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A prioridade da Educação

Estes dias falei com duas das minhas sobrinhas sobre o início do ano escolar e fiquei feliz com o seu entusiasmo e como são bonitas as suas expectativas apesar de tudo ainda ser muito recente nas suas vidas. Aprender é sempre uma aventura e proporciona a abertura de formas diferentes de olhar a realidade pessoal e o mundo ao mesmo tempo que desenvolve as capacidades para poder interagir e ser membro activo da sociedade.

Ao mesmo tempo fiquei triste e apreensivo com a divulgação de um relatório da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) que constata a preocupante falta de pessoas a entrar na carreira docente e a enveredar pela área. De acordo com os dados, a Educação é o ramo com menor procura no ensino superior (licenciaturas e mestrados), com apenas 4% do total de novos estudantes a ser colocado nesta área de estudo. “Este facto, juntamente com o envelhecimento do corpo docente, suscita preocupações quanto a uma escassez de professores num futuro próximo em Portugal”, pode ler-se no relatório.

A renumeração muito abaixo da média europeia, a carga horária das aulas e a carga de trabalho não relacionada directamente com a componente lectiva, como a comunicação com os pais e encarregados de educação, “pode também afectar a decisão de ingressar na carreira docente”, refere a mesma organização. Acredito que a aposta na educação é sempre prioritária para o desenvolvimento de qualquer sociedade, e devemos procurar garantir as melhores condições a quem se sente chamado a dedicar a sua vida a ajudar os mais novos a adquirirem as ferramentas necessária para construírem o seu futuro. Investir na formação de docentes competentes e dedicados é fundamental para o desenvolvimento da sociedade.

Ao mesmo tempo parece-me que é urgente que os pais possam cada vez mais valorizar a escola no sentido desta garantir uma instrução geral aos seus filhos sobre as matérias básicas, mas sem nunca descurarem o que diz o Catecismo da Igreja Católica: “Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos filhos. Testemunham esta responsabilidade, primeiro pela criação dum lar onde são regra a ternura, o perdão, o respeito, a fidelidade e o serviço desinteressado. O lar é um lugar apropriado para a educação das virtudes, a qual requer a aprendizagem da abnegação, de sãos critérios, do autodomínio, condições da verdadeira liberdade. Os pais ensinarão os filhos a subordinar «as dimensões físicas e instintivas às dimensões interiores e espirituais». Os pais têm a grave responsabilidade de dar bons exemplos aos filhos.” (2223)

O actual Ministro da Educação em Portugal, João Costa, está ligado ao Escutismo Católico Português desde há muitos anos, e apesar de todas as suas áreas de especialidade e formação pessoal espero que aquilo que sabe das 7 Maravilhas do Método Escutista possam de alguma forma inspirá-lo no cumprimento da sua missão. Lord Baden-Powell of Gilwell criou um sistema de auto-educação progressiva, baseado em sete elementos igualmente relevantes; Lei e Promessa, Mística e Simbologia, Vida na Natureza, Aprender Fazendo, Sistema de Patrulhas, Sistema de Progresso e Relação Educativa que se chama de método escutista, elemento pedagógico original e identitário do Escutismo.

Além destas maravilhas do Método, a Mística do Programa Educativo do Corpo Nacional de Escutas assenta num esquema de quatro etapas, com vista a uma formação humana e cristã integral, sólida e madura. No percurso sugerido, procura-se que o Escuteiro compreenda que a sua vida tem duas dimensões, uma sobrenatural e uma natural, e que ambas se relacionam intimamente: Cristo, Senhor da Vida, não se reduz à vivência espiritual e mística do Homem; Ele está presente na vida do dia-a-dia e ao longo de toda a existência humana. É, por isso, presença constante na vida de um Escuteiro. Nesta perspetiva, o itinerário proposto está sempre centrado em Cristo, pois tem no Senhor o seu centro e fonte de irradiação de sentido.

A experiência comprovada deste método poderia servir de inspiração para que as propostas educativas fossem cada vez mais ao encontro das necessidades objectivas de quem quer aprender atendendo à especificidade e à diversidade que sempre se encontra em cada ambiente escolar. Termino agradecendo publicamente a todos os professores que tive a oportunidade de ter e de quem, na sua grande maioria, guardo gratas recordações.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1332 - 7 de Outubro de 2022