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D. Rui Valério e D. Daniel Henriques foram ordenados bispos no Mosteiro dos Jerónimos

novos bispos

O novo responsável pela Diocese das Forças Armadas e de Segurança, D. Rui Valério, e o novo auxiliar do Patriarcado de Lisboa, D. Daniel Henriques, foram este domingo ordenados bispos no Mosteiro dos Jerónimos. A celebração foi presidida pelo Cardeal-Patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, e teve como bispos co-ordenantes D. Manuel Linda, Bispo do Porto, e D. José Traquina, Bispo de Santarém.

Antes da ordenação, foram proclamados publicamente os mandatos apostólicos, do Papa Francisco, pelo núncio apostólico (embaixador da Santa Sé em Portugal), D. Rino Passigato. O texto pontifício sublinhou, a respeito de D. Rui Valério, a importância de prover ao “cuidado espiritual dos militares e agentes de segurança”. O mandato de nomeação episcopal de D. Daniel Henriques referiu as “necessidades da Igreja patriarcal de Lisboa” que levam à escolha de novo auxiliar, em resposta a um pedido do Cardeal-Patriarca.

Manuel Clemente sublinhou, no início da celebração, que desde 1931 não se realizava em Lisboa uma ordenação conjunta de dois bispos (os então auxiliares D. Ernesto Sena de Oliveira e D. João da Silva Campos Neves, ordenados a 25 de Julho de 1931), falando num momento que realça a “colegialidade” episcopal. Na sua homilia, o também presidente da Conferência Episcopal Portuguesa propôs a todos os participantes a “realeza do serviço” de Jesus, na solenidade de Cristo-Rei do Universo, que encerra o calendário litúrgico católico. O Reino de Jesus, acrescentou, cresceu por causa da “verdade inteira que transporta” sobre Deus e o ser humano, no que tem “de mais essencial e profundo”. “Quando isto se esquece ou contrafaz, não crescemos como Igreja de Cristo”, advertiu. Este reino, sustentou o Cardeal-Patriarca, acontece em particular onde “a Igreja é pobre e perseguida”. “O Cristianismo é hoje a religião mais perseguida do mundo”, lamentou. O presidente da celebração desafiou, em conclusão, os novos bispos a um “serviço total e pronto”.

A Liturgia da Ordenação inclui a apresentação dos eleitos, que prometem fidelidade ao Papa; a sua prostração; a imposição das mãos; a entrega do Livro dos Evangelhos e das insígnias - o anel, símbolo da fidelidade à Igreja; a mitra, que evoca o “esplendor da santidade”; o báculo, que significa a missão de “pastor”. A Missa foi concelebrada por dezenas de sacerdotes e cerca de uma vintena de bispos de várias dioceses portuguesas, contando com a presença de autoridades civis e militares.

Os novos bispos foram saudados pela assembleia com uma salva de palmas, aquando da procissão de entrada para a celebração e após a ordenação episcopal; após a Comunhão, os dois prelados abençoaram os participantes, durante vários minutos, sob os aplausos dos presentes.

O novo Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Daniel Henriques, que era pároco de Torres Vedras, recordou perante a assembleia a “surpresa” com que recebeu a notícia da sua nomeação, manifestando “total comunhão e gratidão” ao Papa Francisco. O responsável agradeceu as “palavras de carinho e acolhimento” que recebeu dos vários bispos católicos de Portugal, bem como o “berço de fé e de humanidade” da sua família, antes de evocar o seu percurso de formação cristã e sacerdotal, tendo passado 21 anos como pároco, “algo maravilhoso”. “A Igreja deve abrir-se um esforço comum de edificação da sociedade”, apelou, ao explicar a presença de jovens casais, que acompanhou no seu ministério, junto dos seus próprios familiares.

A 13 de Outubro, o Papa designou D. Daniel Henriques como Bispo Auxiliar do Patriarcado de Lisboa; o prelado escolheu como lema ‘omnes fontes mei in te’ (todas as minhas fontes estão em ti) e as suas armas de fé evocam a “centralidade da Cruz de Cristo e das Chagas do Senhor”.

Texto: Agência ECCLESIA/Jornal ALVORADA
Fotografia: Arlindo Homem/ECCLESIA