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Município de Peniche iniciou obras de reabilitação das muralhas orçadas em 1,2 milhões de euros

Muralhas de Peniche

As obras de requalificação da muralha de Peniche começaram esta segunda-feira, representando um investimento de cerca de 1,2 milhões de euros, anunciou hoje o município.

"A importância desta obra vai para além da própria obra, uma vez que irá permitir requalificar toda esta zona de Peniche”, afirmou o presidente da câmara, Henrique Bertino, citado numa nota de imprensa enviada ao ALVORADA, que foi reeleito este domingo nas eleições autárquicas. O autarca acrescenta que "embora o auto de consignação tenha sido assinado no passado dia 10 de Setembro, fiz questão de não proceder à instalação do estaleiro em período eleitoral. Contudo, começamos obras no primeiro dia do mandato".

A intervenção inclui o reforço estrutural e a reconstrução da muralha principal e de todas as estruturas e dos caminhos de ronda (adarves) existentes, assim como o tratamento das patologias identificadas, com o preenchimento das juntas de alvenaria ou cantaria de pedra, com necessidade de reposição de alvenaria ou cantarias e degradação das guaritas.

A obra, “de extrema importância para a salvaguarda do património de Peniche, irá permitir também a intervenção há muito aguardada em diversos espaços da envolvente das muralhas”, com a reabilitação do Jardim Municipal e do seu parque infantil, a construção de um parque de skate no Parque do Baluarte, a reabilitação do Baluarte de São Vicente, o reordenamento dos campos de ténis do Parque do Baluarte, incluindo a construção de novas instalações para o Clube de Ténis. Pelo facto de a muralha estar em contacto com o mar, a intervenção obriga a ter andaimes suspensos e apeados nos taludes em terra da muralha.

Antes de o concurso ter sido lançado, foi efectuado o levantamento das anomalias existentes na muralha que veio a concluir que “a frente abaluartada da Praça de Peniche, classificada como Monumento Nacional desde 1938 - que une o Forte das Cabanas até à Praia do Quebrado através de muralhas, baluartes e meios baluartes - carecia há muito de uma intervenção de fundo para colmatar o estado de degradação em que se encontra há muitos anos”.

O investimento das obras está orçado em cerca de 1,2 milhões de euros e foi financiado em 85% por fundos comunitários. A obra tem um prazo de execução de 20 meses.

Um relatório da autarquia, de 2013, a que a Lusa teve acesso, concluiu que se verificam na muralha "deslocações de blocos motivadas pela acção agressiva do mar", que têm vindo a abrir buracos na estrutura, que "fazem perigar a estabilidade do conjunto" amuralhado. Também a guarita do Baluarte da Gamboa se apresenta "instável devido a fissuras de deslocamento na ligação à muralha", causando problemas de segurança aos transeuntes que circulem quer no exterior, quer no interior da muralha. O relatório apontava a necessidade "urgente" de uma intervenção com vista a recolocar os blocos em falta e preencher as juntas para não agravar mais a situação.

Desde essa altura que o município tem alertado a Direcção-Geral do Património para o estado da muralha, tendo decidido avançar nessa ocasião com obras mais urgentes e agora com a intervenção de fundo, substituindo-se ao Estado. A muralha de Peniche remonta ao século XVI e está classificada como monumento nacional.

Texto: ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: Paulo Ribeiro/ALVORADA