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A Páscoa das nossas vidas!

A Páscoa é a festa das festas!

Mas como é vamos poder fazer festa se nem sequer podemos sair de casa? Como é que podemos estar felizes se estamos com medo? O que é que há para festejar quando vivemos um tempo de tantas incertezas e sem perspectivas concretas de quando é que tudo isto vai passar? Estas e muitas outras perguntas podem ecoar em nós quando confrontados com a realidade que todos vivemos, mas o que está de verdade aqui em causa são outras questões e são essas é que nos devem fazer pensar: Quem sou eu? Donde venho? Para onde vou? A Páscoa é a resposta de Deus a estas inquietações decisivas da vida, hoje e sempre! A verdade é que Deus nos ama e só n’Ele podemos ter Esperança. Ele jamais nos abandona, por isso confiemos-Lhe as nossas vidas!

Para quem tem a graça da fé, enquanto dom divino que ilumina a vida, a história não é um sucedâneo de acasos, de sorte ou de azar, mas nela está sempre presente Deus à nossa espera nas encruzilhadas dos caminhos que teimamos em percorrer apesar de sabermos que neles apenas encontramos caricaturas de felicidade e bem-estar.

O desafio é viver o Mistério Pascal na experiência mais maravilhosa da eternidade na nossa vida! Mas este ano não o podemos fazer no mesmo espaço. Não sei porque é que tem de ser assim, mas talvez seja o Senhor a dizer que muitas vezes nos esperou e preferimos estar onde Ele não tinha lugar. Agora permite que tenhamos sede neste deserto quaresmal que se estende durante a Páscoa para que aprendamos as verdadeiras prioridades da vida. Somos convidados a viver a Páscoa à maneira dos primeiros cristãos, como autênticas Igrejas domésticas. Uma grande família de muitas famílias, cada uma em suas casas.

Em verdadeira comunhão de Espírito, vivamos a Semana Maior dos cristãos e preparemos de modo especial a Noite Santa da Vigília Pascal. Permiti que faça convosco um pequeno itinerário:

Na escuridão da noite surge um fogo e deste acende-se um grande círio, uma coluna de cera, símbolo de Cristo, verdadeira e única luz do mundo, vencedor das trevas da morte. Cristo sai vitorioso do sepulcro, como o fogo de Deus que destrói a morte e purifica o homem da escravidão do pecado. Cristo é a Luz do mundo e nós desde o momento do nosso baptismo, verdadeiro nascimento do Espírito, trazemos connosco essa luz que jamais se extingue e que “nos leva mais longe”.

A noite da memória do Amor permanente de Deus. Abrimos as Escrituras: e reconhecemos a sua presença na história desde o momento da criação do mundo onde se contempla a sua imensa bondade e o poder de vida da sua Palavra; com Abraão aprendemos a lição mais bela da fé no abandono total à sua Providência; vemos o seu poder grandioso em fazer de uma multidão de escravos o seu Povo Eleito manifestando a sua glória na travessia do Mar Vermelho; contemplamos o seu desígnio de vida e de graça pela boca dos profetas que nos revelam a sua aliança de amor, a sua imensa sabedoria e como Ele nos recria nas fontes de água viva; com São Paulo preparamos a nossa Profissão de Fé porque a morte do pecado é vencida na ressurreição de Jesus e n’Ele aprendemos a viver a liberdade dos filhos de Deus para a qual fomos criados; na escuta do Evangelho da Ressurreição somos convidados a fazer esta experiência de vermos o túmulo vazio e a reconhecer que Jesus está vivo na nossa vida.

A noite da vitória de Jesus e a de todos quantos aceitam com Ele a vontade do Pai e recebendo a água sobre as suas cabeças renovam em comunidade as promessas do baptismo, afirmação da nossa pertença a Cristo e n’Ele ao próprio Deus. Como é belo viver sabendo que nos está prometida a eternidade. As portas do paraíso estão de novo abertas e é para lá que caminhamos enquanto filhos degredados de Eva redimidos pelo sacrifício redentor do Filho de Maria.

A noite do banquete de delícias. O Senhor é o alimento que nos sacia. No altar da Eucaristia o pão da escravidão do Egipto é transformado no verdadeiro maná descido do céu para dar a Vida ao mundo, o cálice com vinho não significa apenas a aliança feita por Deus com o seu povo escolhido mas é de verdade o sangue da Aliança eterna e definitiva do seu Amor pela humanidade inteira.

Cristo nesta Páscoa está vivo e quer celebrar connosco. Aproveitemos esta oportunidade e com Jesus ofereçamos a nossa vida ao Pai. Façamos das nossas vidas verdadeiras páscoas, deixemos que Deus irrompa com o seu Amor em nós e nos ensine o caminho da eternidade.

Cantemos o mistério e deixemo-nos surpreender: “De nada nos serviria ter nascido se não tivéssemos sido resgatados! Oh, admirável condescendência da vossa graça!  Oh, incomparável predilecção do vosso amor!”.

A todos desejo uma Santa Páscoa na certeza de que estarei em profunda comunhão de Amor divino com todos!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1278 - 3 de Abril de 2020