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Desabafos

Serões na Província

Lembro-me bem dos serões lá em casa quando ainda andava de calções. O meu pai tinha uma pequena loja de comércio no rés-do-chão do edifício, o que fazia com que o jantar fosse a única refeição em que estava toda a família. Na altura também se trabalhava à hora do almoço.

O jantar era sagrado. Depois de fechar o estabelecimento e feita a higiene necessária, lá estava a família toda reunida em volta da mesa. A minha avó materna, os meus pais, os meus dois irmãos e eu.

Antes de iniciar o repasto, vinha o agradecimento: "Obrigado Senhor pelo comer que nos deste. Tu, que nos deste o comer sem o merecer, dá-nos também o Céu quando viermos a morrer. Ámen".

Acabada a refeição, lavada a louça e arrumada a cozinha, juntávamo-nos na saleta e aí era feita a catarse do dia. As alegrias e preocupações eram partilhadas. O meu pai, bem acolitado pela minha mãe, aconselhava e fazia-nos ver que a vida não estava fácil. Quando lhe pedíamos algo, fora do orçamento da família lá vinha com a velha máxima: "Vocês pensam que isto é uma vaca, que é só apertar a teta e sai leite".

Depois ouvia-se um pouco de rádio. Lembro-me particularmente das transmissões de hóquei em patins do Torneio de Montreux, em que eu ficava a ouvir, com o meu pai, iluminados apenas com a luz emitida pelo aparelho.

Depois... cama que se faz tarde que amanhã há escola.

João Henrique Farinha