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Ser padre

Escrevo estas linhas de Fátima, lugar escolhido por Nossa Senhora para, pela boca de três crianças, falar ao mundo da urgente e necessária conversão do coração e da vida. Nestes primeiros dias de Setembro mais de 400 sacerdotes das dioceses de Portugal encontraram-se para, em Simpósio, reflectirem sobre a sua identidade à luz do tema: «O Padre: ministro e testemunha da alegria do Evangelho».

Os trabalhos são uma oportunidade para juntos olharem para o ministério que lhes foi confiado no serviço da Igreja sendo a voz e as mãos de Cristo Pastor que continua a chamar os homens a estarem consigo e a n’Ele encontrarem as respostas fundamentais para o sentido da vida. A verdade é que sem Deus não nos compreendemos e ficamos presos dos nossos curtos horizontes. O Concílio Vaticano II disse-o de uma forma belíssima: “o mistério do homem só no mistério do Verbo encarnado se esclarece verdadeiramente.” (GS 22)

A missão da Igreja nasce do mandato de Jesus, confiado aos apóstolos de irem pelo mundo inteiro e anunciarem o Evangelho e, de em seu nome, revê larem a todos o Amor de Deus gratuitamente oferecido a todos como fonte de vida e graça. Os que conhecem e acreditam nesta Boa Nova são salvos, isto é, descobrem a razão profunda da sua existência. O cristianismo é um caminho onde Deus se revela aos homens no seu Filho Jesus e os convida a deixarem- se conduzir por Ele na fidelidade à sua vontade amorosa.

A experiência de muitos reduz a vida em Igreja a um cumprir exterior de preceitos a alimentar um sentimento religioso por meio de algumas práticas piedosas aprendidas por uma tradição esvaziada de sentido. Carregamos o santo em procissão mas, muitas vezes nem sabemos quem ele é, e menos ainda nos interessa o exemplo da sua vida. Olhamos para um padre como um homem como os outros com uma profissão diferente das normais, e escapa-nos a compreensão do mistério que o envolve enquanto baptizado chamado e consagrado por Cristo a ser seu ministro (servo) e a agir em seu nome. A maioria dos que ainda celebra os sacramentos tem uma capacidade muito reduzida de acreditar na Graça de Deus e de ver naqueles sinais a sua presença santificante e transformadora da vida.

A história mostra-nos como desde sempre a humanidade embora sedenta de plenitude se deixa confundir, seduzir e enganar pelas ofertas mesquinhas do fácil e descomprometido e perde o sentido. Ainda nestes dias dizia-nos o Papa: “Existem dois espíritos, duas modalidades de pensar, de sentir, de agir: o que me leva ao Espírito de Deus e o que me leva ao espírito do mundo. E isso acontece na nossa vida: nós todos temos esses dois ‘espíritos’, digamos assim. O Espírito de Deus nos leva às boas obras, à caridade, à fraternidade, a adorar Deus, a conhecer Jesus, a fazer tantas obras boas de caridade, a rezar: isso. E o outro espírito do mundo, que nos leva em direcção à vaidade, ao orgulho, à suficiência e à má-língua: um caminho completamente diferente. O nosso coração - dizia um santo - é como um ‘campo de batalha, um campo de guerra onde esses dois espíritos combatem”.

A vocação baptismal de todos os cristãos é a de aprenderem com Jesus a conduzirem a sua existência segundo a vontade de Deus, e sabendo que não estamos sós porque somos chamados a caminhar em co munhão com os outros e a buscarmos nos ministros de Deus a sabedoria da Palavra de Deus, a força do Espírito e a Graça dos sacramentos no quotidiano da nossa vida. A missão dos padres é nesse sentido a de ser um rosto feliz do Amor de Deus para todos sabendo em cada circunstância, à luz do dom recebido e do próprio caminho que faz, ser um pai, um pastor e um amigo.

A vida é sempre cheia de exigências e desafios que muitas vezes parecem impossíveis de ultrapassar, mas como diz a Sagrada Escritura e a sabedoria da Igreja, Deus jamais nos prova acima das nossas forças e com as provações também nos envia a consolação do seu Amor.

Eu sou padre porque acredito nisso, na medida em que o experimento na minha vida e muitas vezes sou testemunha e instrumento do Senhor Jesus para Ele chegar à vida dos outros. Foi por isso que o Senhor me chamou, servo inútil, e me enviou a ser sua presença para quem O quiser receber. Ele está sempre à nossa espera e não desiste de a todos chamar para si!

Pe. Ricardo Franco

Edição 1242 - 7 de Setembro de 2018