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Covid-19: Nenhuma doença alérgica contraindica de forma absoluta toma da vacina garantem especialistas

Covid 19 vacinacao Lusa 160321

As vacinas contra a Covid-19 actualmente em uso em Portugal podem ser administradas a pessoas com doença alérgica, embora alguns doentes devam fazer a toma sob vigilância em contexto hospitalar, alertaram hoje especialistas da área Imunoalergologia.

“Não existe atualmente nenhuma contraindicação absoluta [para a toma das vacinas contra a Covid-19 no que se refere a doença alérgica]”, disse à Lusa a médica imunoalergologista Ana Reis Ferreira. A especialista, que é responsável pela triagem dos pedidos de consulta de Imunoalergologia para vacinação Covid-19 no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho (CHVNG/E), contrariou, assim, algumas ideias feitas sobre a toma da vacina contra a Covid-19.

Esta convicção é partilhada por Patrícia Barreira, médica da consulta especifica de fármacos do mesmo hospital, e por Susana Cadinha, directora de serviço de Imunoalergologia do CHVNG/E que, numa resposta escrita enviada à Lusa, referem que “actualmente, nenhuma doença alérgica contraindica de forma absoluta a toma da vacina contra a Covid-19”. No entanto, as especialistas alertam que “alguns doentes deverão ser encaminhados para a consulta de Imunoalergologia para avaliação do risco e eventual administração da vacina sob vigilância, em meio hospitalar” caso manifestem determinados antecedentes.

Em causa estão situações como história de hipersensibilidade à substância activa ou a qualquer um dos excipientes, mastocitose sistémica e/ou doença proliferativa de mastócitos (células responsáveis pelas reacções alérgicas), diagnóstico prévio de anafilaxia idiopática ou reaxções anafilácticas recorrentes e sem causa aparente, reacção de hipersensibilidade confirmada a excipientes de outros medicamentos (incluindo vacinas), bem como reacção anafiláctica (reação alérgica grave) a qualquer outra vacina, ou à dose anterior da vacina contra a Covid-19.

As especialistas apontam que, nestes casos, e após avaliação na consulta de Imunoalergologia, “aos doentes que tiveram uma reação alérgica à primeira dose da vacina que contraindique a toma da segunda dose, poderá ser recomendado completar o esquema vacinal com uma vacina de outra marca”.

Críticas da “desinformação” e das “notícias falsas ou erróneas” sobre o novo coronavírus, as especialistas do CHVNG/E lamentam que as pessoas tenham dificuldade em "encontrar as fontes e as orientações fidedignas de que necessitam”, uma situação que pode conduzir a mitos e ideias preconcebidas também no que se refere à vacinação contra a Covid-19. “Este problema agravou-se com uma hipervalorização dos riscos das vacinas, muito inferiores aos seus benefícios, não só para a saúde dos cidadãos, mas também para a retoma económica”, frisaram as médicas, aproveitando para defender a realização de “campanhas de informação validadas por grupos com demonstrado conhecimento na área”, bem como a consulta de médicos e especialistas em caso de dúvida.

As especialistas do CHVNG/E foram directas na resposta: “Nenhuma das vacinas contra a Covid-19 actualmente disponíveis contêm timerosal ou outros conservantes com mercúrio”, acrescentando que “a hipersensibilidade a este composto não constitui contraindicação para a vacinação”.

Questionadas sobre outras dúvidas que poderão estar a suscitar receio por parte de algumas pessoas, nomeadamente doentes alérgicos a alimentos como ovo ou gelatina, produtos que por vezes estão presentes em algumas vacinas, ou ao látex, borracha presente em seringas e frascos, as especialistas admitem a alteração de procedimentos, mas voltam a frisar a segurança da vacina. “Em doentes com alergia ao látex, recomenda-se que não sejam utilizadas luvas de látex pelo profissional de saúde (…). Nenhuma das vacinas contra a Covid-19 actualmente disponíveis contém ovo, gelatina ou látex”, referiram. Aos asmáticos, recomendam que não suspendam a sua medicação habitual porque “a doença deve estar controlada para que a administração das vacinas seja mais segura”.

Patrícia Barreira, Ana Reis Ferreira e Susana Cadinha admitem que “em alguns doentes, poderá estar indicada a administração da vacina em doses fracionadas ou pré-medicação com anti-histamínicos”, contudo esta necessidade deverá ser avaliada “doente a doente pelo imunoalergologista, considerando a gravidade da reação prévia, outras doenças e a medicação habitual”.

Texto: ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: Lusa (arquivo)