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Covid-19: Vice-almirante Gouveia e Melo novo coordenador da ‘task force’ para vacinação

vice almirante Henrique Gouveia e Melo covid 19

O vice-almirante Henrique Gouveia e Melo é o novo coordenador da ‘task force’ para o plano de vacinação contra a Covid-19, substituindo Francisco Ramos, que apresentou a sua demissão do cargo, anunciou o Governo.

“O Governo nomeou o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo para coordenador da ‘task force’ do plano de vacinação contra a Covid-19 em Portugal”, adiantaram os ministérios da Saúde e da Defesa Nacional em comunicado, avançando que o militar assume essas funções de imediato.

Gouveia e Melo já integrava a ‘task force’, criada em Novembro de 2020, sendo o representante do Ministério da Defesa Nacional neste organismo que elaborou e está a coordenar a implementação do plano para vacinar os portugueses contra o novo coronavírus. No início de Janeiro de 2020, Henrique Gouveia e Melo tomou posse como adjunto para o Planeamento e Coordenação do Estado-Maior-General das Forças Armadas.

O coordenador da 'task force' para o Plano de Vacinação contra a Covid-19 em Portugal, Francisco Ramos, demitiu-se do cargo, anunciou hoje o Ministério da Saúde.

Em comunicado, o Governo esclareceu que a demissão de Francisco Ramos decorre de “irregularidades detectadas pelo próprio no processo de selecção de profissionais de saúde no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, do qual é presidente da comissão executiva”. Numa declaração enviada às redacções, Francisco Ramos acrescentou que as irregularidades diziam respeito ao processo de selecção para vacinação de profissionais de saúde daquele hospital.

A demissão ocorre numa altura em que são públicas diversas situações de vacinação indevida de várias pessoas em várias regiões do país e no dia em que arranca a vacinação em centros de saúde de idosos com 80 ou mais anos e de pessoas com mais de 50 anos com doenças associadas, numa fase que abrange cerca de 900 mil portugueses.

O novo coordenador da ‘task force' para o plano de vacinação contra a Covid-19 assegurou, esta noite, que vai apertar as regras e o controlo do processo, além de exigir uma maior consciencialização dos envolvidos. "Claro que vamos apertar mais as regras, o aperto das regras é uma coisa importante, e o aperto do controlo também é importante, e também a consciencialização das pessoas que estão no processo", afirmou aos jornalistas em declarações transmitidas pela RTP3. Questionado sobre as medidas concretas que vai implementar, o militar ‘jogou à defesa', mas sublinhou que já sabe quais são. "O problema não está no processo em si de vacinação, está nas vacinas chegarem ao país, e é um processo que é macro europeu, pelo que Portugal não pode fazer muito mais", lançou, garantindo que se sente capaz de ter êxito na nova missão, caso contrário, não teria aceitado o convite do Governo.

Segundo Gouveia e Melo, que reconheceu a existência de falhas na execução do plano de vacinação, "é prioritário actuar em todas as áreas, a começar pelas áreas onde não houve falhas"E acrescentou: "Vamos ter de analisar a razão das falhas e tentar evitar que elas se repitam. Há muita coisa para fazer, a lista é sempre grande. Imagine a complexidade de uma tarefa que é vacinar, grosso modo, duas vezes uma população de 10 milhões de habitantes".

De resto, o vice-almirante assegurou que "as Forças Armadas apoiam o processo de vacinação e apoiam o Ministério da Saúde", excluindo qualquer espécie de tomada de controlo das operações. "O Ministério da Saúde tem uma estrutura que executa a vacinação, é uma estrutura grande, e nós temos de trabalhar com as pessoas que estão no terreno. Não vem ninguém de fora mandar em estruturas que estão a trabalhar no terreno. É um apoio mútuo", vincou. De acordo com Gouveia e Melo, esta colaboração permite aproveitar a "organização e estrutura" militar e o "conhecimento e saber" dos outros profissionais no terreno. "Estou confiante que vamos conseguir ajudar a vacinar a população portuguesa e, haja vacinas, a vacinar o mais rapidamente possível", lançou.

Sobre as notícias dos últimos dias acerca de pessoas que estão a ser vacinadas indevidamente, considerou que tal "é lamentável", nem que fosse um único caso. "Bastava haver um desvio que fosse que era lamentável", comentou. Gouveia e Melo disse ainda que, como já faz parte da ‘task force', apenas terá de se adaptar à nova posição (de liderança), uma vez que conhece bem toda a estrutura.

Sobre o papel das Forças Armadas no combate à pandemia, o vice-almirante salientou o trabalho desenvolvido em coordenação com o Ministério da Saúde, exemplificando com o aumento em 10 vezes da capacidade de resposta dos hospitais militares de Lisboa e do Porto, com o envolvimento de 700 militares no rastreamento de utentes e no apoio ao plano de vacinação. "Nós somos ‘silent servçe', gostamos de prestar serviço de forma silenciosa, porque não é estarmo-nos a pôr em bicos dos pés que vai ajudar o povo português. Nós, militares, estamos a ajudar o Ministério da Saúde, quem tem que realmente fazer o processo e o executar é o Ministério da Saúde", frisou. Ainda assim, Gouveia e Melo reconheceu que "houve e há sempre, em todos os processos, alguma tendência de desorganização, mas isso faz parte", apontando para a "cultura militar", conjugada com as orientações do Ministério da Saúde, como a melhor resposta a dar neste momento.

