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Covid-19: Sociedade de Emergência Pré-Hospitalar pede critérios de não transporte de doentes

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A Sociedade de Emergência Pré-Hospitalar quer que sejam definidos critérios para não transportar doentes para as urgências, quando não se justifique, e relata pelo menos três casos de doentes que morreram nas filas de ambulâncias junto aos hospitais, um dos quais junto ao Hospital de Torres Vedras.

Em declarações à agência Lusa, Nelson Batista, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Emergência Pré-Hospitalar (SPEPH), criticou o facto de mais de 90% das chamadas para o INEM resultarem em envio de ambulâncias e no transporte de doentes para as urgências hospitalares, dizendo que em alguns casos esse transporte poderá não ser justificado.

Nelson Batista sublinhou com o aumento da pressão nos hospitais por causa da pandemia de Covid-19 esta situação resulta num acumular de viaturas junto às urgências dos hospitais com doentes à espera de serem atendidos e relata pelo menos três mortes de doentes nestas circunstâncias nos últimos dias. “Sempre que é enviada ambulância [ao doente que pediu] ela acaba por levar o doente para um hospital pois não existem critérios de não transporte, como há na maior parte dos países europeus”, afirmou.

Segundo explicou o responsável, depois de o doente, quando liga para o INEM, ser sujeito a uma triagem do Centro de Orientação de Doentes Urgentes (CODU), quando a ambulância chega ao hospital o doente precisa de esperar para ser novamente sujeito a triagem, aguardando horas no interior das ambulâncias que diariamente têm formado filas nas urgências de alguns hospitais. “Além de termos doentes à espera dentro de ambulâncias nos hospitais, temos doentes horas à espera na rua e, neste momento, estão a vir ambulâncias de Sintra fazer serviço no centro de Lisboa”, contou.

Nelson Batista diz que os problemas não são de agora, mas lembra que a pandemia de Covid-19 veio agravar a situação, juntando aos problemas de gestão de meios a falta de capacidade hospitalar. “O erro do nosso sistema é que não temos uma rede primária a funcionar, com serviços de urgência básica fora dos hospitais para receber os doentes de menor urgência”, considera o responsável, sublinhando que como a rede de cuidados de saúde primários “é fraca” muitas pessoas que vão aos centros de saúde acabam encaminhadas para os hospitais.

Para a SPEPH, todo o Sistema Integrado de Emergência Médica deveria ser reavaliado e restruturado. “Já não conseguimos responder de forma adequada a situações mais complexas do dia-a-dia, quanto mais uma situação destas”, afirmou. “Só agora é que estão a começar a ser montadas estruturas de campanha para doentes menos urgentes quando já devia ter sido planeado. (…) Todos sabíamos que ia acontecer, era impossível não haver esta dimensão do problema, mas esperámos que acontecesse e agora é que se responde”, lamentou o responsável, sublinhando que “assim é difícil montar estruturas e arranjar recursos humanos para os colocar lá”.

Pela evidência da sobrecarga dos hospitais centrais e distritais, a SPEPH defende, em comunicado, a colocação de tripulantes de ambulância de socorro (TAS) e técnicos de emergência pré-hospitalar (TEPH) nos diversos meios de emergência pré-hospitalar, “permitindo assim que os elementos diferenciados ocupem postos diferenciados em locais diferenciados (hospitais), devidamente regulados, pelo médico regulador do CODU, acompanhados/regulados caso a caso”.

Entre outras propostas, a SPEPH defende ainda o reforço das unidades de saúde periféricas, como os serviços de atendimento permanente e serviços de urgência básica (SUB), “criando alguma capacidade de internamento e com capacidade de aliviar os serviços de urgência polivalente dos hospitais distritais e centrais” e recorda que os SUB têm, em permanência, dois médicos e dois enfermeiros. “A utilização destes recursos pode e deve ser potenciada como estratégia de catástrofe e com a responsabilidade de resolver as situações de menor gravidade”, defende.

A SPEPH considera ainda que a gestão de emergência desta pandemia devia ser assegurada pela ANEPC (Associação Nacional de Emergência e Protecção Civil), “com apoio das Forças Armadas, garantindo que a articulação de meios e recursos é correctamente efectuada". Defende igualmente a adequação da capacidade de triagem dos CODU “ao estado que vivenciamos, de forma evitar o envio de meios de Emergência Médica Pré-Hospitalar para situações que não são Emergência Médica”, assim como uma mais célere articulação dos hospitais com o CODU relativamente às vagas disponíveis.

Texto: ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: Paulo Ribeiro/ALVORADA (arquivo)