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Estudo sobre aves marinhas em risco reforça importância da cooperação internacional

cagarra SPEA

As aves marinhas com o risco mais elevado de extinção passam 40% da vida em águas internacionais, concluiu um estudo do Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA) agora divulgado, que alerta para a necessidade de cooperação internacional.

O instituto universitário alerta, em comunicado, que as espécies em questão - albatrozes, cagarras e pardelas - atravessam águas de diferentes países e, que por isso, “nenhuma nação pode, só por si, garantir a conservação destas aves”.

“As aves marinhas são os maiores de todos os viajantes, mas este tipo de vida espectacular torna-as vulneráveis a ameaças presentes em regiões onde a protecção legal é inadequada”, reforçou, citado no comunicado, o investigador e autor principal do estudo, Martin Beal.

O professor do ISPA, Paulo Catry vê na conclusão do trabalho, baseado no estudo de colónias de aves marinhas em 87 ilhas, “uma grande oportunidade para os países se empenharem na proteção de espécies migradoras”, sendo que o comunicado lembra que as conclusões deste estudo também se aplicam a outros migradores oceânicos.

As conclusões do estudo resultaram da análise dos trajectos de 5.775 aves marinhas migratórias de 39 espécies com a colaboração de dezenas de investigadores de 16 países que partilharam dados através da plataforma 'BirdLife International' ('Seabird Tracking Database'), cuja função é facilitar a colaboração entre cientistas e agentes envolvidos na conservação das aves marinhas.

O estudo do ISPA alerta para a necessidade de uma cooperação alargada que permita diminuir o risco de extinção das aves marinhas migratórias e surge no momento em que nas Nações Unidas se discute um tratado global sobre a Conservação e Sustentabilidade do Uso da Biodiversidade Biológica Marinha em áreas fora das jurisdições nacionais.

O caso da cagarra nas Berlengas segundo a SPEA

O protecto Life Berlengas, desenvolvido pela SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, tem vindo a defender as espécies que aqui nifidifam, entre as quais figura a cagarra. Trata-se de uma ave marinha essencialmente pelágica. No mar, a espécie ocorre em quase toda a ZEE portuguesa, encontrando-se muito raramente durante o Inverno. Durante a época reprodutora é facilmente observada a partir de costa. A cagarra nidifica exclusivamente nos Açores, na Madeira e nas Berlengas. Segundo a associação ambientalista, a cagarra é provavelmente a ave marinha mais abundante que nidifica em Portugal. Nas Berlengas, onde se reproduz em praticamente todas as ilhas e ilhéus, a população foi estimada em 980 a 1070 casais em 2011. Desde a década de 1980 tem-se registado um aumento de 10,1% ao ano da população reprodutora nas Berlengas, como resultado de medidas de conservação.

A reprodução inicia-se com o começo da Primavera, quando as primeiras aves chegam às Berlengas entre fevereiro e março. Nesta altura é possível escutar o seu característico chamamento, especialmente durante a noite. Os ninhos localizam-se em cavidades naturais, como fendas nas rochas, sob amontoados de pedras, ou podem ser escavados no solo, sendo muito raro encontrar ninhos expostos. As cagarras põem apenas um ovo e, por isso, são muito vulneráveis à predação, nomeadamente pelo rato-preto. A incubação dura cerca de 55 dias, eclodindo as crias no final de Julho. As crias são depois deixadas sozinhas no ninho, enquanto os progenitores vão procurar alimento. Devido à circulação oceânica e aos fenómenos de afloramento costeiro (upwelling), as águas das Berlengas são muito ricas em alimento, nomeadamente em peixes como a sardinha, o carapau e a cavala. Assim, a maioria das cagarras das Berlengas procuram alimento próximo da colónia, até cerca de 50 km de distância - embora, alguns indivíduos façam deslocações até aos 270 km de distância! Os adultos alimentam os juvenis no ninho durante a noite. Os últimos juvenis abandonam o ninho no início de novembro. Nesta altura do ano é comum observar grandes grupos de cagarras (“jangadas”) a descansar no mar próximo das Berlengas quando. Após a época de reprodução as cagarras viajam para os seus locais de invernada situados sobretudo no Atlântico Sul, mas alguns indivíduos permanecem no Atlântico Norte e outros voam até ao Oceano Índico.

"Em Portugal Continental a população nidificante é considerada Vulnerável (VU) pelo que a sua conservação deve ser considerada prioritária. As principais ameaças à conservação da cagarra nas Berlengas são a predação dos juvenis não voadores por rato-preto e por gaivota-de-patas-amarelas, a falta de cavidades para construir o ninho e a captura acidental em artes de pesca", alerta a SPEA. No LIFE Berlengas estão previstas diversas ações com o objetivo de minimizar estes problemas. Nomeadamente pretende-se fazer a erradicação do rato-preto e testar novas técnicas de controlo da população de gaivotas-de-patas-amarelas. A construção de ninhos artificiais tem sido uma das ações de conservação que mais contribui para o aumento dos casais de reprodutores de cagarra nas Berlengas; no LIFE Berlengas vão ser construídos 100 novos ninhos artificiais para esta espécie. Pretende-se avaliar o impacto das pescas e diminuir a mortalidade de aves marinhas por interação com artes de pesca, e testar métodos alternativos.

Texto: ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: SPEA