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Igreja Sinodal

O Papa Francisco convocou a Igreja para realizar um caminho sinodal durante os próximos três anos com o tema: «Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão». A intenção é responder a uma questão fundamental: «como se realiza hoje, a diferentes níveis (do local ao universal) aquele “caminhar juntos” que permite à Igreja anunciar o Evangelho, em conformidade com a missão que lhe foi confiada; e que passos o Espírito nos convida a dar para crescer como Igreja sinodal?»

A prioridade está em que todos possam assumir a sua vocação baptismal reconhecendo quais os contributos que podem dar para o bem da Igreja. É urgente ultrapassar a ideia de que a Igreja são os outros: a hierarquia, os consagrados, os responsáveis da comunidade cristã. Esta é uma oportunidade para se afirmar de forma inequívoca que a Igreja somos todos nós. Como é referido no Vademecum que acompanha o Documento Preparatório do Sínodo «a sinodalidade designa, antes de mais, o estilo peculiar que qualifica a vida e a missão da Igreja, exprimindo a sua natureza como Povo de Deus que caminha em conjunto e se reúne em assembleia, convocado pelo Senhor Jesus na força do Espírito Santo para anunciar o Evangelho. Ela deve exprimir-se no modo ordinário de viver e de agir da Igreja.»

A consciência de ser Igreja é vital para que todos se sintam incluídos e possam ser membros activos do Corpo de Místico de Cristo. Na primeira homilia do seu pontificado o Santo Padre exortava: «Edificar. Edificar a Igreja. Fala-se de pedras: as pedras têm consistência; mas pedras vivas, pedras ungidas pelo Espírito Santo. Edificar a Igreja, a Esposa de Cristo, sobre aquela pedra angular que é o próprio Senhor.» A verdade é que esta participação eclesial não se faz por decreto, ela acontece na fidelidade ao Espírito que nos faz viver a Vida de Jesus. A identidade cristã brota da intimidade com o Senhor, é Ele que nos faz seus porque se dá inteiramente a nós.

O Sínodo permitirá à Igreja olhar a diversidade que a constitui como uma riqueza que é importante valorizar para o crescimento de todos, e simultaneamente reforçará o espírito de missão que nos leva a estar comprometidos como os grandes desafios do nosso tempo. A participação de todos é a expressão visível de uma comunhão que se fundamenta no próprio Deus. Se antes ia-se à Igreja para assistir a um rito religioso e assim cumprir o preceito, hoje reunimo-nos em Igreja (assembleia) para celebrarmos a nossa pertença a Cristo. Se antes apontávamos os problemas e fragilidades imputando a culpa aos outros, hoje reunimo-nos em Igreja para juntos assumir as nossas responsabilidades e discernimos as acções a tomar.

A necessidade de mudança, de uma conversão sinodal, é evidente quando olhamos para as circunstâncias em que vivemos e se queremos ser verdadeiramente fiéis ao Evangelho. Na mesma homilia alertava o Papa: «Podemos caminhar o que quisermos, podemos edificar um monte de coisas, mas se não confessarmos Jesus Cristo, está errado. Tornar-nos-emos uma ONG sócio-caritativa, mas não a Igreja, Esposa do Senhor. Quando não se caminha, ficamos parados. Quando não se edifica sobre as pedras, que acontece? Acontece o mesmo que às crianças na praia quando fazem castelos de areia: tudo se desmorona, não tem consistência. Quando não se confessa Jesus Cristo, faz-me pensar nesta frase de Léon Bloy: «Quem não reza ao Senhor, reza ao diabo». Quando não confessa Jesus Cristo, confessa o mundanismo do diabo, o mundanismo do demónio.»

A Igreja de Lisboa viveu este processo sinodal ao longo dos últimos sete anos. Acredito que da experiência adquirida importa que nos ajudemos uns aos outros a não cair no desânimo, a sairmos de uma acédia que nos incapacita, a sabermos escolher o que é prioritário e decisivo para a nossa vida. Não nos compete a nós salvar o mundo, mas sim vivermos e anunciarmos a Graça de Quem o salva!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1311 - 15 de Outubro de 2021