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Um povo de santos

Este é o mês dos santos populares. O povo aproveita a celebração religiosa para fazer festas e arraiais que geram contentamento humano porque permitem que as pessoas se encontrem e confraternizem. Para uma grande maioria a invocação dos santos não corresponde a um desejo de seguir o seu exemplo, e viver como este a vida de Cristo em plenitude, contudo, é importante não desistir de ajudar a que o santo não seja apenas um pretexto para fazer uma festa.

A vida dos santos é uma interpelação e um estímulo a uma existência voltada para Deus, seguindo o exemplo de Cristo numa abertura permanente à graça santificante do Espírito. É o Senhor que santifica! A obra é sempre d’Ele! Conhecer a história dos santos ajuda a que se reconheça que a santidade acontece no concreto da vida e no quotidiano de uma existência em que Deus é o centro. Amar a Deus sobre todas as coisas para saber amar a todos e cuidar da criação.

Fernando Martins de Bulhões, baptizado na Sé de Lisboa no final do século XII, é um destes exemplos impressionantes onde uma vida de oração, de meditação profunda e permanente das Escrituras Sagradas e do tesouro da sabedoria dos padres da Igreja vai-se tornar pela obediência aos desígnios do Altíssimo uma luz de Graça para multidões até aos nossos dias. O fascínio da sua santidade e autoridade moral; a extensão e profundidade da sua cultura, acompanhada por um invulgar poder de comunicação, segundo as regras da retórica do seu tempo; a sua magnífica figura física fazem dele alguém que vale muito a pena conhecer. Em Portugal é conhecido por Santo António de Lisboa e celebramos o seu nascimento para o Céu no dia 13 de Junho (do ano 1231), quando deixou esta terra dizendo para quem estava junto de si: “Vejo o meu Senhor!”. Mais do que o santo das coisas perdidas ele é o cuidador das almas que estão em perigo de perdição, ou, o casamenteiro de quem está em desespero por arranjar um bom partido, ele ensina os caminhos do amor autêntico aprendido com Jesus, porque nele a santidade é caminho para todos.

A 24 de Junho a Igreja celebra o Nascimento de São João Batista, que já no seio materno, por virtude do Espírito Santo, exultou de alegria com a vinda da salvação humana, profetizando, com o próprio nascimento, o Senhor Jesus Cristo. De tal modo se manifestou nele a graça divina, que o próprio Senhor disse a seu respeito: “Entre os filhos de mulher, não apareceu ninguém maior do que João Batista” (Lc 7, 28). É o único santo, além da Mãe do Senhor, do qual se celebra não só o nascimento para o Céu, mas também o nascimento segundo a carne. Ele é o maior dos profetas de Israel, porque reconheceu e mostrou o Messias, em toda a sua vida permanecerá fiel à sua missão de porta-voz de Deus e a sua morte será um testemunho admirável de fidelidade à verdade. Poderia ser tentado a tomar-se por Messias, mas João sabia qual era a sua missão, nada reivindicou para si, e escolheu viver numa total humildade, como amigo do Esposo. Tornou-se um exemplo na nossa caminhada de seguimento de Jesus, para que deixemos, nós também, Jesus crescer em nós. Que esta seja também a nossa alegria.

O final do mês, dia 29, é marcado celebração conjunta dos apóstolos Pedro e Paulo. Simão foi o primeiro entre os discípulos a confessar que Jesus era Cristo, Filho de Deus vivo, por quem foi chamado Pedro. Paulo, o apóstolo dos gentios, pregou Cristo crucificado aos judeus e aos gregos. Ambos, na fé e no amor de Jesus Cristo, anunciaram o Evangelho na cidade de Roma e morreram mártires no tempo do imperador Nero. Pedro, segundo a tradição, foi crucificado de cabeça para baixo e sepultado no Vaticano, junto à Via Triunfal; Paulo morreu ao fio da espada e foi sepultado junto à Via Ostiense. O triunfo dos dois apóstolos é celebrado neste dia (embora o povo só fale de S. Pedro), com igual honra e veneração, em todo o orbe da terra. O Novo Testamento relata-nos diversas divergências entre si, mas, neles sempre triunfou a fidelidade a Cristo e à Igreja. Aí está o processo de santidade, em abrir mão de suas próprias visões e teorias, para acolher a verdade anunciada pelo Espírito Santo através do testemunho e da palavra inspirada, dita pelo outro. Apesar das suas debilidades foram homens espirituais que, com a graça de Deus, superaram os próprios limites e se tornaram, para sempre, luzeiros da fé!

São pequenos apontamentos de vidas plenas porque cheias de Deus. Assim poderão ser as nossas se não ficarmos apenas pela exterioridade do prazer do momento.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1327 - 17 de Junho de 2022