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Inquérito do INE sobre violência de género e doméstica avança para fase de recolha

INE

O Inquérito sobre Segurança no Espaço Público e Privado do INE, que lida com violência de género e violência doméstica, vai para a rua ainda neste mês, sendo parte de um projecto europeu.

Numa entrevista à agência Lusa, a propósito do inquérito sobre as origens étnico-raciais da população, o presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que o organismo está prestes a iniciar um outro inquérito, desta feita sobre a segurança no espaço público e privado. “Basicamente lida com violência de género e violência doméstica”, adiantou Francisco Gonçalves de Lima, acrescentando que neste caso também foi realizado um inquérito piloto e que este projecto foi coordenado a nível europeu.

Segundo o responsável, o inquérito foi feito na “maior parte dos 27 países [da União Europeia]”, de forma voluntária, porque para ser transversal a todos os estados tem de haver consenso não só em termos políticos, mas também técnicos, sobre as matérias. De acordo com o Francisco Lima, os entrevistadores foram formados com a ajuda da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) e a fase de recolha começa ainda neste mês.

À semelhança do que foi feito no inquérito piloto, este inquérito final será feito com vários modos de recolha de informação, podendo ser feita pela internet, por telefone ou presencial, de modo a “ajustar ao máximo à preferência de quem está a responder”.

Este inquérito sobre vitimação é parte de um projecto do Eurostat para disponibilizar estatísticas comparáveis sobre violência doméstica e de género e os resultados deverão estar disponíveis até ao final deste ano. Irá incidir sobre experiências de assédio sexual no trabalho, violência física, sexual, psicológica e económica, bem como violência na infância, para com isso “conhecer melhor a dimensão do fenómeno da violência doméstica e de género, assim como as suas características”, nomeadamente episódios de violência, vítimas e agressores.

Mais de 2.400 pessoas responderam ao inquérito do INE sobre origens étnico-raciais

Mais de 2.400 pessoas responderam ao Inquérito piloto às Condições de Vida, Origens e Trajetórias da População Residente, onde é abordada a origem étnico-racial, estando agora os resultados em análise para que o inquérito final possa arrancar em Dezembro.

Em entrevista à agência Lusa, o presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou que a fase no terreno do Inquérito às Condições de Vida, Origens e Trajectórias da População Residente (ICOT) decorreu entre os meses de Outubro de 2021 e Janeiro de 2022 e que actualmente os resultados desse processo estão em análise.

Este inquérito do INE surge depois de o organismo ter decidido não incluir no Censos 2021 uma pergunta sobre a origem étnico-racial dos cidadãos, como pretendia a maioria dos membros do grupo de trabalho criado em 2019 pelo Governo para avaliar a questão.

De acordo com Francisco Gonçalves de Lima, a análise desses resultados servirá para “tirar conclusões para saber o que fazer na operação principal, que se deve iniciar no último trimestre [de 2022], provavelmente em Dezembro”.

A amostra definida foi de 3.400 pessoas e responderam “mais de 2.400”, o que é “uma taxa de resposta elevadíssima”, apontou o responsável. As pessoas inquiridas tinham entre 18 e 74 anos, residem há 12 meses em Portugal ou planeiam residir 12 meses, definição usada “para todos os inquéritos”, e o inquérito abrange até três gerações. A unidade amostral era o alojamento, o que quer dizer que apenas responde uma pessoa por agregado, caso haja mais do que uma pessoa elegível para responder, e o critério para selecção é a pessoa que faz anos mais tarde.

O inquérito piloto decorreu “em zonas inseridas nos municípios de Cascais, Lisboa, Loures, Sintra, Amadora, Odivelas e Seixal”, especificamente na União das freguesias de Cascais e Estoril, Alvalade, Avenidas Novas, União das freguesias de Camarate, Unhos e Apelação, União das freguesias de Agualva e Mira-Sintra, Águas Livres, União das freguesias de Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto e Amora.

Francisco Lima explicou que normalmente a selecção da amostra é aleatória, com recurso ao ficheiro de alojamentos nacionais das bases estruturais do INE, que tem origem no Censos, e através do qual sabem as residências principais existentes no país, mas que aqui não foi o caso. “Aqui não foi aleatório. Decidimos escolher alojamentos nestas regiões porque sabemos que nessas localidades iremos encontrar grupos que nos interessa saber como é que eles respondem ao inquérito”, disse o presidente do INE.

Acrescentou que o processo passou por selecionar zonas, municípios e depois freguesias, razão pela qual a ação foi concentrada na área metropolitana de Lisboa, onde estavam os bairros que interessavam inquirir. O responsável adiantou que foram apresentadas questões sobre as origens étnicas, como a ascendência - o entrevistado responde sobre si, os pais e os avós - mas foi também perguntado como é que a pessoa se vê em termos de origem. “Essa pergunta era uma daquelas que nós queríamos testar para ver a adesão, e os resultados foram melhores do que o que estávamos à espera. A taxa de resposta está acima dos 70%, o que para um inquérito desta natureza é bastante bom”, frisou. Já nas perguntas sobre a discriminação, “a taxa de não resposta anda no máximo nos 3%, o que é bastante positivo”, salientou.

O inquérito piloto tinha também questões sobre as áreas de saúde, habitação, mercado de trabalho e família, tendo Francisco Lima apontando que é “preciso refrear a ambição” porque “existe um limite” para o que é possível incluir no inquérito final. “Mesmo assim, já será um passo para algo que não havia em Portugal e isso será muito interessante”, destacou.

De acordo com o presidente do INE, é preciso agora “afinar” algumas das perguntas feitas, tendo em conta as respostas dadas, mas sublinhou que “um piloto é mesmo isso, é ver como as pessoas entendem e aceitam as perguntas”. Uma das constatações, por exemplo, teve a ver com o idioma usado, já que em algumas situações constaram que o inglês era muito institucional e que algumas pessoas tinham dificuldade em compreender, e noutras que talvez fizesse sentido haver “variantes do português”, uma situação para a qual poderá ajudar o Alto Comissariado para as Migrações ou o Observatório das Migrações.

Francisco Lima esclareceu que nunca serão divulgados dados quantitativos do inquérito piloto, apenas alguma informação qualitativa, uma vez que a amostra não é representativa da realidade nacional, mas apenas dos grupos para teste. “Os microdados ficarão disponíveis para a comunidade científica, e além da primeira camada há outras camadas de análise que podemos retirar daqui, por exemplo, para definir políticas antidiscriminação ou, existindo evidencias de racismo, ir ver onde é que ele se manifesta, em que situações, com que tipo de pessoas”, apontou.

O presidente do INE adiantou ainda que o plano é começar o inquérito final, já alargado a toda a população, em Dezembro deste ano, o que quer dizer que no último trimestre será divulgado o que é o inquérito e o documento metodológico, começando a fase de recolha no terreno nessa altura e durante os três meses seguintes.

Texto: ALVORADA com agência Lusa