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Políticas actuais estão a conduzir a Terra para um aquecimento de 2,8°C

terra planeta

As Nações Unidas alertaram ontem que as políticas internacionais actuais estão a dirigir a Terra para um aquecimento de 2,8°C até ao fim do século, um resultado que, para o secretário-geral, António Guterres, “lamentavelmente não está à altura”.

Dirigimo-nos para uma catástrofe mundial”, avisou Guterres numa mensagem em vídeo, no dia em que um relatório do Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) conclui que, longe de limitar o aquecimento global a 1,5ºC ou 2°C acima dos níveis pré-industriais, a forma como os países estão a agir agora, incapazes de cumprir as suas próprias promessas, levará as temperaturas a atingir 2,8°C até 2100.

Se forem cumpridos os compromissos concretos assumidos na última conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP26), que decorreu em Glasgow no ano passado, esta projecção apenas diminui para 2,4 ou 2,6°C até ao final do século, consoante se trate de promessas condicionais e incondicionais, respectivamente, estima o relatório, alertando que actualmente a Terra já está 1,1°C mais quente do que nos tempos pré-industriais.

A menos de duas semanas da COP27, na cidade egípcia de Sharm el-Sheik, Guterres avisou que os objectivos de neutralidade de carbono "não valem nada" sem acções para honrá-los e pediu aos Governos, em particular aos do G20, o grupo das 20 maiores economias mundiais, mas também aos privados e instituições financeiras, para "fechar a lacuna" entre esses compromissos e o que seria necessário para respeitar os objectivos do acordo de Paris.

Guterres avisou que o “mundo não pode dar-se ao luxo de ‘greenwashing’”, expressão que significa a apropriação ilegítima de virtudes ambientalistas por parte de pessoas ou instituições através de técnicas de marketing e relações públicas.

Milhares de empresas anunciaram metas de neutralidade carbónica, mas muitas são suspeitas ou acusadas abertamente de não cumprirem o seu compromisso em acções ou investimentos, o que é facilitado pela ausência de uma estrutura internacional comum para avaliar e supervisionar os compromissos de redução de emissões.

António Guterres, recordando a necessidade de investir “massivamente” nas energias renováveis, apelou ainda para a criação de um “pacto histórico” entre as economias desenvolvidas e emergentes do G20 “para impulsionar uma transição energética justa”.

Segundo o relatório do PNUA, o mundo está a afastar-se dos combustíveis fósseis demasiado devagar.

O Acordo de Paris, principal tratado de combate ao aquecimento global concluído em 2015, estabelece o objectivo de conter “o aumento da temperatura média do planeta bem abaixo de 2°C” e, se possível abaixo de 1,5°C em relação à era pré-industrial, quando os humanos começaram a usar em quantidade os combustíveis fósseis.

A COP26 convocou os quase 200 países que assinaram o acordo a fortalecer suas cartas de compromisso detalhando seus planos de redução de emissões, tecnicamente chamadas de "contribuições determinadas nacionalmente" (NDC).

Até ao final de Setembro, apenas 24 países haviam apresentado NDC novas ou revistas, o que só ajudaria a reduzir as emissões em 2030 em apenas um pequeno ponto percentual adicional, segundo cálculos do PNUA.

Texto: ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: Direitos Reservados (arquivo)