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Votos para um novo ano!

Bom Ano!”. É a expressão que mais ouvimos e repetimos nestes dias. É uma saudação amigável e própria de quem deseja bem para os outros com quem se cruza e partilha a experiência do tempo neste mundo. O conteúdo está no sentido que cada um lhe dá e naquilo que aspira e entende como de bom para si e para os outros, e alguns quando a pronunciam ainda acrescentam: “com saúde que é o mais importante!”.

Reconheço a importância de desejarmos o bem, mas acredito que é mais necessário e urgente aprendermos a fazer o bem aos outros, porque o mais importante é sempre o amor. O novo ano é sempre uma oportunidade! Primeiro de pensarmos como vivemos o último? As escolhas que fizemos, as relações que construimos, os caminhos que percorremos, o que é importante manter e aquilo que há-de mudar. Depois de pensarmos como queremos viver o que agora se inicia? É nesse sentido que faço os meus votos para este novo ano que nestas linhas deixo de forma simples, porque acredito que esta partilha possa ajudar a alguns.  

A nível pessoal desejo que aprendamos a dar mais tempo às pessoas que amamos e termos a sabedoria de viver, reconhecendo que os outros precisam muito mais do nosso tempo e da nossa atenção do que do dinheiro que lhes possamos dar e do conforto material que lhes possamos proporcionar. Impressiona-me a facilidade estúpida que nos faz estar muito mais tempo à frente de máquinas (telemóveis, computadores, consolas de jogos, etc) do que diante das pessoas fundamentais na nossa vida. A escravidão dos ídolos deste mundo conduz a uma terrível alienação do que verdadeiramente nos faz ser pessoas.   

O novo ano é também uma oportunidade de nos exercitarmos na capacidade de praticarmos o acolhimento dos outros com quem nos cruzamos diariamente. Ir mais além de um superficial “Olá! Tudo bem!”, mas estarmos atentos às necessidades dos outros. Vivemos com tantas pessoas e conhecemos tão poucas! Muitas vezes reparo que até nos bancos das Igrejas se sentam estranhos e não irmãos. É um contra senso que não tem nada a ver com o Evangelho e com a graça do Espírito que actua em quem acredita num Deus que é uma comunhão de Amor.

A Igreja é chamada a ser fiel à sua vocação original. Cristo identificou a sua missão: sal da terra e luz do mundo (Mt 5, 13-14). O tempo que vivemos chama-nos a uma autenticidade evangélica que como o fermento na massa transforme o mundo. A era da cristandade já não existe, as bases da fé estão fragilizadas por um subjectivismo e relativismo pernicioso que como um cancro corrói a identidade cristã. É urgente a clareza no anúncio da Boa Nova de Jesus, e muito mais que querer convencer os outros para sermos mais numerosos, não termos medo de testemunhar a radicalidade de uma existência pautada pela Verdade anunciada por Ele e experimentada na vida quotidiana em todas as suas dimensões.

O mundo precisa de saber rejeitar as mentiras do demónio, que alastram em formas de ideologias progressistas, mas que são instrumentos de condenação da própria humanidade. O valor da pessoa não é defendido por qualquer manifestação da ideologia de género, mas quando nos aprendemos a respeitar nas nossas diferenças que são simultaneamente uma riqueza para todos. Ninguém é feliz quando atenta contra a defesa da vida deste o momento da concepção, passando pela fase da debilidade da doença até ao seu ocaso. As leis do aborto, da eutanásia, do suicídio assistido, são características tristes de uma cultura decadente e de uma humanidade que perdeu a capacidade de amar.

Uma máxima da vida espiritual diz que todos os compromissos devem seguir a regra dos três “p”: o pequeno, o prático e o possível. Não se trata de querer mudar tudo mas arriscar começar e voltar sempre a tentar sem nos deixarmos desanimar pelas nossas fraquezas e as dos outros. O Ano Novo é assim uma oportunidade de voltarmo-nos a comprometer com a vida que nos é dada gratuitamente e fazermos dela um dom para os outros na aprendizagem crescente do amor!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1272- 3 de Janeiro de 2020