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Fazer bem ao mundo!

Uma notícia do jornal Observador publicada a 15 de Janeiro refere: “Os maiores riscos que o mundo vai enfrentar em 2020 são os “confrontos económicos”, a “polarização política interna”, as “ondas de calor extremas”, a “destruição de ecossistemas de recursos naturais” e os “ataques cibernéticos a infraestruturas”. As conclusões são do Global Risks Report para 2020, publicado pelo Fórum Económico Mundial.

O problema é que muitos dos riscos avaliados são já problemas reais para os quais é urgente encontrar uma solução. O erro está em pensar que a responsabilidade cabe só aos outros, enquanto governos ou detentores de poder económico. A terrível ilusão vive-a quem pensa que não será afectado porque são apenas questões de política e de notícias que não chegam à nossa porta.

Ao longo da minha vida observo que a mudança é algo que assusta, incomoda e inquieta a maior parte das pessoas. Estamos acostumados a buscar seguranças nas rotinas e nos hábitos adquiridos e não é fácil mudar, aceitar começar de novo, e arriscar fazer de forma diferente o que se fez sempre da mesma forma e nunca nos satisfez. A novidade ao mesmo tempo que fascina também causa desconfiança. Encontrar o equilíbrio é a única forma de poder acordar cada dia e preparar-se para aventura da existência.

A Igreja tem como missão ser “luz do mundo e sal da terra” e é na fidelidade ao Evangelho de Jesus que poderá cumprir para bem de todos. Nesse sentido proponho que aprendamos com a sabedoria do céu ensinada por Jesus e olhemos para a sua vida como o exemplo perfeito de quem sabe onde se encontra a felicidade. Recordaram-me recentemente como é errado pensar que os outros sabem aquilo que ainda nem sequer lhe dissemos ou partilhamos com eles, sobretudo se é importante para nós. Nesse sentido escrevo estas breves linhas como testemunho daquilo em que acredito e todos os dias procuro viver, embora muitas vezes pareça que estou sempre a começar.

A maior doença que é também um desafio com que me deparo todos os dias é a mentira do egoísmo, do viver para si mesmo, na ânsia tantas vezes frustrada de se saciar com os prazeres do mundo quando estes apenas geram mais vazio e angústia. Jesus inicia a sua vida pública com o grito: “Convertei-vos e acreditai no Evangelho!” e quem O escutava e ia ao seu encontro era curado das enfermidades que uma existência errática a nível pessoal ou comunitário lhe tinha provocado.

Os milagres de Jesus não são promoções do seu “eu”, mas o anúncio em sinais visíveis e concretos de que a vida vale a pena ser vivida quando fazemos dela um dom para os outros. No “vai e…” que Jesus diz a muitos dos que são curados está um programa de vida de quem aceita viver a novidade do Amor. É verdade que cruz é a última paragem da vida terrena de Cristo neste mundo, mas esta é sobretudo um excesso de Amor que tem poder para salvar quem aceita viver O Dom que ali é feito a toda a humanidade.

Os riscos que o mundo enfrenta são a triste expressão de vidas não convertidas ao Amor, de quem não tem horizonte de eternidade, mas deixa-se enganar pelas lógicas destruidoras do mal e desiste de acreditar que é impossível inverter a situação. Precisamos de aprender a acolher os outros, a sairmos dos nossos “quentinhos” egoístas e mesquinhos e estarmos disponíveis para quem encontrarmos no nosso caminho.

A prioridade ecológica tão em voga nos nossos dias deve ajudar-nos sobretudo a ter como critério de discernimento da nossa acção se aquilo que fazemos é importante para os outros e para o ambiente. Acredito que se tivermos uma “pegada ecológica” saudável então os nossos passos e de quem caminha connosco serão mais seguros e fazedores de bem!

Na Igreja vamos começar (de 18 a 25 de Janeiro) a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que corresponde a esta intuição profundamente evangélica de que as nossas diferenças, mais do que geradoras de divisão, podem ser caminho de crescimento mútuo, de aceitarmos caminhar juntos e aprendermos a fazer bem ao mundo que Deus criou para nós!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1273- 17 de Janeiro de 2020