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A humanidade renovada!

O tempo que estamos a viver é uma interpelação muito séria a toda a humanidade. O Papa Francisco na Bênção ao Mundo com Indulgência Plenária realizada no dia 27 de Março referia na sua meditação: “Chamas-nos a aproveitar este tempo de prova como um tempo de decisão. Não é o tempo do teu juízo, mas do nosso juízo: o tempo de decidir o que conta e o que passa, de separar o que é necessário daquilo que não o é. É o tempo de reajustar a rota da vida rumo a Ti, Senhor, e aos outros”.

Parece-me que uma grande maioria das pessoas está à espera que passe esta tremenda tempestade para poder voltar à correria de todos os dias, fazendo o que sempre se fez. Eu questiono-me: Será essa a atitude mais correcta? Voltarão as coisas a ser como eram antes? Quanto tempo demorará a chegar a ansiada normalidade de antes da pandemia? Pessoalmente penso que nos será mais útil a reflexão do Santo Padre: este é o tempo de fazermos um juízo, de pararmos e fazermos um discernimento sobre tudo aquilo que agora nos é dado a viver. O que é cada um aprendeu com esta situação? Quais as lições para o futuro? A nossa forma de encarar a vida e os outros será a mesma? Quais os horizontes da nossa existência?

A dimensão do mal e as suas terríveis consequências ainda estão longe de ser totalmente conhecidas, porque todos os dias existem dados novos e o que era projectado hoje como expectável depressa pode mudar, porque as variáveis são imensas. Hoje é difícil fazer uma programação a longo prazo.

Por outro lado existe uma proliferação de bem! Vemos diariamente exemplos de superação dos próprios limites, de serviço abnegado e persistente, de criatividade engenhosa e espontânea, de generosidade atenta e gratuita e, tantas manifestações de humanidade na sua expressão mais bela. Todas permitem que olhemos os outros com um sorriso e de forma agradecida os saudemos com salvas de palmas, para lhe mostrar que não estão longe do nosso coração. A gratidão faz-nos crescer na capacidade de amar.  

Hoje o nosso vocabulário volta a ter palavras que pareciam em desuso e sem contexto para serem utilizadas, uma vez que, as acções correspondentes estavam desprezadas e desvalorizadas: obediência, sacrifício, renúncia, solidariedade, responsabilidade, bem comum, família, são algumas das atitudes e dos valores, que nesta altura ganham uma importância decisiva, porque nos implicam a todos na procura de um caminho comum para ultrapassar esta terrível provação. Como seria importante que nos deixássemos contagiar positivamente por esta descoberta do fazer bem, do cuidar do outro, da atenção ao mais débil, da corresponsabilidade do viver em sociedade.

O Santo Padre referia ainda na mesma meditação: “Com a tempestade, caiu a maquilhagem dos estereótipos com que mascaramos o nosso «eu» sempre preocupado com a própria imagem; e ficou a descoberto, uma vez mais, aquela (abençoada) pertença comum a que não nos podemos subtrair: a pertença como irmãos”.

A idolatria do eu, dos interesses egoístas e mesquinhos, da preocupação com o superficial e descartável, tudo isso deixa de ser possível, porque este é o momento para nos centrarmos no essencial. O mal que enfrentamos é invisível aos nossos olhos e tem uma capacidade tremenda de se transmitir num contágio silencioso e nefasto que não escolhe apenas alguns mas ataca a todos de igual modo. Só é possível vencê-lo se todos estiverem atentos e conscientes das suas responsabilidades. O ‘cada um por si’ é uma sentença de mal para todos. É uma verdade muitas vezes esquecida e ignorada!

Espero que cada vez mais possamos caminhar para uma visão mais correcta do que é viver em sociedade e de como é fundamental aprendermos as dimensões essenciais que nos fazem ser pessoas e permitem viver de forma saudável uns com os outros.

A Páscoa que estamos a viver, fala-nos da novidade do Amor de Deus revelada da Ressurreição de Jesus como o poder que vence o mal. É dessa experiência que nasce a Igreja. A comunhão dos discípulos é obra do Espírito de Deus derramado sobre a humanidade inteira no alto da Cruz de Jesus. Espero e acredito que também agora o Senhor quer passar na vida de todos nós para nos ensinar a viver alicerçados nesta novidade do Amor.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1279 - 17 de Abril de 2020