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Cardeal-Patriarca considera que Portugal tem-se portado dignamente em relação aos refugiados

D Manuel Clemente

O Cardeal-Patriarca de Lisboa disse hoje que Portugal “tem-se portado dignamente” em relação aos refugiados e à integração de pessoas de várias nacionalidades. D. Manuel Clemente falava hoje aos jornalistas no final de um almoço com empresários, que marcou a abertura do ano das actividades da ACEGE - Associação Cristã de Empresários e Gestores, que decorreu na Igreja de São Nicolau, Lisboa, e teve como tema ‘Ser Cristo na Empresa’.

“Portugal tem-se portado dignamente nesse aspecto”, disse, explicando que o país recebe pessoas de todas as nacionalidades, cidadãos que vivem no país e cujas crianças estudam nas escolas portuguesas criando um Portugal novo e de convivência. Portugal, como um dos países receptores no quadro das situações de emergência da União Europeia, realojou dezenas de refugiados que tinham chegado à Turquia, Grécia e Itália. O Governo português acordou em realojar 1.010 refugiados em 2018/19.

A questão da identidade foi aliás uma das questões abordadas pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa no encontro com os empresários, alertando que a identidade é algo que se constrói. “A questão de identidade pode ter reflexos complicados na sociedade quando se transforma em políticas muito identitárias. Só os nacionais, fechar as fronteiras, separar campos. Isto é perigoso. Pode ser uma reacção identitária, mas não resolve o problema da identidade porque nossa identidade também se vai construindo”, disse. Portugal, por exemplo, acrescentou, tem integrado ao longo dos séculos povos e culturas de todo o mundo sendo hoje um compósito de gente e ideias. “A identidade não é uma coisa fixa. Vai integrando”, frisou.

Em declarações aos jornalistas, D. Manuel Clemente falou ainda da mensagem do Papa Francisco a propósito da Conferência do Clima indicando que a visão cristã é olhar para a natureza como uma criação divina que deve ser respeitada. “Não é por acaso que a propaganda ecológica está nas nossas catequeses, nos nossos movimentos, sendo o Escutismo Católico o maior movimento juvenil e todo ele é feito numa ecologia integral. Para nós é uma prática corrente e hoje reforçada com as urgências climáticas”, considerou.

O Papa Francisco apelou na segunda-feira para uma “verdadeira vontade política” para enfrentar as alterações climáticas, considerando que os compromisso globais “são ainda muito fracos”. Falando por vídeoconferência na Cimeira da Acção Climática que decorre hoje nas Nações Unidas, na cidade norte-americana de Nova Iorque, o líder da Igreja Católica agradeceu à organização por ter cativado a atenção "da opinião pública mundial sobre um dos fenómenos mais graves e preocupantes do nosso tempo, as alterações climáticas".

Texto: ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: ALVORADA (arquivo)