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Pôr a conversa em dia!

Os pais ao cuidarem dos filhos procuram garantir-lhes a melhor educação possível de modo a terem os instrumentos necessários para enfrentarem os desafios constantes da existência e preparados para todas as surpresas do futuro. A família é um espaço de aprendizagem fundamental. As mais belas memórias fazemos com aqueles que nos amam e nos ensinam a amar.

A grande herança que os pais podem deixar aos filhos não são contas bancárias recheadas ou quaisquer outros bens materiais, mas são os valores e as experiências que os tornem pessoas capazes de honrarem com a vida o bem que lhes foi transmitido. A vida desbaratada numa existência fútil de procura de prazeres ou de interesses egoístas é uma tragédia que devemos acautelar quando cuidamos dos que nos foram confiados.

Cuidar dos espaços de encontro e de partilha da família é muito importante. Entristece-me que muitas famílias já nem se sentem juntos à mesa para tomar as refeições. O ritmo muito acelerado da nossa existência, os horários desfasados, a pouca disponibilidade para corrigir as impertinências normais dos mais novos, a dependência cega dos telemóveis e outros ‘gadgets’ tecnológicos, fazem que muitas vezes numa mesma casa cada um acabe por comer isoladamente diante de um qualquer écran e sem referência ao outro.

O respeito por regras e por hábitos de convívio é fundamental para um crescimento saudável, para que nos conheçamos e possamos partilhar as pequenas e grandes coisas da vida. Falamos pouco, não gastamos tempo uns com os outros, e facilmente passamos a ser estranhos a viver debaixo do mesmo tecto. É verdade que não é fácil, muitas vezes o outro contraria-nos, temos dificuldade em nos entender, mas crescer é fazer juntos o caminho para superar as diferenças e aprender a suportar-nos nas fragilidades de cada um.

Ouvimos dizer que os grandes negócios fazem-se à mesa em redor de uma bela refeição, ora não existe nada mais importante para tratar do que crescermos como família. O Evangelho refere que umas das actividades mais constantes de Jesus era sentar-se à mesa com quem o convidava a partilhar da sua intimidade, e nesse contexto anuncia a Boa Nova do Amor de Deus com palavras e com gestos que ficaram na memória dos convivas dessa refeição. O seu último momento com os discípulos acontece na Ceia da Páscoa e aí dá-lhes a síntese de toda a sua vida. A Eucaristia é de verdade uma refeição com duas mesas: a da Palavra e a Corpo e Sangue de Jesus.

Quantas mães não anseiam pela visita dos filhos à casa onde cresceram e como esse momento é sempre ocasião para preparar uma refeição melhorada. É à mesa que contam as novidades e de forma simples e espontânea partilham da alegria de serem uma família. Infelizmente parece que também isto se torna raro. Talvez seja providencial, embora com custos tremendos para quem vive dos espectáculos e da organização de festas, que uma das coisas que nos é permitido fazer neste tempo de pandemia é sentarmo-nos à mesa com os nossos familiares mais próximos. Parece-me totalmente insensato que não aproveitemos para pôr as conversas em dia.

Aprendamos a disfrutar da vida uns dos outros cultivando a alegria de partilhar a presença, de nos ouvirmos, de gastarmos tempo juntos, porventura até com algum jogo que nos ajude a entrar em diálogo ou simplesmente a rir pelo bom que é sermos família. Não sabemos quanto tempo temos de vida mas aquele que nos é dado devemos cuidar e valorizar!

Termino com uma interpelação do Papa Francisco: “Quero sublinhar o quão importante é para as famílias perguntarem-se muitas vezes se vivem baseadas no amor, para o amor e em amor. Na prática, isso significa dar-se, perdoar, não perder a paciência, antecipar o outro, respeitando. Quanto melhor seria a vida familiar se todos os dias vivêssemos de acordo com as palavras "por favor", "obrigado" e "desculpa". Todos os dias experimentamos a fragilidade e a fraqueza e, portanto, todos nós, famílias e pastores, precisamos de renovada humildade que cria o desejo de nos formarmos, educarmos e sermos educados, ajudarmos e sermos ajudados, acompanharmos, discernirmos e integrarmos todos os homens de boa vontade”.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1285 - 7 de Agosto de 2020