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“Ser mulher e viver com cancro”, uma história real no Mês da Mulher com Cancro

claudiacancro

A Associação de Investigação de Cuidados de Suporte em Oncologia (AICSO) assinala o Dia Internacional da Mulher (8 de Março) e o Mês da Mulher com Cancro com um vídeo que conta na primeira pessoa a história de Cláudia, uma mulher de 56 anos que vive com cancro do ovário avançado, em diferentes tipos de tratamento, há mais de cinco anos. O vídeo pode ser visualizado em https://facebook.com/watch/?v=1056546998200101

O objectivo é estimular e incentivar as mulheres que passam pelo cancro a não baixar os braços e a redescobrir actividades que lhes tragam qualidade de vida e ajudem a restabelecer o prazer de viver. “É muito importante transmitir uma mensagem de encorajamento e de esperança a estas mulheres. O foco não deve ser a doença, mas a vida e se tiverem rotinas e actividades que lhes deem prazer acabam por ter benefícios a nível terapêutico. Daí a AICSO ter instituído o Mês da Mulher com Cancro”, explica Ana Joaquim, médica da Cláudia, oncologista do Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia/Espinho e vice-presidente da AICSO. 

Depois de uma cirurgia abdominal extensa, da remoção dos ovários, do útero, dos gânglios pélvicos e de parte da membrana peritoneu, Cláudia tem passado por várias linhas de quimioterapia. Actualmente está sob um tratamento oral que tem permitido que a doença se mantenha controlada e, ao mesmo tempo, o retorno a uma melhor qualidade de vida. 

Neste vídeo, Cláudia revela o apoio emocional e psicológico que tem tido por parte dos seus próximos e, também, no hospital, assim como conseguiu adaptar a sua vida às novas realidades impostas pelos tratamentos e até descobrir tempo para actividades que lhe dão prazer.  

Cláudia revela que quando recebeu o diagnóstico foi um choque. O cancro nunca esteve no seu horizonte. “Não havia casos na família e quando fui às urgências pela primeira vez estava convencida de que tinha um problema gastrointestinal”, adianta. Com o tempo aceitou e aprendeu a viver com as limitações que a doença impõe. Entretanto, descobriu um talento: o desenho. O amparo e o carinho dos amigos e médicos têm sido fundamentais para enfrentar esta fase da sua vida. 

Estou a viver com uma espada em cima da cabeça, mas é assim que todos nós vivemos. Ainda hoje não vejo o cancro como a minha sentença de morte. Não deixei de fazer planos. Aprendi a valorizar os amigos e a ser feliz”, explica Cláudia. 

A médica oncologista Ana Joaquim reforça que é muito importante para estas doentes manterem rotinas e objectivos. Na sua opinião, “o cancro ainda está muito associado a morte, mas deve ser encarado como uma doença crónica para a qual existem tratamentos e, para muitos casos, também a cura”. 

Acrescenta que uma das missões da AICSO “é optimizar o tratamento da pessoa que vive com e para além do cancro, através de abordagens que contribuam para uma melhor qualidade de vida, saúde física e mental e, adicionalmente, incentivem a adesão a estilos de vida saudáveis”. Entre os projectos que a AICSO desenvolve, dirigidos à comunidade, está o ONCOMOVE, que inclui os programas de exercício físico de cariz comunitário MAMA_MOVE Gaia Comunidade e PROSTATA_MOVE. É através destes e de outros programas semelhantes que cumpre a sua missão de proporcionar e aumentar a actividade física a uma população de doentes e sobreviventes com níveis elevados de inatividade e sedentarismo.

Fonte: Associação de Investigação de Cuidados de Suporte em Oncologia