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Projecto lançado hoje quer melhorar monitorização de áreas marinhas protegidas

berlengas 23

Um consórcio que junta oito entidades quer melhorar a monitorização das áreas marinhas protegidas (AMP) portuguesas, e está a desenvolver ferramentas como um portal para dar a conhecer essas áreas e que hoje foi tornado publico. O portal é a primeira de uma série de acções lançadas pelo projecto ‘BiodivAMP’ e destinadas a ajudar a preservar a biodiversidade das AMP e salvaguardar o sustento das comunidades piscatórias.

Segundo um comunicado hoje divulgado, o BiodivAMP - Desenvolvimento de Ferramentas para a Monitorização e Protecção de Biodiversidade em Áreas Marinhas Protegidas ao Longo da Costa Portuguesa, é liderado pelo ISPA - Instituto Universitário e pelo MARE - Centro de Investigação em Biologia Marinha, reunindo especialistas de várias outras entidades e financiado pelo Fundo Azul.

De acordo com o comunicado, divulgado pela Associação Natureza Portugal, parceira em Portugal da World Wide Fund for Nature (WWF) e que faz parte do consórcio, o portal pretende dar a conhecer as AMP existentes no país, demonstrar a sua importância e divulgar as iniciativas que estão a ser tomadas para as proteger. Citado no documento, Gonçalo Silva, investigador do MARE - ISPA e responsável pelo projecto, diz que “a criação de Áreas Marinhas Protegidas tem sido uma das ferramentas mais utilizadas para a conservação de habitats e recursos marinhos, regulando as diferentes actividades”, mas adianta que a maioria das AMP é apenas “moderadamente protegida” e em alguns casos nem existe “qualquer monitorização ou gestão adequada”.

No comunicado salienta-se ainda que os ecossistemas marinhos portugueses estão sob ameaça e que é preciso “reduzir a pressão sobre espécies com interesse comercial e fornecer refúgio para espécies mais sensíveis”. É por isso, acrescenta o documento, “fundamental garantir uma gestão eficaz das AMP” e “reduzir a pressão da actividade humana para que os ecossistemas tenham uma maior resiliência, assim como aumentar os ‘stocks’ de pesca, mantendo a longo prazo os meios de subsistência locais”.

Além do portal, o projecto BiodivAMP está a preparar um Manual de Boas Práticas para a monitorização, gestão e governança de AMP na costa portuguesa, e tem em curso um projecto-piloto de monitorização da biodiversidade, estando a ser estudados os ecossistemas marinhos de seis das 83 AMP estabelecidas em Portugal. Nessas seis AMP vão ser recolhidas amostras de água e de solo para depois ser detectada a presença de DNA livre de diferentes espécies marinhas.

Uma AMP é uma zona geograficamente delimitada onde são aplicadas restrições a diferentes actividades humanas, para assim proteger a biodiversidade marinha, tanto de habitats e ecossistemas como de espécies. Existem em Portugal 83 AMP, uma das quais é a Reserva Natural das Berlengas, que correspondem a 1% das águas territoriais (até 12 milhas náuticas da costa), mas representando apenas 0,03% de toda a zona económica exclusiva (até 200 milhas náuticas).

O Fundo Azul é gerido pela Direcção-Geral de Política do Mar do Ministério do Mar, que gere as verbas relativas à componente ‘mar», constantes do Fundo Português do Carbono, do Fundo para a Conservação da Natureza e da Biodiversidade, do Fundo Sanitário e de Segurança Alimentar Mais e do Fundo para a Sustentabilidade Sistémica do Sector Energético.

Texto: ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: Paulo Ribeiro/ALVORADA (arquivo)