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Então e agora?!...

Nos últimos dias sempre que desperto do sono e me lembro da situação que estamos a viver ainda me parece difícil de acreditar. Será mesmo real? O mundo está mesmo a enfrentar um vírus, que ninguém é capaz de ver, mas cujos efeitos podem ser devastadores, e que por isso nos obriga a mudar totalmente a nossa forma de viver?

A verdade é que a realidade nos surpreende e nos faz tomar consciência de uma forma generalizada que a ideia de que somos os senhores da vida e da história é uma ilusão. Mas também é igualmente verdade que temos em nós as capacidades e potencialidades para podermos vencer esta guerra. O caminho está em cada um aprender a fazer aquilo que neste momento lhe compete fazer, segundo as suas responsabilidades, obedecendo aos interesses do bem comum.

Os tempos são tremendamente difíceis e colocam-nos à prova. É importantíssimo que não nos deixemos conduzir pelo medo porque este só serve para nos incapacitar e destruir, na medida em que nos aprisiona na nossa imensa fragilidade e pequenez face ao poder do mal. Sejamos audazes e utilizemos o agora da nossa existência como um momento de aprendizagem para o nosso futuro. É verdade que não temos todas as respostas e as perguntas e incertezas estão sempre a aparecer. Contudo, vemos já hoje sinais que não é possível ficarmos indiferentes, como a disponibilidade de tantos para fazer face a este terrível inimigo mesmo com o custo de pôr em perigo a sua própria vida.

O sacrifício de todos eles é uma lição belíssima de humanidade, porque está repleto da força invencível do amor ao próximo! A nós cabe a gratidão reconhecida e a não nos deixarmos jamais enganar pela terrível lógica de que “com o mal dos outros estou eu bem!”. Acredito que este tempo nos pode ajudar a conhecermo-nos na medida em que nos mostrará qual é a nossa capacidade em estarmos comprometidos, de facto, com o bem de todos os outros e não só com o dos que nos são próximos.

É importante que esta quarentena forçada nos faça reflectir em dimensões essenciais, porventura desvalorizadas, face à forma desenfreada e sem rumo como levamos a nossa existência. A consciência da nossa interdependência desde o mais simples mas essencial pessoal de limpeza até à mais alta figura do Estado, de como necessitamos de estar próximos dos outros e não nos basta a comunicação virtual, a importância de sabermos usar bem o nosso tempo com quem é mais importante para nós, são algumas das questões que agora vale a pena levar muito a sério para sabermos vivermos daqui em diante. 

O grande desafio é vivermos o agora com esperança. O Papa Bento XVI afirmava de forma profética na sua Encíclica Spes Salvi sobre a Esperança Cristã o seguinte: “Temos a possibilidade de livrar a nossa vida e o mundo dos venenos e contaminações que poderiam destruir o presente e o futuro. Podemos descobrir e manter limpas as fontes da criação e assim, juntamente com a criação que nos precede como dom recebido, fazer o que é justo conforme as suas intrínsecas exigências e a sua finalidade. Isto conserva um sentido, mesmo quando, aparentemente, não temos sucesso ou parecemos impotentes face à hegemonia de forças hostis. Assim, por um lado, da nossa acção nasce esperança para nós e para os outros; mas, ao mesmo tempo, é a grande esperança apoiada nas promessas de Deus que, tanto nos momentos bons como nos maus, nos dá coragem e orienta o nosso agir”.

O cristão sabe que a Esperança é um dom de Deus concedido gratuitamente a quem se deixa conduzir pela Fé e vive animado pelo seu Amor. Não se trata de algo mágico ou automático porque a disponibilidade para o receber requer que deixemos de fazer das nossas lógicas individuais critérios da verdade para nós e para os outros. O nosso mundo precisa de pessoas convertidas ao amor, dispostas a fazer da sua existência um caminho de bem para os outros.

Este é um tempo novo e, para o vivermos bem, precisamos do esforço e do compromisso de todos.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1277- 20 de Março de 2020