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Presidente da Turismo Centro defende modelo para regionalização administrativa do país

Pedro Machado

As entidades regionais de turismo devem servir de modelo para a criação de regiões políticas e administrativas, sendo um erro transferir competências nesta área para as actuais comissões de coordenação, defendeu hoje o presidente da Turismo do Centro. Pedro Machado disse hoje à agência Lusa que "acompanha vivamente" a posição do presidente da Associação Nacional dos Municípios Portugueses, Manuel Machado, que defendeu esta quinta-feira "que é tempo de ultrapassar o tabu da regionalização", encarada como "a oportunidade para a modernização do Estado" português.

O presidente da Turismo do Centro deixa, no entanto, alguns alertas para a maneira como deve ser conduzido o processo, adiantando que a regionalização na área do turismo deve ser acompanhada de "meios técnicos, humanos e de recursos", para ser eficaz. Pedro Machado defende que a divisão do país em regiões administrativas deve também ser acompanhada "pela revisão do modelo" das actuais Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR), já que "a experiência dos últimos anos mostra que tem havido muita coordenação e pouco planeamento".

O líder da entidade regional diz que concentrar competências do turismo nas CCDR é um erro, lamentando que "alguns membros do Governo" tenham publicamente defendido essa possibilidade, "contrariando o programa do Governo e até o espírito" do Primeiro-Ministro António Costa. "Tal como aconteceu recentemente na área da Saúde, acho que o chefe do Governo pode estar a receber informações erradas", refere Pedro Machado, que lembra que o modelo das regiões de turismo envolve os privados, que integram até os respectivos órgãos dirigentes. Considera por isso "um erro técnico querer colocar na máquina administrativa do Estado as organizações que hoje elegem e são eleitas nos colégios regionais e que participam no modelo de governação das organizações regionais do turismo".

O responsável da Turismo do Centro, entidade que agrupa cem municípios, entre os quais os 12 da região Oeste, diz ainda que a concentração de competências de turismo na máquina do Estado "é afastar de forma deliberada os agentes privados que estão hoje associados ao sector e que dessa forma não vão poder participar no modelo de governação das comissões de coordenação". Pedro Machado garante que as entidades regionais "clamam vir a assumir competências que estão na esfera do Turismo de Portugal, no sentido de optimizar a cadeia de serviços", reforçando o seu trabalho e presença em todo o território nacional.

Texto: ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: Paulo Ribeiro/ALVORADA /arquivo)