O novo líder da ‘task force' adiantou ainda que o seu antecessor no cargo, Francisco Ramos, que pediu demissão, lhe transmitiu pessoalmente essa sua intenção, considerando que só o próprio pode avaliar se tinha ou não condições para permanecer no cargo. "Ele achou, de forma muito honrada, que face ao que aconteceu na instituição em que tinha responsabilidade [Hospital da Cruz Vermelha], e também na outra instituição, que é a coordenação da ‘task force', que não estava em condições de continuar. Tomou uma posição muito honrada e muito nobre", afirmou.

Gouveia e Melo, o ‘submarinista’ que assume a missão de vacinar os portugueses

O novo coordenador da ‘task force’ do plano de vacinação dedicou mais de quatro décadas da sua vida à Marinha, um “submarinista” que assume agora uma nova missão: vacinar cerca de 7,5 milhões de portugueses contra a Covid-19.

O vice-almirante Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo, adjunto para o Planeamento do Estado-Maior-General das Forças Armadas, tem estado desde o início da pandemia a preparar e a planear as acções conjuntas das Forças Armadas no terreno, nos lares de idosos, nas escolas e em apoio às autoridades de saúde.

O novo coordenador da ‘task force’, que substituiu hoje Francisco Ramos no cargo, está na dependência do almirante Silva Ribeiro, Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas (CEMGFA), oficial que dirige toda a resposta militar à pandemia sob a coordenação e a tutela do ministro da Defesa Nacional. Com formação de base como "submarinista" - foi chefe da Esquadrilha de Submarinos, a qual integrou entre Setembro de 1985 e até 1992 -, o vice-almirante tem um longo percurso no Ramo.

Henrique Gouveia e Melo, nascido em Moçambique em 1960, ingressou na Escola Naval em Setembro 1979 e navegou nos submarinos ‘Albacora’, ‘Barracuda’ e ‘Delfim’, exercendo diversas funções operacionais como oficial de guarnição e de comando. Tem ainda vários cursos de especialização, entre os quais de comunicações e de guerra electrónica, o que o torna uma autoridade na matéria no Ramo, sendo também especialista em informações.

Foi porta-voz da Marinha e, antes de ser chamado para o EMGFA, era, desde Janeiro de 2017, Comandante Naval na Marinha e, antes disso, chefe de gabinete do então Chefe de Estado-Maior da Marinha, almirante Macieira Fragoso. Como comandante naval da Marinha, foi o responsável pelos trabalhos de recuperação pelo seu ramo em Pedrógão, na altura dos fogos, em 2017.

Hoje, em declarações à Lusa sobre a nomeação do novo coordenador da ‘task force’, o ex-Chefe de Estado Maior da Armada Almirante Melo Gomes disse que "é uma missão de grande significado patriótico, muito difícil e ninguém faz nada sozinho. Precisa de uma equipa que o apoie. Não para seu protagonismo, mas para o interesse nacional, é preciso que todos se entendam sobre este aspecto". Segundo Melo Gomes, nas alturas mais complicadas, vem à “superfície a necessidade de recorrer a quem sabe e tem condições para exercer os cargos e os militares têm condições para fazer um planeamento adequado, desde que tenham uma equipa. Os militares têm sentido de serviço e disciplina".

Sendo inédito no Portugal recente a nomeação de um militar para funções civis, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo era considerado no meio militar um dos possíveis sucessores do actual Chefe de Estado-Maior da Armada, Mendes Calado, cujo mandato termina em Março.

No percurso da sua carreira, Gouveia e Melo foi ainda distinguido com diversas condecorações, como a Ordem Militar de Avis - Grau Comendador, oito Medalhas Militares de Serviços Distintos, a Medalha de Mérito Militar de 1.ª, 2.ª e 3.ª Classe, a Medalha da Defesa Nacional de 1.ª Classe, a Medalha Militar de Cruz Naval de 3.ª Classe, a Medalha Militar de Comportamento Exemplar - ouro e, mais recentemente, a Ordem de Mérito Marítimo por parte da Marinha Francesa e a Medalha da Ordem do Mérito Naval - Grau Grande Oficial, atribuída pela Marinha do Brasil.

Em comunicado divulgado hoje, o Ministério da Saúde esclareceu que a demissão de Francisco Ramos decorre de “irregularidades detectadas pelo próprio no processo de selecção de profissionais de saúde no Hospital da Cruz Vermelha Portuguesa, do qual é presidente da comissão executiva”.

Numa declaração enviada às redacções, Francisco Ramos acrescentou que as irregularidades diziam respeito ao processo de selecção para vacinação de profissionais de saúde daquele hospital.

Texto: ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: Marinha