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Ucrânia: 7.000 médicos de Portugal exigem cessar-fogo e abertura de corredor humanitário

Ucrania guerra lusa

Cerca de 7.000 médicos que exercem em Portugal exigem numa carta aberta, hoje divulgada, o cessar-fogo imediato na Ucrânia e a abertura de um corredor humanitário, independente e livre que permita ajudar as pessoas e salvar vidas.

“Nós, médicos a exercer em Portugal, opomo-nos ao conflito que se trava neste momento em território ucraniano e apelamos urgentemente ao cessar-fogo, bem como à existência imediata de um corredor humanitário independente e livre que permita que a ajuda chegue efetivamente a quem precisa”, afirmam os médicos na carta, a que a agência Lusa teve acesso.

O desafio para os médicos que trabalham em Portugal assinarem esta carta foi lançado pela Ordem dos Médicos (OM) no sentido de “salvar as pessoas feridas em combate, que estão a sofrer, sejam ucranianas ou russas”, mas também fazer chegar à Ucrânia alimentos, água, medicamentos e material médico, disse à Lusa o bastonário. “Independentemente da guerra, os feridos têm direito a ser tratados. É uma questão de direitos humanos e é nessa perspetiva que lançamos este grito de alerta que vai ser replicado um pouco por todo o mundo”, salientou.

Segundo o bastonário da OM, os milhares de médicos que assinaram a carta são portugueses, russos, ucranianos, ingleses, cubanos, brasileiros, espanhóis e de outras nacionalidades. “Felizmente em Portugal temos uma diversidade de nacionalidades, no âmbito da Medicina, que é importante e uma mais-valia para nós”, referiu.

Para Miguel Guimarães, os médicos têm obrigação de tomar uma atitude como esta “na defesa da neutralidade médica, na defesa daquilo que é o acesso aos cuidados de saúde por parte dos doentes, neste caso dos feridos de guerra”. “Isto é absolutamente essencial e faz parte daquelas regras básicas que devem sempre existir nessas circunstâncias”, disse, frisando que “a guerra não pode valer tudo” como o bombardeamento de hospitais, o que considerou um crime.

Na carta, os médicos apelam “ao fim imediato das hostilidades e à resolução de todas as questões políticas exclusivamente por meios pacíficos”. “Jurámos consagrar a nossa vida ao serviço da humanidade. A nossa missão é salvar vidas humanas. Queremos um mundo sem medo. Onde ninguém tenha de sofrer sem acesso a cuidados médicos. Queremos a ciência ao serviço da vida e não da destruição”, afirmam na carta, justificando que estão “juntos pela paz e pela vida, com humanismo e solidariedade”.

Assumem-se como “os soldados da paz, que não desistem de lutar pela vida das pessoas, que não deixam ninguém para trás, que cuidam e protegem os seus doentes”. “Ser médico é estar na linha da frente, na liderança, sem deixar ninguém sozinho, em tempo de paz e de guerra. Existimos para servir os nossos doentes”, afirmam os signatários, vincando que não dividem as pessoas em “amigos e inimigos” e não permitem que “considerações de religião, nacionalidade, raça, partido político, ou posição social se interponham” entre o seu dever e o seu doente. Os médicos alertam que impedir a assistência médica dos doentes viola o direito internacional e as regras básicas da vida humana” e que “é uma obrigação dos países em conflito e de toda a comunidade global” garantir o “total acesso a cuidados de saúde” às vítimas.

ONU pede “corredores seguros” para ajuda humanitária em zonas de combate

A ONU “precisa de corredores seguros para fornecer ajuda humanitária em zonas de combate” na Ucrânia, disse hoje o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários e Coordenação de Operações de Emergência, Martin Griffiths, no Conselho de Segurança.

“Civis em zonas como Mariupol, Kharkiv, Melitopol e outros locais precisam desesperadamente de ajuda, especialmente suplementos médicos que salvam vidas”, adiantou Martin Griffiths, discursando numa reunião do conselho de emergência dedicada à crise.

O representante da ONU indicou que são possíveis “muitas modalidades” e que isso “deve ser feito em conformidade com as obrigações das partes sob as leis da guerra”. “As partes devem garantir em todos os momentos poupar civis, casas civis e infraestrutura nas suas operações militares”, anotou. Para Martin Griffiths, isso incluiu “permitir a passagem segura de civis que deixam áreas de hostilidades ativas de forma voluntária, naquilo que são as suas escolhas”, sabendo que os corredores humanitários planeados por Moscovo atraem os refugiados para a Rússia ou Bielorrússia.

Até ao momento, a ONU não se tem envolvido nos “corredores humanitários” negociados entre a Rússia e a Ucrânia, para que os civis possam fugir do conflito em segurança, de acordo com o seu porta-voz, Stéphane Dujarric. A ONU também alertou para a “necessidade urgente de um sistema de comunicação constante com as partes em conflito e de garantias para permitir a entrega de ajuda humanitária”, observou Martin Griffiths. “Um sistema de notificação humanitária vai permitir que ajuda seja entregue na escala necessária”, acrescentou.

Durante os discursos, a embaixadora dos Estados Unidos Linda Thomas-Greenfield denunciou com veemência o facto de haver “crianças a morrer” no conflito. “Também as crianças pequenas ficaram gravemente traumatizadas pela violência e destruição que testemunharam ao ponto de terem parado de falar. As feridas físicas e psicológicas desta guerra vão ser duradouras”, previu a diplomata, julgando ser “claro que Putin [Presidente da Rússia] tem um plano para brutalizar a Ucrânia”.

Para desenvolver a acção, a ONU enviou uma pequena missão a Moscovo que teve uma “primeira entrevista técnica” no Ministério da Defesa russo. O objectivo é “trabalhar numa melhor coordenação humanitária civil-militar que nos permita intensificar” as operações, disse Martin Griffiths. Segundo um alto funcionário das Nações Unidas, falando sob condição de anonimato, trata-se também de evitar quaisquer “erros” e que os comboios humanitários não sejam alvos de ataques russos.

Texto: ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: Lusa