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A terrível mentira!

A liberdade é um valor essencial para podermos viver em sociedade numa relação equilibrada com quem nos rodeia. A nossa época exalta a liberdade ao ponto de esta ser o critério do que é bem ou mal, ou então, a liberdade sobrepõe-se à moralidade na medida em que a satisfação pessoal é o que importa desde que não prejudique gravemente o outro. Trata-se um caminho extremamente perigoso porque o bem deixa de ser um valor universal, mas uma realidade subjectiva totalmente dependente do interesse da pessoa.

São João Paulo II afirma na sua brilhante Carta Encíclica «O Esplendor da Verdade» que “uma liberdade, que pretenda ser absoluta, acaba por tratar o corpo humano como um dado bruto, desprovido de significados e de valores morais enquanto aquela não o tiver moldado com o seu projecto. Consequentemente, a natureza humana e o corpo aparecem como pressupostos ou preliminares, materialmente necessários para a opção da liberdade, mas extrínsecos à pessoa, ao sujeito e ao acto humano.” (nº 48)

Anos mais tarde ao iniciar o seu magistério petrino o Papa Bento XVI alertava que se estava a constituir “uma ditadura do relativismo que nada reconhece como definitivo e que deixa como última medida apenas o próprio eu e as suas vontades.” O Papa Francisco, há poucos meses numa audiência geral ensinava os fiéis dizendo “a liberdade não significa ‘fazer o que apetece’, ou seja, uma liberdade baseada no instinto. Este tipo de liberdade, sem finalidades nem referências, seria uma liberdade vazia, uma liberdade de circo, que deixa um vazio interior. Quantas vezes, depois de termos seguido apenas o nosso instinto, nos damos conta de que sentimos um grande vazio interior e que abusamos do tesouro da nossa liberdade, da beleza de poder escolher o verdadeiro bem para nós mesmos e para os demais”.

O engano do príncipe das trevas é fazer-nos crer nesta mentira de que a felicidade está numa liberdade sem limites segundo o capricho de cada um, mas que acaba por se tornar numa escravidão terrível da qual é quase impossível sair-se sozinho. Fazer o que se quer parece uma receita de felicidade feita à medida, contudo, torna-se facilmente num caminho de desilusão e frustração porque toda a satisfação que se obtém esgota-se e esfuma-se muito rapidamente. Acredito que só somos livres quando aprendemos a amar e descobrimos que não há maior satisfação do que fazer os outros felizes. Não é certamente um caminho fácil, mas é o único que vale a pena percorrer e investir toda a nossa vida.  

Há dias enviaram-me uma notícia com a seguinte mensagem anexada: “Cada vez precisamos de rezar mais!”. Diz a notícia: «Foi entregue no final de setembro (em plena discussão do orçamento do estado!!!) ao Parlamento por um conjunto de 35 deputados do PS o Projeto de Lei nº 332/XV, que pretende estabelecer o quadro de medidas por que as escolas deverão orientar-se para a implementação da Lei n.º 38/2018, sobre o direito à autodeterminação da identidade de género. De forma a garantir o “direito à autodeterminação da identidade e expressão de género, bem como das características sexuais em ambiente escolar”. As crianças e jovens devem ver o seu “direito a utilizar o nome autoatribuído” reconhecido e, mais do que isso, defendido, cabendo às escolas a emissão de “orientações” neste sentido. Com o mesmo objetivo, não de apenas “assegurar o respeito pela autonomia, privacidade e autodeterminação das crianças e jovens”, mas também de combater a “discriminação em função da identidade e expressão de género em meio escolar”, determina ainda que, nos casos das escolas em que exista a obrigatoriedade do uso de uniforme ou de determinadas peças de roupa em função do género, essa escolha possa ser feita pelos alunos, em função daquilo com que se identificam. O mesmo princípio é válido para a escolha de casas de banho e de balneários. Num esforço para “garantir que a escola seja um espaço de liberdade e respeito, livre de qualquer pressão, agressão ou discriminação”.»

Assustador! Terrível! Diabólico! São adjectivos que me surgem no imediato. Quem quer continuar a acreditar na bondade e carácter inofensivo da ideologia do género pode notar claramente que esta é uma verdadeira ditadura ideológica que não poupa ninguém, nem as crianças! Não deixa de ser simbólico que quando fiz uma pesquisa no Google sobre notícias com o termo autodeterminação juntamente com a deste projecto lei aparecem as da anexação por parte da Rússia de cidades importantes da Ucrânia. O poder do mal assume diferentes formas, mas tem sempre a mesma finalidade a destruição do homem.

É tempo de agir e lutar contra quem nos quer tanto mal! 

Pe. Ricardo Franco
Edição 1333 - 20 de Outubro de 2022