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A missão dos padrinhos!

Na vida não caminhamos sozinhos. Precisamos dos outros. Ao nascermos os nossos pais são os garantes da nossa vida, que será depois enriquecida com a presença de muitos outros nas diferentes dimensões da existência. Na nossa sociedade uma das figuras ainda muito valorizada é a dos padrinhos, contudo, a percepção da sua finalidade é, cada vez mais, motivo de muitos equívocos e incompreensões.

A Igreja ensina que os padrinhos contraem um laço espiritual com o seu afilhado e que para o poderem fazer devem já ter atingido a maturidade cristã. Vejamos o que diz o Código do Direito Canónico sobre os padrinhos de baptismo: “Dê-se, quanto possível, ao baptizando um padrinho, cuja missão é assistir na iniciação cristã ao adulto baptizando, e, conjuntamente com os pais, apresentar ao baptismo a criança a baptizar e esforçar-se por que o baptizado viva uma vida cristã consentânea com o baptismo e cumpra fielmente as obrigações que lhe são inerentes.” (Cân 872)

Ao contrário do que muitos pensam não é obrigatório a existência de padrinhos para poder baptizar um filho, a norma é clara: “Dê-se, quanto possível,”, mas sendo possível e se o quiserem os pais devem garantir que escolhem as pessoas mais capazes para os ajudar na educação cristã do seu filho. A única condição para os pais poderem baptizar os filhos é a de querem de facto baptizar, isto é, estarem dispostos a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para que o baptizado seja educado na fé cristã em Igreja.

Um outro grande equívoco é julgar que os padrinhos servem para “substituir os pais na falta destes”, o que é falso porque o laço que estabelecem é espiritual e não jurídico. Quem decide a custódia de uma criança na falta dos pais é a justiça civil, não é a Igreja, e os critérios para a decisão são, normalmente, o parentesco e a capacidade. Além do mais os padrinhos comprometem-se a ajudar os pais, não a substituí-los.

A missão dos padrinhos é “esforçar-se por que o baptizado viva uma vida cristã consentânea com o baptismo e cumpra fielmente as obrigações que lhe são inerentes”, e para o poderem fazer é fundamental que o vivam. Pode dizer que se vai esforçar e ensinar a cumprir quem de facto o faz no quotidiano da sua existência. Todos são livres de terem as suas ideias e opiniões sob a forma como querem viver a sua religião, mas não tem direito de as impor aos outros, ou seja, quem se compromete em Igreja deve o fazer porque acredita no que ali se ensina e está disposto ajudar o outro a viver da mesma forma.

As condições para se poder assumir esta missão são objectivas: “seja católico, confirmado e já tenha recebido a santíssima Eucaristia, e leve uma vida consentânea com a fé e o múnus que vai desempenhar”. (Cân. 874, § 1, 3º) O que se procura garantir é que o padrinho já tenha feito um caminho e permaneça nele de forma a ter os meios para poder acompanhar outra pessoa.

O baptismo e toda a vida sacramental da Igreja não podem apenas ser pretextos para celebrações sociais, é fundamental que se descubra o dom da Graça que nos faz viver em Deus. O Catecismo da Igreja Católica afirma: “Celebrados dignamente na fé, os sacramentos conferem a graça que significam. Eles são eficazes, porque neles é o próprio Cristo que opera: é Ele que baptiza, é Ele que age nos sacramentos para comunicar a graça que o sacramento significa. O Pai atende sempre a oração da Igreja do seu Filho, a qual, na epiclese de cada sacramento, exprime a sua fé no poder do Espírito. Tal como o fogo transforma em si tudo quanto atinge, assim o Espírito Santo transforma em vida divina tudo quanto se submete ao seu poder.” (CIC 1127)

É importante descobrirmos as maravilhas de Deus e como Jesus as comunica aos homens. O fundamental do baptismo é a vida divina comunicada à criança pela participação sacramental no Mistério Pascal de Cristo. Aos pais e, se os houver, aos padrinhos cabe a missão belíssima de ajudar nesta descoberta de poder com Jesus chamar a Deus, Pai.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1325 - 20 de Maio de 2022