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Pintura do Mestre da Lourinhã vai estar exposta no Museu do Louvre

pinturamestrelourinha

A pintura do Mestre da Lourinhã vai estar em exposição no Museu do Louvre de 10 de Junho a 10 de Outubro. Este museu, situado em Paris, França, apresenta ‘A Idade de Ouro do Renascimento português’, com obras de Nuno Gonçalves, Jorge Afonso, Cristóvão de Figueiredo, Gregório Lopes, Mestre da Lourinhã e Frei Carlos.

A exposição quer fazer renascer o interesse pela arte portuguesa dos séculos XV e XVI, até agora pouco conhecida em França. Trata-se da primeira exposição de pintura portuguesa no Louvre que reunirá 15 pinturas religiosas, tendo nascido de uma colaboração entre o Museu Nacional de Arte Antiga de Lisboa e o departamento de pinturas do Museu do Louvre.

Na sala de apresentação dos novos projectos do departamento de pinturas do Louvre, na Ala Richelieu, a exposição começa com a pintura a óleo e têmpera sobre madeira ‘São Vicente Atado à Coluna’ (1470), de Nuno Gonçalves, pintor régio de D. Afonso V e conhecido autor dos ‘Painéis de São Vicente’. Esta obra é o mote para descobrir, a seguir, pinturas que vão constituir uma ‘idade áurea’ na pintura portuguesa, na primeira metade do século XVI, graças à acção dos reis D. Manuel (1495-1521) e D. João III (1521-1557) que se rodearam de pintores na corte.

As oficinas de Lisboa, reunidas em torno do pintor régio de D. Manuel, Jorge Afonso, inspiram-se nas invenções dos pintores flamengos e adoptam uma nova forma de pintar. Algo descrito, logo à entrada, como uma “notável síntese de invenções dos Renascimentos flamengo e italiano e da cultura portuguesa”. Entre as características desta ‘época de ouro’, está a combinação de “paisagens azuladas imbuídas de poesia, tecidos e acessórios preciosos, detalhes de arquitecturas requintadas com um sentido de observação e de narração apurado e por vezes irónico”.

A ironia lê-se, por exemplo, na pintura ‘Inferno’, de um mestre desconhecido, do século XVI, um caldeirão de figuras a representar os ‘pecados capitais’, entre nus - incluindo um dos primeiros grandes nus femininos na pintura lusa - demónios e figuras grotescas e satíricas. De notar que esta ‘época de ouro’ é, também, marcada pela estada em Portugal do mestre Jan Van Eyck, entre 1428 e 1429, e pelos conhecimentos importados no tempo da expansão portuguesa.

Os reis D. Manuel (1495-1521) e D. João III (1521-1557) convidam pintores para a corte, como o pintor originário da Flandres, Francisco Henriques - representado na exposição com ‘A última ceia’ - ou o Mestre da Lourinhã - representado pela pintura ‘S. Tiago e Hermógenes’ - que levaram para Portugal uma técnica refinada de pintura a óleo, um novo interesse pelas paisagens e pelos efeitos decorativos dos tecidos e dos materiais preciosos.

O pintor Jorge Afonso, representado pela obra A ‘Adoração dos Pastores’ (1515), vai desempenhar um papel agregador ao formar um grupo de artistas que assimilam o novo estilo e executam a grande maioria dos retábulos encomendados pelo rei para as igrejas e os mosteiros. A escola luso-flamenga fica também marcada pelo interesse pelos detalhes naturalistas e pela representação de figuras e objectos do quotidiano.

A exposição acontece no âmbito da Temporada Cruzada França-Portugal que, ao longo deste ano, tem vindo a destacar a arte portuguesa em França e a arte francesa em Portugal. Por outro lado, o evento insere-se na senda do Festival de História da Arte que decorreu em Fontainebleau e que teve Portugal como país convidado.

Texto: ALVORADA com Rádio França Internacional
Imagem: Direitos Reservados