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DIÁSPORA - COVID-19: testemunho emotivo de Rosa Torcato, de Ribamar, que vive no Reino Unido

Testemunho de Rosa Torcato

Como está a viver a Diáspora da Lourinhã este novo tempo, em que o centro das atenções é a pandemia do Covid-19? O ALVORADA iniciou este sábado a partilha de testemunhos de vida dos emigrantes lourinhanenses que se encontram espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Neste tempo difícil que todos atravessamos, com uma pandemia que reduz ao máximo o contacto entre todos, queremos desta forma manter bem vivo o que nos une. Queremos contribuir para que quem esteja longe, fique mais perto de nós, na Lourinhã.

Partilhe e, caso tenha algum familiar e amigo que queira que o contactemos, para aqui deixar o seu testemunho, envie-nos mensagem pelo nosso Facebook ou para o endereço electrónico Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar..

Fique em segurança. Cuide de si e dos outros!

Este segundo testemunho, muito emotivo, é de Rosa Torcato, de Ribamar, residente no Reino Unido.

“Olá... o meu nome é Rosa, sou de Ribamar e vivo em Inglaterra desde 2005, portanto, há 15 anos. Tenho três filhas, duas em Portugal e a mais velha que vive também aqui com o seu marido e os dois filhos.

Vivo sozinha agora pois a minha filha mais nova esteve aqui comigo até ao ano passado e foi também para Portugal, o que julgo que tenha sido muito bom. Nada como voltar para o nosso cantinho. Este coronavírus veio dar uma volta de 180 graus à minha vida, para a viver mais devagar...

Vivo em Worcester, a 40 milhas de Birmingham, a segunda maior cidade do país. Trabalho no Hospital Central desta região, onde sou auxiliar de acção médica. Durante a semana sou também ‘babysitter’ dos filhos de um casal de médicos e trato da sua casa, bem como da casa de outros médicos. Sou muito activa porque se quero ir embora e ter o meu cantinho em Portugal, livre de despesas, tenho que fazer por isso. Sou, felizmente, uma sobrevivente de cancro da mama, ao fim de dois anos de aqui estar, tendo efectuado um percurso longo para a cura.

Sobre o momento actual, devido à pandemia do novo coronavírus, como vivo à volta de médicos e enfermeiros, conversamos e vejo nos seus olhos que não há resposta… todos têm medo! Medo do que ouvem, do que não se vê!

Uma enfermeira no serviço onde trabalho, que também teve cancro, disse-me: “Sinto medo. Sinto o mesmo receio quando tive cancro, pois não sei o que será o amanhã. Somos profissionais que corremos riscos, somos precisos e não sei até quando e até que ponto vamos aguentar! Ficamos nervosos quando pensamos que não podemos deixar de trabalhar porque não podemos abandonar os nossos colegas!”.

Já faltam enfermeiros nos serviços porque, da agência responsável pela colocação dos profissionais, ninguém quer correr o risco de ficar doente porque não têm direito a baixa por doença. Boris Johnson já veio a público dizer que deve estar tudo fechado e não encontramos comida e outros bens nos supermercados. A médica para a qual faço o serviço de ‘babysitter’ disse-me que podia encontrar tudo no centro comercial, como papel higiénico, farinha e massa, por exemplo. Só nesta sexta-feira percorri cinco centros comerciais e foi no último que encontrei ‘pasta’ e farinha e nada de Paracetamol. Então assisti ao racionamento das compras. Dos seis pacotes de ‘fusilli’ e quatro de farinha, só pude levar três de cada!

Quando regressei este sábado ao hospital verifiquei que estava tudo muito calmo. Evitamos estar perto uns dos outros, há poucos doentes a circular e não podemos ir à zona dos doentes infectados. Tivémos este domingo o treino para o manuseamento de máscaras e luvas. Parece que estamos em guerra!

Ainda falta a parte mais difícil causada por esta doença. Peço a Deus que não deixe que nada me aconteça, nem aos meus familiares. Pela primeira vez, em 57 anos, nunca tive tenho medo! Medo por mim, medo pelos meus netos e filhas e não posso sequer pensar que tenho a minha filha mais nova em quarentena em casa, em Portugal, sozinha, e eu aqui! Será que devia ter ido embora e deixava aqui quem precisa de mim? Meu Deus, só tu agora me podes ajudar!”