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Educação para lá do óbvio

Na Lourinhã, está em discussão o modelo organizativo do território educativo do concelho e importa que toda a comunidade lourinhanense, sobretudo pais e encarregados de educação, possa refletir e pronunciar-se sobre este processo.

Ora, numa época de progresso tecnológico acelerado, assiste-se e vivenciam-se problemas a uma escala global, como os radicalismos religiosos e políticos; a discriminação e intolerância em relação às minorias; as crises humanitárias associadas a catástrofes naturais e/ou em resultado da guerra. Os desafios colocados à Escola são, por isso, enormes e exigem-lhe uma reconfiguração capaz de dar resposta a estes tempos de imprevisibilidade e de mudanças aceleradas.

Os princípios que orientam e dão base aos novos documentos orientadores da Escola (Perfil dos Alunos à Saída da Escolaridade Obrigatória, D-L 55/2018 e as Aprendizagens Essenciais) traduzem precisamente um modelo de Escola que visa a promoção de competências essenciais à construção de uma cidadania global e preconizam uma aprendizagem integrada dos saberes (de forma inter/multidisciplinar), metodologias de trabalho cooperativo (que promovem o inter-relacionamento) e um ensino centrado nos alunos (em que o professor assume o papel de tutor/orientador). Promove-se, assim, uma Escola que transmita o gosto e o prazer de aprender de forma a que, retomando o pensamento de Jaques Delors, os jovens aprendam a viver juntos, a respeitar a identidade cultural e a consciência histórica e a participar ativamente na construção da Democracia.

Em Portugal, verifica-se desde 2017 uma mudança de paradigma das políticas educativas, porque os normativos agora em vigor fomentam não só a criação de espaços de aprendizagem centrada no aluno, como momentos de aprendizagem baseada em resolução de problemas. Alves, Madanelo e Martins no trabalho publicado no nº 37 da Revista Gestão e Desenvolvimento (2019, p. 349) consideram que o novo plano de autonomia e flexibilidade concedido à Escola convida ao “abandono de um modelo disciplinar, uniformizador, de aprendizagem compartimentada e assente na transferência do conhecimento” e à adoção de “um modelo multidisciplinar de aprendizagem transformadora, alicerçado na diferenciação, na construção do conhecimento, na colaboração, na autonomia, na interdependência e na qualidade”.

Portanto, o novo modelo de autonomia e flexibilidade curricular fomenta e permite, como lembra Nádia Ferreira (no nº 151 da Revista Educação e Matemática, p. 1), que sejam “constituídas equipas educativas, formadas por docentes do mesmo grupo de docência ou de diferentes grupos, dependendo da natureza das questões em causa. Como tal, cada escola, de acordo com o seu projeto educativo e tendo em consideração as características das turmas e dos alunos, estabelece prioridades na gestão do currículo.”

Inquestionavelmente, a autonomia e a flexibilidade curricular vêm exigir que os professores trabalhem de forma colaborativa: todas as atividades letivas têm de ser planificadas e aferidas em reuniões semanais.

Voltando à Lourinhã, agora, temos dois Agrupamentos de Escolas, mas o Agrupamento de Escolas D. Lourenço Vicente e o Agrupamento de Escolas da Lourinhã poderão vir a fundir-se num só Agrupamento de Escolas com mais de 3000 alunos. A acontecer esta fusão, que implicações terá na comunidade educativa e na comunidade escolar? Poderá um giga-agrupamento de escolas, com mais de 3000 alunos, dar resposta aos desafios do milénio enunciados pela OCDE e pela UNESCO, promover o trabalho colaborativo e dar voz aos princípios que regem os documentos orientadores da Escola emanados do Ministério da Educação?

Importa que toda a comunidade educativa lourinhanense (composta por pais e encarregados de educação, professores e entidades oficiais) reflita publicamente sobre o modelo organizativo que melhor serve os princípios que subjazem ao paradigma educativo desenhado pelo Ministério da Educação: 1 ou 2 Agrupamentos de Escolas na Lourinhã? Mais ainda, é fundamental que pais e encarregados de educação contribuam para a discussão do modelo que melhor se adequa ao Projeto Educativo do município e ao dos Agrupamentos de Escolas: 1 ou 2 Agrupamentos de Escolas na Lourinhã? É imperioso que pais e encarregados de educação deem a conhecer a sua opinião e que ajudem a desenhar o modelo organizativo do território educativo que mais beneficia os seus filhos e educandos: 1 ou 2 Agrupamentos de Escolas na Lourinhã?

A Direção da APEE do AEDLV