Pesquisa   Facebook Jornal Alvorada
Assinatura Digital

Login na sua conta

Username *
Password *
Lembrar-me

Criar uma conta

Campos marcados com (*) são obrigatórios.
Nome *
Username *
Password *
Confirmar Password *
Email *
Confirmar email *
Captcha *
Reload Captcha

Salve Nobre Padroeira!

A missão da Igreja é ser sal da terra e luz do mundo. (Mt 5, 13-14) Jesus chama-nos a participar da vida divina pelo dom que faz de si mesmo na cruz. O cristão é portador de um tesouro, de uma boa notícia, que transforma a vida e nos capacita no horizonte da eternidade para olharmos a existência com abrangência de um mistério que em cada dia se descobre e nos envolve sempre mais. 

A Igreja participa de todas as fragilidades dos homens e não lhes é indiferente: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração” (Gaudium et Spes 1).

A verdade é que todos temos o desejo da eternidade, de uma felicidade duradoira e estável, mas diariamente somos confrontados com a caducidade da nossa condição humana, e como os nossos limites nos colocam diante do drama da morte. O pecado é a expressão desta experiência trágica, porque como diz São Paulo muitas vezes “não é o bem que eu quero que faço, mas o mal que eu não quero, isso é que pratico” (Rm 7, 19).

A Virgem Maria foi preservada desde o momento da sua concepção desta sujeição ao pecado. O Povo de Deus, muito antes de Pio IX declarar como dogma de fé a sua Imaculada Conceição, aprendeu a reconhecer na Mãe de Deus as maiores graças divinas e a celebrá-las como promessa a cumprir em todos os filhos de Igreja.

“O mistério da Imaculada Conceição é fonte de luz interior, de esperança e de consolo”, assim nos recordava o Papa Bento XVI, e sobre a pureza de Maria, dizia que “Maria Imaculada ajuda-nos a redescobrir e defender a profundidade das pessoas, porque nela existe a transparência perfeita da alma no corpo. É a pureza em pessoa, no sentido que nela espírito, alma e corpo são plenamente coerentes entre si e com a vontade de Deus”. Agora com a alegria de ser seus filhos: “Cada vez que experimentamos a nossa fragilidade e a sugestão do mal, podemos dirigir-nos a Ela, e o nosso coração recebe luz e conforto”.

A Imaculada Conceição é Rainha e Padroeira de Portugal. No hino que o povo canta para celebrar os seus louvores esta verdade de fé é dita de forma simples e contundente: És a obra mais sublime / Que saiu das mãos de Deus. / Nem na terra nem nos céus, / Há criatura maior! Por ser cheia de Graça e porque sempre foi toda de Deus ela tem-nos a todos no coração e está atenta às nossas necessidades: A Tua glória é valer-nos, / Não tens maior alegria; / Ninguém chama por Maria, / Que não alcance favor. Hoje ela continua a ser a intercessora de todos os seus filhos que vivem as vicissitudes do tempo: Acorde-nos, Mãe piedosa, / Nestes dias desgraçados, / Em que vivemos lançados / No pranto, no dissabor.

O Advento é por excelência o tempo de Maria, na medida em que aprendemos a vivê-lo com ela e como ela o viveu. Durante estes dias olhemos mais fundo, interroguemos o nosso coração sobre os seus anseios, pensemos sobre a origem dos nossos medos, onde é que a vida deixou de fazer sentido. A verdade é que a nossa existência terrena está cheia de incógnitas e de projectos adiados, de obrigações e imposições civis difíceis de aceitar, precisamos de esperança, de quem nos fale com a sabedoria de um coração repleto de cuidado e ternura, e nos faça continuar a caminhar levantando os olhos para o Único que sempre é fiel.

A Imaculada experimentou imensas dificuldades, contrariedades inesperadas, lembremo-nos, por exemplo, que já quase no fim da gravidez teve de atravessar desertos e montanhas montada num burro para se ir recensear com José a Belém a fim de obedecer a um decreto do Imperador. Não estamos sós. Olhemos para Maria. Confiemo-nos a Maria. Ela está atenta, acolhe, ampara e protege. Nos seus braços e sobre o seu manto cabe o mundo inteiro segundo o testamento de Jesus na cruz: Eis o teu filho! (Jo 19, 26), que agora somos todos e cada um de nós que por ela aprendemos a viver o Amor de Deus.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1292 - 4 de Dezembro de 2020