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Ilha da Berlenga mais sustentável com substituição de electricidade a diesel por painéis fotovoltaicos

cerimonia edp berlenga

A EDP Distribuição inaugurou na ilha da Berlenga um sistema de armazenamento para produção e distribuição de energia solar, com recurso à instalação de painéis fotovoltaicos, num investimento de 350 mil euros, da responsabilidade da empresa, que visa tornar a ilha mais sustentável no capítulo energético. Em nota de imprensa, a EDP explica que o fornecimento de electricidade na ilha oestina, "era de algumas horas e condicionado ao consumo, sendo realizado com recurso a geradores alimentados a diesel". A sessão, realizada ontem, contou com a presença de dois membros do Governo: João Galamba (secretário de Estado Adjunto e da Energia) e João Catarino (secretário de Estado da Conservação da Natureza, das Florestas e do Ordenamento do Território).

O investimento agora concluído e posto a funcionar, denominado ‘Berlenga Sustentável’, permite "substituir o combustível por fontes de energia renovável, garantindo a qualidade e continuidade de serviço, a redução das emissões de dióxido de carbono (cerca de 40 toneladas por ano) e a preservação do património natural". "Este projecto permitiu encontrar uma solução mais eficiente e sustentável a longo prazo, tornando a ilha da Berlenga uma referência", referiu na ocasião João Marques da Cruz, administrador-executivo do Conselho de Administração da EDP com o pelouro da Distribuição, citado na nota de imprensa. Marcou também presença João Torres, presidente do Conselho de Administração da EDP Distribuição. Para a empresa, a ilha da Berlenga é um exemplo do que é possível realizar para cumprir os objectivos da transição energética.

"A instalação de um parque de painéis fotovoltaicos permitiu-nos ultrapassar mais uma etapa na consolidação do estatuto de Reserva Mundial da Biosfera da UNESCO, bem como dotar aquele território de equipamentos, infraestruturas e serviços que permitirão entendê-lo no futuro próximo como autossuficiente, mais sustentável e protegido", afirmou por sua vez o presidente da Câmara Municipal de Peniche, Henrique Bertino. “Neste momento particularmente feliz, e após muitos anos de sonhos, quero expressar o meu agradecimento ao secretário de Estado Adjunto e da Energia, João Galamba, pela compreensão, decisão e determinação política, à EDP Distribuição pela perseverança, determinação e entusiasmo demonstrados na concretização deste objcetivo, e à ERSE pela sua compreensão perante uma situação tão específica e sensível. Um agradecimento a todos em nome daqueles que gostam verdadeiramente da Ilha da Berlenga”, concluiu o autarca.

Os painéis fotovoltaicos, com capacidade para produzir 150 quilowatts de energia, e o respetivo sistema de armazenamento e monitorização remota a partir do centro de comando da EDP, foram instalados em 390 metros quadrados, numa zona rochosa localizado por cima do Bairro dos Pescadores, no lado noroeste da ilha. “Todo este sistema foi pensado e implementado segundo critérios rigorosos de integração paisagística e ambiental”, destaca a empresa. Esta alternativa de energia sustentável vem substituir o uso de aerogeradores alimentados a combustível, reduzindo assim o transporte de combustíveis de Peniche para a Berlenga e as emissões de dióxido de carbono, e permite fornecer electricidade às casas do Bairro dos Pescadores, ao restaurante e ao café. Para além do apoio da edilidade, a concretização deste projecto contou também com a colaboração do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas.

“Com este investimento realizado pela EDP Distribuição em articulação com a autarquia, a DGEG, o ICNF, a ERSE e outros organismos, a Berlenga passa a ter acesso a energia renovável e a ser mais um exemplo de que a democratização da energia é um pilar fundamental da descarbonização da economia e da transição energética, e um direito de todos. Este investimento substitui combustível fóssil por uma fonte de energia renovável, garantindo maior e melhor qualidade de vida aos habitantes da ilha, tornando-a uma referência nacional e europeia. Berlenga passa a ser uma ilha 100% sustentável e 100% auto-sustentável “, destacou no local João Galamba.

Este investimento da EDP integra o projecto para tornar a ilha autossustentável em termos de geração de energia, produção de água potável e tratamento de águas residuais, que envolve o município penichense e outros parceiros tecnológicos há mais de 10 anos. A pensar na autossustentabilidade da ilha, a autarquia tem um projecto, orçado em mais de 150 mil euros, para construir uma estação de tratamento de águas residuais, para tratar os esgotos da ilha, e quer candidatá-lo a fundos comunitários. A autarquia pretende também substituir a rede de abastecimento de água local, na ilha que dista 10 quilómetros do continente.

Recorde-se que o arquipélago das Berlengas foi classificado em 2011 como Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e tem estatuto de Reserva Natural atribuída pelo Estado em 1981. A importância da conservação desta área natural à escala europeia foi reconhecida em 1997, ao ser classificada como Sítio da Rede Natura 2000 ao abrigo da Directiva Habitats. Em 1999, foi classificada como Zona de Protecção Especial para as Aves Selvagens, ao abrigo da Directiva Aves, e está também classificada pelo Conselho da Europa como Reserva Biogenética. Espera-se que as mais-valias ambientais e económicas associadas a este projecto agora inaugurado, sejam determinantes no processo de reavaliação do estatuto de Reserva Mundial da Biosfera.

Texto: ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: Município de Peniche