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A arte de educar!

A educação dos filhos é uma prioridade de todas as sociedades. Os mais velhos assumem a missão fundamental de transmitirem aos mais novos os conhecimentos adquiridos pela experiência e a história, e dessa forma prepará-los para os desafios constantes da existência, e a torná-los capazes de descobrirem qual o seu papel que querem no futuro. Acho sempre entusiasmante poder ajudar os outros a crescer e, para isso, ser capaz dar de mim no sentido de contribuir para que estes aprendam as maravilhas da vida.

A tarefa é enorme e extremamente custosa de desempenhar. O desafio passa por ser capaz de, através do conhecimento, levar a que outros se conheçam e aperfeiçoem as suas capacidades intelectuais e cognitivas, e simultaneamente vão descobrindo o seu lugar e vocação na sociedade. A educação tem a ver com a arte de saber conduzir o outro, caminhar ao seu lado, possibilitar que o seu espírito se eleve de forma a levar uma existência plena e não caminhe numa deriva sem sentido. O mundo ocidental vive uma crise cultural avassaladora, instalada de uma tal forma que parece impossível contrariar.

Hoje vende-se o vazio e o nada como se de tesouros se tratassem, e as pessoas passam os dias sem grandes ideais, e habituadas a não terem um horizonte maior do que os olhos alcançam no momento. A lógica do descartável e do efémero faz com que o maior interesse que as pessoas possam almejar é a de passarem bons momentos. O ‘carpem diem’ (aproveita o momento/dia) hodierno é tão pernicioso que os valores fundamentais e fundantes da sociedade são considerados retrógrados e é considerado bom tudo o que fizer fazer sentir bem no agora do instante vivido.

O retrato não é nada agradável, mas apenas serve para ganharmos consciência redobrada da urgência de educar os mais novos no sentido de que estes aprendam as verdades essenciais da vida. Talvez muitas vezes lhe tenhamos dito que é importante estudar para terem um futuro garantido a nível económico, esquecendo-nos que o que está verdadeiramente em jogo é eles serem responsáveis e aprenderem a pôr os seus ‘dons a render’ numa dialética de relação com os outros.

No mundo animal os progenitores ensinam as crias a procurar o seu sustento e a realizar o que lhes é próprio. A finalidade da educação na sociedade é a de ajudar a que os outros sejam felizes, na medida em que cada um encontra o seu lugar e contribui para o bem comum. Tenho consciência que estas minhas palavras soam descontextualizadas, e se calhar para alguns é apenas ‘discurso de padre’ desfasado da realidade, contudo é o que acredito e procuro realizar na minha vida.

Educar não passa por procurar nos outros uma realização pessoal nunca antes atingida, mas é uma nobre missão de fazer da vida um serviço. Ainda esta semana Bono Vox, vocalista dos U2, depois dos dois concertos realizados em Portugal, foi recebido pelo Papa Francisco para falarem da ‘missão educativa’ e como ambos podiam colaborar nela a um nível global.

O início do Ano Escolar será uma oportunidade renovada para os pais falarem com os seus filhos do que representa irem à escola, e como esta é necessária para os ajudar no seu crescimento como pessoas, a desenvolverem as suas capacidades, e adquirirem os conhecimentos necessários para a entenderem o mundo e a sociedade.

É importante que estabeleçam prioridades e como educadores não se esqueçam da necessidade de uma formação integral, e nesse sentido que todo o conhecimento intelectual sem a vertente espiritual é redutor da própria pessoa. Igualmente alerto para o perigo de terem os filhos em tantas actividades extracurriculares que estes ficam sem tempo para si, deixando de saber conviver de uma forma sã e equilibrada com os outros.

Quando penso em educação vem-me sempre à memória a forma admirável com Lucas resumiu toda esta etapa da vida do Filho que Deus tinha confiado a Maria e a José: “E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça, diante de Deus e dos homens.” (Lc 2, 52) Assim o desejo para todos os filhos que Deus nos confia!

Pe. Ricardo Franco

Edição 1243 - 21 de Setembro de 2018