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Esta é a quaresma das nossas vidas

A quaresma é para os cristãos um tempo favorável. A preparação da celebração da Páscoa é uma oportunidade para fazer uma revisão de vida anual acerca da forma como se vive e para que se vive. A nossa existência marcada pela rotina pode correr o risco de se tornar prisioneira de hábitos e costumes que nos impedem de crescer como pessoas e olharmos a vida com esperança.

A Sagrada Escritura mostra como Deus nunca desistiu de chamar a si o homem enganado pelo pecado, pelos critérios errados, pelas escolhas escravizantes, e sempre lhe permite recomeçar de novo a partir da sua misericórdia. O Senhor diz pela boca do profeta: “É assim que a vou seduzir: ao deserto a conduzirei, para lhe falar ao coração.” (Os 2, 16) A sedução de Deus é a sua vontade de nos resgatar dos caminhos errados que fazemos que nos conduzem à destruição, para que nos deixemos amar por Ele, por isso, nos fala ao coração.

O deserto é necessário, porque nos centra no essencial na medida em que nos libertamos do supérfluo e do superficial para atendermos ao que é decisivo para cuidarmos da vida. Ao longo do dia-a-dia acumulamos o que não interessa, perdemos o sentido do que é prioritário, escondemos ressentimentos, adiamos o que precisa de ser resolvido, numa palavra habituamo-nos ao mal. O deserto quaresmal é um tempo de cura, de nos deixarmos iluminar pela palavra e de aprendermos a combater o mal com o jejum, a esmola e a oração.

A nossa vida é preciosa de mais para a vivermos mal. A nossa passagem neste mundo é breve e sujeita a muitas vicissitudes, por isso, é importante aprendermos a buscar o horizonte da eternidade, a não nos resignarmos à mesquinhez das futilidades que este mundo nos oferece e querer o que perdura mais do que o prazer do instante. Abrir o coração a Deus é a garantia de que é o Amor que triunfa apesar das tribulações a que estamos sujeitos. A disciplina quaresmal corresponde à sabedoria de quem sabe que as intenções devem ser concretizadas em actos. As práticas penitenciais são assim meios para nos aproximarmos de Deus e dos outros e experimentarmos a graça de ser livre quando tudo se faz por amor e para amar. 

Certamente que desejaríamos viver este tempo sem confinamento, e todas as limitações e impossibilidades que estão associadas, mas a verdade é que esta é a quaresma das nossas vidas. Não saberemos se vamos viver outra, porque somos frágeis e nossa existência é incerta e efémera! A forma como vivemos esta com todas as suas condicionantes e contingências só dependerá de nós. Não nos resignemos ao mal, não nos deixemos abater pelo que não é possível e cuidemos de viver todo este tempo com verdadeiro espírito de penitência. A purificação, de que todos necessitamos, passará também pela mortificação da nossa vontade. A liberdade não está em fazer o que se quer, como se da satisfação dos caprichos dependesse a nossa felicidade, mas sim em aprender a fazer tudo por amor para bem dos outros e nossa alegria.

Claro que é duro, exigente e cansativo, mas nós havemos de aprender a confiar em Quem jamais nos abandona. Se acreditamos que Deus é o Senhor da história, olhemos para além das nossas incompreensões e angústias e deixemo-nos envolver pela sua providência amorosa. Agora o importante é não passar este tempo sem nos comprometermos em libertar a nossa vida do que não interessa e aprendermos a cuidar do que é importante.

Termino com palavras de exortação do Papa Francisco para esta quaresma: “Queridos irmãos e irmãs, cada etapa da vida é um tempo para crer, esperar e amar. Que este apelo a viver a Quaresma como percurso de conversão, oração e partilha dos nossos bens, nos ajude a repassar, na nossa memória comunitária e pessoal, a fé que vem de Cristo vivo, a esperança animada pelo sopro do Espírito e o amor cuja fonte inexaurível é o coração misericordioso do Pai”.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1297 - 19 de Fevereiro de 2021