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O preservar da memória!

O Papa Francisco ofereceu-nos no dia 1 de Dezembro uma carta sobre o “Admirável Sinal” que é o presépio. É um texto profundo e oportuno sobre uma das representações mais belas do Mistério da Encarnação que na Igreja se faz desde a inspiração de São Francisco de Assis em Greccio no século XIII! Diz o Santo Padre: “o Presépio faz parte do suave e exigente processo de transmissão da fé. A partir da infância e, depois, em cada idade da vida, educa-nos para contemplar Jesus, sentir o amor de Deus por nós, sentir e acreditar que Deus está connosco e nós estamos com Ele, todos filhos e irmãos graças àquele Menino Filho de Deus e da Virgem Maria. E educa para sentir que nisto está a felicidade.

A leitura deste texto despertou em mim as memórias da minha infância... Eu aprendi com o meu pai a fazer o presépio! No dia 8 de Dezembro, ou numa data muito próxima, íamos juntos apanhar o pinheirinho para fazer a árvore de Natal e o musgo para o presépio. Mais do que uma tradição vazia era uma forma muito simples pela qual o meu pai fazia, comigo e com os meus irmãos, a transmissão do que os seus pais também lhe tinham ensinado! A verdade é que ainda hoje o que recebemos permanece vivo nas nossas vidas! Eu todos os anos continuo a ir ao musgo com um grupo de paroquianos e procuro sonhar um presépio que seja sempre uma catequese para quem o contempla!

O rei D. João IV, dando cumprimento a um sentimento de pertença e devoção profundamente enraizado na matriz do povo, depõe aos pés da imagem da Imaculada Conceição em Vila Viçosa a coroa e declara-a Rainha de Portugal! A 8 de Dezembro, a Igreja celebra esta proclamação de fé: a Virgem Maria, em atenção aos méritos futuros de ser a Mãe de Jesus, é imaculada, sem mancha de pecado, desde o momento da sua concepção no seio da sua mãe! Esta solenidade celebra a misteriosa acção de Deus que com a Virgem Maria inicia a mais bela história de Amor da humanidade! Esta jovem é pensada por Deus para ser Mãe do seu Filho e por meio d’Ele tornar-se a Mãe de todos nós! Ainda hoje para mim, como durante muitos séculos para todos os portugueses, este é o verdadeiro Dia da Mãe: a que nos foi dada na terra e a que temos no Céu junto ao Pai!

Hoje entristece-me ver que para uma larga maioria estas tradições não têm significado! Perdeu-se a memória feliz do que cria relação e é gerador de identidade! Vivemos numa cultura do descartável e do passageiro! A lógica é do ‘fast food’: consumir e esquecer! Quem não cria memórias acaba também ele mesmo por cair no esquecimento!

Acredito que a solução não é viver no saudosismo do passado, mas olhar para a nossa história como fonte de sabedoria, e ir às memórias felizes do que recebemos no passado e adaptá-las com genuína criatividade ao nosso presente e dos que vivem connosco! E se hoje não as temos é fundamental que as possamos criar, porque ainda temos tempo!

A família é um dom maravilhoso que precisamos de aprender a cuidar! Estar juntos e crescermos na relação com a partilha simples de quanto é importante estarmos juntos! Fazer o presépio em família e celebrar o dia na nossa Padroeira são oportunidades de graça para viver na comunhão com quem nos foi dado para amarmos! O Amor precisa de ser visível e ser manifestado em actos concretos. Não é tarde para começar este caminho de descoberta e valorizar os sinais de um Deus que vem às nossas vidas para nos fazer viver o seu Amor!

O presépio não pode ser apenas um elemento de decoração de algumas casas e montras de lojas, e o 8 de Dezembro um feriado do calendário para ir às compras de Natal. É urgente que aprendamos a construir memórias felizes que alimentam a nossa existência e nos façam ser agradecidos pela vida de quem faz parte da nossa história!

Pe. Ricardo Franco
Edição 1270 - 6 de Dezembro de 2019