Pesquisa   Facebook Jornal Alvorada
Assinatura Digital

Login na sua conta

Username *
Password *
Lembrar-me

Criar uma conta

Campos marcados com (*) são obrigatórios.
Nome *
Username *
Password *
Confirmar Password *
Email *
Confirmar email *
Captcha *
Reload Captcha

O Senhor da história!

A oração do Pai Nosso ensina-nos a pedir a Deus ‘Venha a nós os vosso Reino’ porque é urgente que possamos viver a plenitude para a qual fomos criados. Ao comentar esta petição, o Papa Bento XVI afirma “que equivale a dizer a Jesus: Senhor, fazei que sejamos vossos, vivei em nós, reuni a humanidade dispersa e atribulada, para que em Vós tudo se submeta ao Pai da misericórdia e do amor”.

O Ano Litúrgico conclui-se com a Solenidade: Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo. A Igreja ensina-nos qual é o fim da história e a quem pertence a Senhoria do Universo. Um antigo hino dos cristãos canta de forma belíssima esta verdade assumida por Cristo, “Ele é anterior a todas as coisas e por Ele tudo subsiste. Ele é a Cabeça da Igreja, que é o seu Corpo. Ele é o Princípio, o Primogénito de entre os mortos: Em tudo Ele tem o primeiro lugar” (Col 1, 17-18).

O cristão olha para o fim para aprender a viver o presente totalmente abandonado a Cristo, seu Senhor, a Quem tudo pertence, o Único que pode dar sentido a todas as vicissitudes da nossa existência. Pedimos ao Senhor que o seu Reino venha às nossas vidas para que nós possamos reinar com Ele. O trono de Cristo é a cruz e o seu reinado está plenamente realizado no dom da sua vida.

A história, para quem tem fé, é onde Deus nos continua a falar. Nada é obra do acaso, e mesmo as provações do mal, que nos engana na nossa enorme tibieza e constante fraqueza, são necessárias para nos dar maturidade e purificar do que não interessa. As tribulações são um caminho de crescimento na capacidade de viver numa entrega de Amor e na ousadia da Esperança de quem sabe que não caminha sozinho.

Jesus antes de se entregar na cruz vive um combate, que é o nosso em tantas situações, “Pai se é possível afasta de mim este cálice…” porque a rejeição da injustiça do mal é algo natural em nós, contudo, o caminho não é fugir, nem negar a história “mas não se faça o que eu quero mas o que tu queres!”, porque o Amor pode sempre mais.

A expectativa da chegada das tão ansiadas vacinas, pode gerar uma esperança ilusória de segurança e de retorno imediato ao que era antes. Não sei se será possível, nem sei como vai acontecer, o que sei e acredito é que importante aprender e não ser insensatos e ingénuos. Nós não somos deuses, nem senhores da história, um vírus invisível ‘tirou-nos o chão’, descobrimos que a morte existe e todos estamos sujeitos a ela. Este saber pode dar-nos maior discernimento e sabedoria para construirmos o nosso futuro. Baden Powell, fundador do Escutismo, dizia aos seus rapazes: “Procurai deixar o mundo um pouco melhor de que o encontrastes!”. Se isto era importante para o seu crescimento harmonioso e equilibrado, também o é para a humanidade inteira.

A esperança cristã, não é um ‘empurrar para a frente’, um ‘adiar para depois’, mas radica em Jesus e no viver o dom do seu Espírito. Num mundo onde prima a cultura de morte e o crescimento de uma sociedade hedonista, a festividade anual de Cristo Rei anima uma doce esperança nos corações humanos, já que nos impulsiona a olharmos para o Único que nos ama de forma perfeita e nos salva, porque jamais nos abandona. Ele é fiel.

Estamos cansados de pandemia, já não suportamos ouvir falar em vírus, vivemos no medo de que tudo possa ser ainda pior, oprime-nos a incerteza de um amanhã de bonança que nunca chega, magoa-nos o estarmos impedidos de abraçar quem amamos, mas a verdade é que este tempo tem sentido. O Senhor da história está a falar-nos: “Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu”.

A esperança cristã muda o coração. Nós existimos para amar. A existência só é plena quando se faz dela um dom para os outros. Jesus continua a dizer-nos “Há mais alegria em dar do que em receber!”, porque a não há maior tesouro do que aquele que se acumula no coração e nos projecta para a eternidade. Cristo Rei convida-nos a olhar para Ele, a ser totalmente d’Ele para que o seu Amor vença em nós.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1291 - 20 de Novembro de 2020