Pesquisa   Facebook Jornal Alvorada
Login

Login na sua conta

Username *
Password *
Lembrar-me

Criar uma conta

Campos marcados com (*) são obrigatórios.
Nome *
Username *
Password *
Confirmar Password *
Email *
Confirmar email *
Captcha *
Reload Captcha

Aprendendo com os Magos!

A festa da Epifania do Senhor que tradicionalmente se chama de Dia dos Reis é a celebração da manifestação de Jesus como Aquele que vem ao mundo para salvar a humanidade inteira. Os magos representam a todos aqueles que anseiam por mais na sua vida, e não se contentam com o pouco do agora que possuem, mas desejam alcançar a imensidade do céu que contemplam. A busca deste mais que preencha de sentido a existência é a característica de quem não se acomoda a uma sobrevivência sem horizonte.  

O Papa Bento XVI descreve esta procura de uma forma magistral: “Os homens que então partiram rumo ao desconhecido eram, em definitivo, pessoas de coração inquieto; homens inquietos movidos pela busca de Deus e da salvação do mundo; homens à espera, que não se contentavam com seus rendimentos assegurados e com uma posição social provavelmente considerável, mas andavam à procura da realidade maior. Talvez fossem homens eruditos, que tinham grande conhecimento dos astros e, provavelmente, dispunham também duma formação filosófica; mas não era apenas saber muitas coisas que queriam; queriam sobretudo saber o essencial, queriam saber como se consegue ser pessoa humana. E, por isso, queriam saber se Deus existe, onde está e como é; se Se preocupa connosco e como podemos encontrá-Lo. Queriam não apenas saber; queriam conhecer a verdade acerca de nós mesmos, de Deus e do mundo. A sua peregrinação exterior era expressão deste estar interiormente a caminho, da peregrinação interior do seu coração. Eram homens que buscavam a Deus e, em última instância, caminhavam para Ele; eram indagadores de Deus”.

 Os nomes dos magos não aparecem nas Sagradas Escrituras, mas a tradição deu-lhe nomes cujo significado realça a sua procura de encontrarem o tesouro das suas vidas. Melchior é caracterizado geralmente como um idoso branco com barba em representação da região europeia e oferece ao Menino o ouro pela realeza de Cristo. Gaspar representa a área asiática e leva o incenso pela divindade de Jesus. Enquanto Baltazar é negro proveniente de África e presenteia o Salvador com mirra, substância que se utilizava para embalsamar cadáveres e simboliza a humanidade do Senhor. Além disso, os três fazem referência às idades do ser humano: juventude (Gaspar), maturidade (Baltazar) e velhice (Melchior). Desta forma está representada a humanidade inteira, a universalidade da salvação, e como no coração de Deus no dom seu Filho todos temos lugar, e Ele não se esquece de ninguém. 

A estrela que guia aos Magos ao presépio, mais do que um fenómeno físico é um símbolo de quem olha para além da sua razão, está atento aos sinais, se deixa interpelar por eles e aceita pôr-se a caminho. A Sagrada Escritura confirma o sinal e dá uma Palavra de interpretação que permite acolher o mistério. Uma oração da Igreja protestante diz de uma forma muito bela: "Ó Deus, que pela Estrela manifestaste teu unigénito Filho a todos os povos da terra; guia-nos à tua presença, os que hoje te conhecemos pela fé; a fim de que desfrutemos de tua glória face a face; mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém".

A palavra que marca a narração evangélica é verbo adorar que ouvimos na boca dos Magos: “Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo”, e no que fazem quando chegam ao presépio “e entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no”. A verdade do Amor e da existência cumprida só se encontra em Deus e por isso só a Ele se adora! Os Magos desejaram encontrar o Senhor para poderem adorá-Lo, ou seja, procuraram sem desanimar e apesar das dificuldades o Único em cuja vida faz sentido e em quem sempre tudo se renova. Depois de adorarem “regressaram ao seu país por outro caminho” porque os seus olhos estavam iluminados, o seu coração convertido ao Amor, e os seus passos conduzidos pela Graça de Deus.

Agora é o tempo de fazermos nós a experiência: O Senhor vem para nós! Vamos também nós adorá-lo.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1250 - 4 de Janeiro de 2019