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As lições dos Jogos!

Os Jogos Olímpicos são o maior acontecimento desportivo realizado a nível global. Foram criados há cerca de 2700 anos na Grécia Antiga, como uma espécie de armistício entre lutas territoriais. De quatro em quatro anos, todas as guerras entre as cidades-estado gregas cessavam, as armas eram depostas e trocavam-se os campos de batalha pelo estádio olímpico. Representava uma época sem política, sem batalhas, apenas de culto aos deuses nas provas desportivas.

Charles Pierre Fredy, o barão de Coubertin, é o grande responsável pelo seu renascimento na era moderna, recuperando o espírito e a tradição olímpica grega, numa clara tentativa de minimizar as diferenças sociais e culturais entre nações, aproximando-as através da concórdia, do espírito de conquista e da competição desportiva. O grande símbolo dos jogos é a chama olímpica. A sua volta pelo mundo simboliza a união dos povos, o fim provisório das guerras e a união em torno de um espírito de irmandade humana e desportiva, que se acredita trazer à superfície o que de melhor tem a natureza humana.

Adiados por um ano por causa da crise pandémica, estão a realizar-se na cidade de Tóquio, dentro de circunstâncias muito especiais. Uma delas é o facto de não serem permitidos espectadores a presenciar as provas, a não ser as equipas técnicas e outros desportistas. Os atletas ficam assim sem um dos suportes para poderem realizar as provas, que é o do apoio das multidões que os aplaudem e incentivam.

Apesar disso tem-me impressionado como em muitos casos são os outros competidores de diferentes nações, ainda que adversários, que fazem de claque dos que estão em prova. O espírito de competição não impede que um incentive o outro a fazer o seu melhor, mesmo que isso possa significar não ser o próprio a atingir o melhor resultado. A verdade é que quando um dá o melhor de si mesmo, isso pode ajudar os outros a superarem-se.

Algumas das imagens mais marcantes que nos chegam revelam a faceta mais bela da humanidade, que não é indiferente ao sofrimento do outro: no apoio que recebem aqueles que não desistem, apesar dos seus resultados serem muito fracos em comparação com os demais; na solidariedade e companheirismo com aqueles que têm o infortúnio de se lesionarem (veja-se o caso do nosso Nélson Évora); no conforto que recebem os que ficam aquém dos seus objectivos pelos outros atletas.  

Esforço, compromisso, dedicação, sacrifício, disciplina, renúncia, perseverança, são alguns dos substantivos que marcam a vida destes atletas para poderem alcançar o objectivo de participar nos jogos. Não são palavras sem conteúdo, mas caracterizam a existência de todos aqueles que levam a vida a sério e estão dispostos a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para ir "mais rápido”, chegar “mais alto”, e ser cada vez “mais forte"!

O barão de Coubertin alertava os participantes que "O mais importante não é vencer, mas participar!". Nesse sentido, as Olimpíadas podem ser uma grande lição para a vida na medida em que valorizam o melhor que cada um pode dar, ainda que nem todos recebam medalhas. O que importa é aprender a entregar-se totalmente, porque a recompensa que todos recebem está em poder pertencer ao grupo daqueles que estão dispostos a dar tudo.

A história dos jogos talvez só venha a falar dos que conquistaram medalhas e superaram os recordes, da capacidade de organização de uma superestrutura como a que esta implica, de se terem realizado em circunstâncias únicas e adversas. Contudo, esta também se fará na vida de todos aqueles que aproveitaram esta circunstância para valorizar a sua existência e a daqueles que os rodeiam.

Acredito que os Jogos Olímpicos são uma oportunidade para aprendermos lições válidas para a nossa existência. A vida é um dom precioso demais para ser vivida de forma leviana, em busca de prazeres efémeros, desistindo diante das dificuldades e obstáculos, numa demanda egoísta sem ter em atenção as necessidades dos outros. Todos somos diferentes, mas juntos é possível fazermos grandes coisas! Só não será preciso esperar quatro anos, porque podemos começar já!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1307 - 6 de Agosto de 2021