamado Pedro. Paulo, o apóstolo dos gentios, pregou Cristo crucificado aos judeus e aos gregos. Ambos, na fé e no amor de Jesus Cristo, anunciaram o Evangelho na cidade de Roma e morreram mártires no tempo do imperador Nero. Pedro, segundo a tradição, foi crucificado de cabeça para baixo e sepultado no Vaticano, junto à Via Triunfal; Paulo morreu ao fio da espada e foi sepultado junto à Via Ostiense. O triunfo dos dois apóstolos é celebrado neste dia (embora o povo só fale de S. Pedro), com igual honra e veneração, em todo o orbe da terra. O Novo Testamento relata-nos diversas divergências entre si, mas, neles sempre triunfou a fidelidade a Cristo e à Igreja. Aí está o processo de santidade, em abrir mão de suas próprias visões e teorias, para acolher a verdade anunciada pelo Espírito Santo através do testemunho e da palavra inspirada, dita pelo outro. Apesar das suas debilidades foram homens espirituais que, com a graça de Deus, superaram os próprios limites e se tornaram, para sempre, luzeiros da fé!

São pequenos apontamentos de vidas plenas porque cheias de Deus. Assim poderão ser as nossas se não ficarmos apenas pela exterioridade do prazer do momento.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1327 - 17 de Junho de 2022



EMRC

A lei portuguesa prevê a oferta obrigatória da disciplina curricular de Educação Moral e Religiosa Católica do Ensino Básico ao Secundário e também nos cursos profissionais. A Concordata assinada em 2004 entre Portugal e a Santa Sé consagra a existência da disciplina de EMRC, sendo os professores propostos pelos bispos, nomeados pelo Estado e pagos pela tutela; é uma componente do currículo nacional, de oferta obrigatória por parte dos estabelecimentos de ensino e de frequência facultativa.

Ao longo da história a Igreja sempre esteve comprometida em oferecer à sociedade os frutos da vivência evangélica. Podemos afirmar que a moral cristã resulta de uma adesão pessoal a Cristo que transforma a vida e a forma como nos relacionamos com os outros. O mandamento: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei” (Jo 15,12), repercute-se no todo da existência. A visão cristã da vida é válida para todos, mesmo para aqueles que não vivem a mesma fé. A maioria dos seus valores são universais e necessários para a construção de uma sociedade justa e solidária.

A EMRC é um ensino que promove a formação integral dos alunos a partir da visão cristã da pessoa humana e do mundo, e não se deve confundir nem substituir com a formação catequética que a Igreja tem a missão de proporcionar para ajudar os pais na educação cristã dos seus filhos.

Os objectivos de aprendizagem na disciplina de EMRC são abrangentes e procuram atender a três grandes domínios: religião e experiência religiosa, proporcionando a reflexão sobre a dimensão religiosa da pessoa assim como as diferentes formas de expressão religiosa na sociedade, no mundo e na história; cultura cristã e visão cristã da vida, onde se se dá a conhecer o cristianismo e o catolicismo, em particular, na sua história, nos seus elementos doutrinais, nos seus fundamentos bíblico-teológicos, nas suas expressões de fé, na sua eclesialidade, no seu diálogo com a cultura e com o mundo contemporâneo; e a ética e moral, que procura capacitar os alunos para um agir livre e responsável no mundo em que vivem, com base em critérios ético-morais fundados no Evangelho de Cristo mas com alcance universal.

Alguns podem querer negar as raízes cristãs da Europa, como tantas vezes advertiu o Papa Bento, mas a verdade é que a implementação dos valores fundamentais na civilização ocidental tem na história uma indelével marca cristã. É da mais elementar justiça reconhecê-lo e sem colocar em causa a laicidade do estado garantir que quem faz bem à sociedade possa continuar a fazê-lo para bem de todos. O que está em causa não é a imposição ideológica de uma determinada visão do homem e do mundo, como outras ofertas feitas a nível escolar, mas o contribuir para um crescimento equilibrado que garanta a consciência dos direitos e deveres básicos do viver em sociedade.

Os pais têm uma missão difícil e exigente no garantir que os seus filhos não se percam no meio da confusão de ofertas alienantes de vida fácil que só provocam vazio e solidão, por isso, e sobretudo para os que professam a fé cristã, a disciplina de EMRC deve ser uma prioridade. É claro que por si só esta não resolverá todas as dúvidas e angústias que as gerações mais novas atravessam, mas poderá ser uma preciosa ajuda para os levar a reflectir e em conjunto com outros encontrarem as respostas que sirvam o bem de todos.

Termino com as palavras do Papa Francisco aos professores desta disciplina que sintetiza bem a sua razão de ser. “O educador sabe educar as três linguagens da pessoa: a linguagem da mente, a linguagem do coração e a linguagem das mãos. Harmoniza tudo, ensinar a pensar, ensinar a sentir, ensinar a agir, a fazer. O objectivo do acto educativo é gerar uma tal harmonia que os alunos cheguem a pensar o que sintam e o que fazem; sintam o que pensam e o que fazem; façam o que sintam e o que pensam”.

Não deixemos os nossos filhos perderem esta oportunidade e, apesar das dificuldades e obstáculos que possamos encontrar, façamos tudo o que estiver ao nosso alcance para que a EMRC seja uma realidade nas escolas da nossa terra.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1326 - 3 de Junho de 2022