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Acompanhar e cuidar!

No dia 11 de Março depois de celebrar a Eucaristia, centro e cume da vida do cristão, recebi duas boas notícias: o recomeço das celebrações da Eucaristia com a presença física dos fiéis, e o provável (confirmado no dia 15) chumbo do Tribunal Constitucional da lei da eutanásia que tinha sido aprovada no parlamento no dia 29 de Janeiro de 2021.

A verdade é que os sacramentos são sinais eficazes da Graça de Deus, através dos quais o Senhor vai conduzindo-nos na nossa peregrinação neste mundo até ao encontro definitivo com Ele na eternidade. A maravilha de poder celebrar a Eucaristia com os irmãos na fé é, de facto, um dom inestimável, e estes dois meses, na sequência dos outros três vividos em 2020, tornaram ainda mais evidente como o estar com os outros é tão importante. É comum encontrar pessoas que dizem gostar de ir à Igreja quando não está lá ninguém, talvez ainda não tenham verdadeiramente experimentado a alegria de poder viver em comunhão com quem partilha a mesma fé. Acho muito importante o sentir esta falta porque a verdade é que precisamos muito uns dos outros. Igreja significa “povo chamado”, “povo convocado” e é na experiência da comunhão que essa voz de Deus ressoa e transforma a nossa vida.

O grande desafio é não viver de costas voltadas como se fosse possível ser feliz sem partilhar os dons recebidos, de dar mais importância aos ressentimentos e ofensas que ao Amor de Deus que actua em nós pelo Espírito, de cultivar um individualismo religioso que gera a indiferença às dores e angústias dos outros. Neste momento concreto somos convidados a ter uma atitude ainda de maior responsabilidade e cuidado no cumprimento de todas as regras e normas de higiene e segurança. O desafio é estarmos sempre disponíveis para nos ajudarmos e cuidarmos para que todos sejamos obedientes para que os nossos actos não tenham consequências que nos afectam a todos. É importante não esquecer a gravidade da situação vivida há poucas semanas, e como a pandemia está muito longe de ser ultrapassada como demonstram as recentes vagas em diversos países da Europa, apesar das campanhas de vacinação e outros meios de protecção.  

O pronunciamento favorável do Tribunal Constitucional em relação às dúvidas levantadas pelo Senhor Presidente da República é a prova de que esta lei aprovada pela maioria dos deputados é um erro gravíssimo com consequências terríveis, e está fundada num subjectivismo medíocre de alguns que querem a todo o custo implementar uma cultura de morte. Espero que os nossos representantes não voltem a querer legislar sobre uma matéria fundamental, e usem antes de todos os meios que estiverem ao seu alcance para cuidarem da vida e garantirem que todas as pessoas têm acesso aos melhores cuidados de saúde possíveis, nomeadamente, no que diz respeito aos cuidados paliativos. Quem está a sofrer precisa de quem esteja a seu lado disponível para acompanhar e cuidar.

A cultura da morte é um terrível retrocesso civilizacional. A nossa Constituição declara que a vida é inviolável (artigo 24) e isso significa que devemos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para protegermos a vida. Propor a morte para quem está em situações dramáticas de sofrimento é dizer de forma atroz que só vale a pena viver quando somos fortes e capazes de enfrentar sozinhos as contingências da existência. A doença, as situações limite de dor, são um desafio a nos superarmos como pessoas, a crescermos em humanidade porque não desistimos de ninguém. Acompanhar quem está doente com uma doença terminal é uma experiência impressionante de superação dos nossos próprios limites. A verdade é que nesses momentos descobrimos em nós, e também em quem está a sofrer, capacidades de relação e disponibilidade para amar, que jamais julgávamos possuir.

Acredito que é possível crescermos em humanidade. Acredito que as provações pelos quais todos estamos a passar nos hão-de ajudar a desenvolver capacidades e atitudes de maior cuidado e de responsabilidade social. Acredito que é possível superar a visão medíocre da vida na mesquinhez do cada um por si e aprendermos a valorizar o quanto podemos fazer para ajudar os que precisam de nós. O desafio é tremendo mas é possível superar se estivermos verdadeiramente comprometidos com o bem de todos. Importa não desistir!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1299 - 19 de Março de 2021