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IP diz que greve não perturbou comboios, sindicato fala em encerramento da Linha do Oeste

Linha do Oeste

A IP - Infraestruturas de Portugal diz que a greve de hoje não causou quaisquer constrangimentos na circulação ferroviária, mas o Sindicato do Sector Ferroviário fala no encerramento total da Linha do Oeste e em perturbações em todo o país.

Numa nota enviada às redacções, a IP informa que, às 10h00, a circulação ferroviária estava a ser assegurada "sem qualquer constrangimento" e que estavam a ser cumpridas "todas a ligações, tanto dos comboios de médio e longo curso, como dos comboios urbanos e suburbanos", mas o sindicato diz que a paralisação está a provocar perturbações em todo o país e algumas supressões de comboios.

Em declarações à agência Lusa, Abílio Carvalho, do Sindicato Nacional do Sector Ferroviário, disse que, "além do que é visível, com o encerramento total da Linha do Oeste, perturbações e supressões de comboios um pouco por todo o país", há uma "adesão muito grande dos trabalhadores das infraestruturas rodoviárias e ferroviárias, quer da manutenção das estradas, quer da via ferroviária". "Na manutenção das infraestruturas a adesão é também muito participada", disse o responsável.

Questionado sobre se já dispunha de dados concretos e percentuais dessa adesão, Abílio Carvalho remeteu para a IP, dizendo que "detalhadamente só a empresa poderá transmitir os dados, provavelmente não hoje, pois terá de fazer o balanço do que foi a participação na greve em todo o país". "Esperemos que seja sinal claro para a empresa, pela intransigência que teve ao não cumprir o compromisso que assumiu com os trabalhadores há um ano, nomeadamente o Acordo Coletivo de Trabalho", sublinhou.

Ao início da manhã, a CP, num balanço do período entre as 00h00 e as 8h00, disse que a greve apenas tinha impedido a realização de seis comboios regionais. De acordo com os dados da CP, no período entre as 00h00 e as 8h00, efetuaram-se 69 dos 75 comboios regionais e cumpriram-se todos os programados nas ligações de Longo Curso (11) e no serviço Urbano de Lisboa (114) e Porto (51). Os serviços mínimos definidos para a greve de hoje determinam que os comboios que se encontrassem em circulação à hora do início da greve tinham obrigatoriamente de chegar ao seu destino.

De acordo com a decisão do Tribunal Arbitral do Conselho Económico e Social, tinham ainda de ser assegurados os serviços necessários à movimentação do “comboio socorro”.

Para a IP - Infraestruturas, ficou definido que “esta empresa deverá disponibilizar canal para realização do transporte de mercadorias - matérias perigosas, 'jet fuel', carvão e bens perecíveis”. Para a IP - Telecom, S.A., foi decidido que “esta empresa deverá assegurar os serviços mínimos de telecomunicações de manutenção corretiva e supervisão da rede de telecomunicações por forma a garantir condições de exploração do canal”, o que implica dois trabalhadores dos Field Services Norte, dois trabalhadores dos Field do Sul, dois trabalhadores da Unidade de Comunicações e dois da Unidade de Datacenters & Cloud.

Os sindicatos acusaram a administração da IP e o Governo de não terem consideração para com os trabalhadores das empresas do grupo IP (Infraestruturas; Telecom; Património e Engenharia) e de nada terem feito para encontrar uma solução que “abrisse linhas de negociação das reivindicações e dos problemas dos trabalhadores”.

As estruturas sindicais queixaram-se de não ter sido apresentada pela empresa qualquer proposta que permitisse “abrir um processo de negociação sério, não só em torno da matéria salarial, mas de outras matérias identificadas pelas organizações sindicais".

Os clientes que já tenham bilhetes adquiridos para a data da greve, para viajar em comboios dos serviços Alfa Pendular, Intercidades, InterRegional e Regional, podem pedir o reembolso no valor total do bilhete ou a sua revalidação, sem custos. Estes pedidos podem ser apresentados até 10 dias após terminada a greve.

Texto: ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: Paulo Ribeiro/ALVORADA (aquivo)