Pesquisa   Facebook Jornal Alvorada
Assinatura Digital

Login na sua conta

Username *
Password *
Lembrar-me

Criar uma conta

Campos marcados com (*) são obrigatórios.
Nome *
Username *
Password *
Confirmar Password *
Email *
Confirmar email *
Captcha *
Reload Captcha

Investigadores do Politécnico de Leiria e da Universidade Federal do Ceará estudam o potencial das algas para o tratamento da doença de Parkinson

IPL

Avaliar as propriedades anti-inflamatórias e neuroprotectoras de macroalgas da costa de Peniche e da costa do Ceará para o tratamento da doença de Parkinson foi o grande objectivo do projecto levado a cabo por uma equipa internacional e multidisciplinar de investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) do Politécnico de Leiria, da Universidade Federal do Ceará, do BioISI - Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e da Universidade de Santiago de Compostela, cujos resultados finais foram apresentados ontem à tarde, numa sessão pública realizada em Peniche.

O projecto 'CROSS-ATLANTIC' teve como um dos principais objectivos extrair e isolar polissacarídeos sulfatados (SP) a partir de nove macroalgas da costa de Peniche e quatro da costa do Ceará e avaliar as suas propriedades anti-inflamatórias e neuroprotectoras em modelos 'in vitro' e 'in vivo' da doença de Parkinson. Esta doença caracteriza-se pela morte dos neurónios dopaminérgicos, responsáveis pela produção do neurotransmissor dopamina, levando ao desenvolvimento de limitações físicas como tremores, movimentos involuntários, etc.

Segundo explicou Celso Alves, investigador do MARE - Politécnico de Leiria, "os resultados obtidos demonstraram que algumas destas macromoléculas conseguem reverter os efeitos da neuroinflamação e neurotoxicidade prevenindo a morte dos neurónios dopaminérgicos". Tendo por base estes resultados, "iniciou-se os ensaios em modelos animais, os quais foram tratados com uma neurotoxina, 6-hidroxidopamina, induzindo a condição da doença de Parkinson". Quando estes animais foram tratados na presença de polissacarídeos sulfatados obtidos de duas algas vermelhas, "observou-se uma prevenção do fenómeno de neurodegeneração demonstrando melhorias comportamentais, modulando diferentes vias de sinalização intracelular relacionadas com o processo de neuroinflamação e neurodegeneração, assim como estimulando a expressão de factores neurotróficos essenciais para o crescimento, sobrevivência e diferenciação dos neurónios", afirmou o responsável.

De acordo com o investigador, os resultados do projecto "são altamente motivantes e desafiantes e abrem claramente novas oportunidades de investigação para explorar o potencial farmacológico destas moléculas no tratamento da doença de Parkinson".

Celso Alves explicou ainda que actualmente "não existe uma cura efectiva" para esta doença, "existindo apenas fármacos que permitem tratar a sintomatologia e/ou retardar o desenvolvimento da doença". Aliando a realidade que a ocorrência das doenças neurodegenerativas é expectável aumentar substancialmente nas próximas décadas, "fortalece ainda mais a nossa motivação e interesse em prosseguir com este estudo", disse. "Após compreender que estas macromoléculas administradas por via oral possuem capacidade de manter o efeito neuroprotector em modelo animal, o grande objectivo passa por compreender de que forma estas moléculas chegam ao cérebro e como promovem os efeitos observados".

O projecto teve início em Julho de 2018, no entanto, face à situação pandémica em Portugal e no Brasil, foi sofrendo alguns contratempos, com a equipa de investigação a ter de definir prioridades. Assim, existem polissacarídeos sulfatados de outras macroalgas que continuam a ser explorados nesta área e poderão aumentar o número de moléculas com potencial neuroprotector.

Sobre a aplicação prática deste projecto na sociedade e a utilização destas algas no tratamento da doença de Parkinson, Celso Alves afirma que "a equipa, por si só, é altamente optimista e as expectativas são muitas, mas sabemos que o percurso inerente ao desenvolvimento de novos fármacos é longo e apresenta grandes desafios".

Contudo, segundo o investigador, isso não limita as ambições da equipa, que acredita que o conhecimento produzido "poderá contribuir para desenvolver e/ou inspirar novas abordagens terapêuticas nesta área". "Torna-se também importante realçar que este trabalho contribuirá efectivamente para o aumento do conhecimento científico acerca das potencialidades destas macromoléculas e, consequentemente, dos nossos recursos marinhos, o qual ficará disponível para a sociedade", concluiu.

O projecto 'CROSS-ATLANTIC' foi financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia e pela Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico.

Texto: ALVORADA