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Lourinhã vai acolher o I Encontro de Saúde Mental Álvaro Carvalho

Dia Mundial da Saude Mental

O Município da Lourinhã anunciou, neste Dia Mundial da Saúde Mental, a realização do I Encontro de Saúde Mental Álvaro Carvalho no próximo dia 11 de Dezembro, em homenagem ao percurso do médico psiquiatra e psicoterapeuta lourinhanense, falecido em 2018, contando para o efeito com a colaboração da ESCO - Escola de Serviços e Comércio do Oeste. ‘Entre a Pandemia e o Pandemónio’ é o mote escolhido para este primeiro encontro, com periodicidade anual, que vai procurar reunir e partilhar conhecimentos e experiências de intervenção em Saúde Mental Comunitária, desde acções promotoras da saúde, a intervenções preventivas, terapêuticas e de reabilitação.

Segundo um comunicado da autarquia lourinhanense enviado ao ALVORADA, a realização deste encontro nasceu no seio de uma equipa de trabalho multidisciplinar, procurando, por um lado, responder aos apelos e necessidades actuais em saúde mental, dando continuidade a outros eventos e actividades em curso; e, por outro, prestar a homenagem a Álvaro Carvalho, natural da Lourinhã, “considerado como uma das figuras marcantes da saúde mental em Portugal nos últimos 40 anos”.

Com a organização deste encontro anual, pretende-se dar continuidade e desenvolver algumas das ideias que constituíram as lutas e os contributos do médico psiquiatra lourinhanense, ou seja, a importância da intervenção da comunidade como promotora da saúde mental. “Não podemos psicologizar ou psiquiatrizar toda a gente. Há margem para maior intervenção, mas o problema não termina aí”, escreveu Álvaro Carvalho em Setembro de 2016, acrescentando que “a nossa aparência do ponto de vista de convivência social não é igual à nossa intimidade. Por processos educacionais, por autocontrolo, podemos ter uma atitude socialmente muito integrada, mas sermos um barril de pólvora”.

Este encontro, segundo a organização, pretende “revisitar a importância dos vínculos afectivos, que nos tempos actuais sofreram desregulações, impostas pelo isolamento físico e pela ilusão tóxica do virtual”. “Vivemos tempos particulares e desafiantes, feitos de momentos carregados de indefinição e de incerteza. Vivemos entre tempos, numa transição de época, acelerada pela instalação da pandemia num ambiente relacional e afectivo que já vinha dando sinais de vulnerabilidade e de ameaça de ruptura”, explica ainda o comunicado.

Por outro lado, com a elevação de valores como o individualismo, o sucesso e a eficácia, “cria-se o caldo propício para desregular as dinâmicas do grupo humano, desvalorizando o sentido de pertença, de envolvimento, de participação e de comunidade. E, então, vai emergindo o famigerado pandemónio, feito de caos e arbitrariedade, com emoções desreguladas que não sustentam o afecto e a relação de reciprocidade e de cooperação”, complementa ainda a edilidade.

Esclarece ainda a Câmara Municipal da Lourinhã, no comunicado, que “um dos desafios é apelar à persistência e à resistência, para depois disfrutarmos da propagada resiliência. Para tal, precisámos de voltar ao encontro: e assim nasce uma equipa de trabalho multidisciplinar, que tem como base o Município da Lourinhã e a ESCO, parceiros já de longa data, continuando o trabalho de envolver o sonho na realidade: contribuir, participar e transformar as relações humanas em experiências criativas e benignas, promotoras de saúde, que cultivam a interdependência, a articulação e a cooperação”. “Muito para lá das redes sociais e do predomínio da aparência e do superficial, é urgente e imperativo recriar os espaços e tempos para a intimidade, a melhor rede mundial que ampara o sofrimento e a dor emocionais”, conclui a comunicação da edilidade enviado ao nosso jornal.

Texto: ALVORADA com agência Lusa