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O poder da Misericórdia!

No dia 2 de Novembro a Igreja faz a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, na qual como Mãe piedosa intercede diante de Deus pelas almas de todos os que nos precederam, marcados com o sinal da fé (fiéis) cuja função terminou neste mundo (defuntos) e que agora dormem na esperança da ressurreição, bem como por todos os outros falecidos, cuja fé só Deus conhece, a fim de que, purificados de toda a mancha do pecado, sejam associados aos cidadãos celestes, para poderem gozar da visão da felicidade eterna.

A esperança cristã é uma virtude teologal que se alimenta da certeza de que a Páscoa de Jesus nos abre o céu, ou seja, a gozarmos a bem-aventurança eterna na presença de Deus. São Paulo, naquele que é o escrito mais antigo do Novo Testamento, afirma esta certeza que animava os que tinham aderido a Cristo: “Irmãos, não queremos deixar-vos na ignorância a respeito dos que faleceram, para não andardes tristes como os outros, que não têm esperança. De facto, se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus reunirá com Jesus os que em Jesus adormeceram.” (1 Tes 4, 13-14)

A oração pelos que morreram funda-se nesta esperança e na certeza de que a misericórdia de Deus que conhecemos em Cristo é sempre maior que a evidência terrível da morte. O costume de rezar pelos falecidos é antiguíssimo como atesta o Segundo Livro dos Macabeus, que indica como os judeus piedosamente suplicavam por seus entes queridos. (Cf. 2 Mc 12, 39-45) As catacumbas onde estão sepultados os primeiros cristãos estão cheias de inscrições com orações pelas almas dos mortos. Santa Mónica, mãe de Santo Agostinho, ao falecer perto de Roma, enquanto viajava para África, assim falava aos dois filhos que a acompanhavam: “Ponde meu corpo em qualquer lugar, e não vos preocupeis com ele. Só vos peço que, no altar de Deus, vos lembreis de mim, onde quer que estiveres”. Santo Tomás de Aquino afirma que é inútil rezar tanto pelas almas que estão no Céu, tanto pelas que estão no inferno, já que ambas estão no seu destino definitivo. Se a Igreja sempre rezou pelas almas dos mortos, então, é porque sempre acreditou que, após a morte, nem todas as pessoas salvas estão prontas para contemplar Deus face a face.

Neste dia somos confrontados com a nossa finitude ao fazermos memória dos que morreram antes de nós, mas sobretudo com a importância de nos prepararmos para o dia em que formos chamados deste mundo. Jesus no Evangelho advertiu: “Porque não há coisa oculta que não venha a manifestar-se, nem escondida que não se saiba e venha à luz. Vede, pois, como ouvis, porque àquele que tiver, ser-lhe-á dado; mas àquele que não tiver, ser-lhe-á tirado mesmo o que julga possuir.” (Lc 8, 17-18)

A nossa existência é marcada por muitos acontecimentos, diferentes decisões e a necessidade de tomar opções consoante as circunstâncias, muitas são memórias felizes e agradecidas, outras exigem de nós o desejo e a vontade de reconstruir e reconciliar o mal vivido ou praticado. Mandar as coisas para detrás das costas é meio caminho para chocarmos com elas quando menos esperarmos. Não é fácil, mas é fundamental que aprendamos a curar os males da nossa vida que ferem profundamente a nossa alma e nos incapacitam a viver bem uns com os outros. Ódios, ressentimentos, culpas, mentiras e hipocrisias são doenças que só podem ser curadas pelo arrependimento e perdão.

É muito interessante que a sétima obra de misericórdia espiritual seja: “rezar por vivos e defuntos”. Porque como recomenda São Paulo é fundamental orar por todos, sem distinção, pois “Ele quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade". (ver 1 Tim 2, 2-3). Se é verdade que os defuntos que estão no Purgatório dependem das nossas orações e é uma boa obra rezar por eles para que fiquem livres dos seus pecados, não é menos importante que nos unamos na súplica por tantos que neste mundo optam pelo mal e desistem de alcançar a vida eterna. Ao contrário do que muitos dizem o remédio para tudo e inclusive para a morte é o Amor de Deus que conhecemos em Jesus. Basta querer porque nos é dado de graça.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1334 - 4 de Novembro de 2022