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Povoações têm de adaptar a construção ao clima e à subida do nível do mar defende especialista da ONU

Praia da Areia Branca

Os núcleos urbanos vão ter obrigatoriamente de se adaptar à realidade das alterações climáticas e da subida do nível do mar no planeamento de novas infraestruturas e construção de novos edifícios, defendeu hoje uma especialista em urbanismo. “As cidades estão sempre em transformação e se cada acção de hoje for adaptada para o futuro, será possível construir aos poucos cidades mais resilientes, sem grandes investimentos, mas implicando um planeamento, regulação e ordenamento dessas acções pelo poder público para orientar o privado”, disse à Lusa Maria Lemos.

A especialista leciona planeamento e design urbanismo na Universidade Católica do Rio de Janeiro e é uma das cientistas que integra o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), organização científica criada no âmbito da ONU, que juntou até hoje na Universidade do Algarve mais de 250 especialistas em alterações climáticas, numa reunião técnica de um dos grupos de trabalho do IPCC que estão a elaborar um novo relatório de avaliação da situação global relativa às alterações climáticas.

Segundo Maria Lemos, “é necessário enfatizar a noção de urgência na tomada de decisões nas cidades”, sendo que na base da resolução de problemas deve estar a “redução das desigualdades”, pois são as diferenças socioeconómicas nas cidades que “dificultam a mudança”. “Os edifícios nas áreas costeiras têm de passar a ser regulados tendo em conta os níveis de risco da proximidade do mar, resultado de estudos que têm em conta os cenários climáticos previstos e como esse risco vai ocorrer ao longo dos anos”, sublinhou.

Outro exemplo apontado são os sistemas de escoamento das cidades, que são “rígidos” e não acompanham “a imprevisibilidade do actual contexto climático” e as previsões futuras. Nesse sentido, a cientista defende que devem ser adoptadas soluções híbridas, que tendem a ser “mais robustas e efectivas”, misturando as estruturas rígidas “com soluções verdes e mais flexíveis, como pavimentos permeáveis, ou jardins de chuva”, que fazem um aproveitamento da água ou ajudam à sua infiltração no solo. “Cada lugar vai ter uma solução específica, não há soluções pré-concebidas, por isso vai ser necessário haver muita criatividade para lidar com a incerteza das alterações climáticas”, alertou.

Os edifícios já construídos constituem uma dificuldade, mas a especialista advertiu que “nada novo pode aumentar esse problema” e que isso deve ser um “compromisso sério” do poder público. “Há locais onde não se vai poder construir, ponto!”. Por isso o compromisso público “é fundamental” já que é a quem compete “diagnosticar, regular e informar (as populações) dos riscos”. Maria Lemos revelou, no entanto, que é possível “adaptar o que já existe” com redução de perdas de energia, criação telhados verdes com captura de água, melhoramento do conforto térmico ou do consumo de energia com vidros duplos ou revestimentos. “Já é um grande contributo”.

A professa universitária brasileira defendeu que a população tem de estar informada e esse é um papel que compete também à comunicação social, realçando que há “alguns grupos no Brasil muito comprometidos” com esse papel, prestando “um serviço público”, que pode ser muito importante, por exemplo, para “impedir a construção de um hotel na duna, devido à pressão da população”. Maria Lemos alertou, no entanto, para outros grupos de media que “são negacionistas” das alterações climáticas, o que classifica como “muito grave”.

Texto: ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: Sofia de Medeiros/ALVORADA (arquivo)