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Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher remonta a 8 de Março de 1917, quando aproximadamente 90 mil operárias se manifestaram contra o Czar Nicolau II, pelas precárias condições de trabalho, a fome e os acontecimentos causados pela guerra russa, manifestação esta que ficou conhecida como “Pão e Paz”, tendo-se iniciado a ação de o assinalar em Maio de 1908 nos Estados Unidos da América, com uma manifestação de mulheres que lutavam pelos direitos de igualdade económica e social. Já mais tarde, em 1910, e durante a II Conferência Internacional de Mulheres Socialistas na Dinamarca, foi então decidida a data anual para a celebração dos direitos das mulheres pelas representantes dos 17 países presentes.

A data do Dia Internacional da Mulher ficou oficializada em 1921. As mulheres levaram anos a conquistar o direito ao voto, tendo sido em 1911, no primeiro ato eleitoral da I República (onde o voto era permitido a todos os chefes de família que soubessem ler) que Carolina Beatriz Ângelo, médica de profissão, viúva e com uma filha menor a seu cargo, e por isso, chefe de família, conseguiu que lhe fosse permitido exercer esse direito, tendo sido a única mulher votante nesse ato eleitoral.

Já só em 1931 foi permitido o voto às mulheres, ainda que com algumas restrições, nomeadamente apenas as que frequentaram o ensino superior e reconhecidas como chefes de família é que o podiam exercer. Apenas depois do 25 de abril de 1975, se tornou um direito universal em Portugal. Hoje, continuam a ser vários os temas em torno de políticas de igualdade de género, sendo fundamental a participação das mulheres nos órgãos de intervenção política local, nacional, internacional e mundial.

Numa altura em que a pandemia tanto tem afetado a vida familiar e laboral de todos, é inegável o facto de que os números de desemprego são manifestamente superiores no género feminino e que a violência doméstica (da qual é a mulher, a principal vítima) tem vindo a aumentar. O carácter simbólico deste dia merece uma reflexão profunda de todas e de todos em torno do papel da Mulher na Sociedade Civil e na luta de alguns direitos fundamentais que precisamos ainda de alcançar com vista a uma efetiva igualdade e paridade. Sabendo que a sociedade se encontra em todas as suas facetas e dimensões em constante mutação, não poderia deixar de lembrar o papel fundamental da Mulher na organização das Sociedades, procurando, de alguma forma ressalvar o devido reconhecimento pela permanente luta feminina numa sociedade assente num modelo de dominação masculina em todas as esferas, e por tal também no da esfera política, uma vez que o papel das Mulheres Socialistas do Oeste é também o de, por um lado estimular a um maior envolvimento e, por outro, a um maior reconhecimento do impacto das Mulheres na vida política.

A industrialização e o desenvolvimento capitalista, por exemplo, permitiram um domínio do homem face ao género feminino, sendo que nem os motes da Revolução Francesa - Liberdade, Igualdade e Fraternidade -, impulsionaram a importância do papel da Mulher na sociedade. Felizmente, estamos a alcançar alguma representatividade em lugares cimeiros na nossa Sociedade, desta forma dando esperança para as gerações vindouras. O tempo que vivemos é de grandes e novos desafios, um tempo para cumprir os objetivos da ONU, para uma sociedade 50/50, onde a paridade seja uma realidade efetiva e não apenas um princípio estabelecido em quota.

Termino citando Maria de Lourdes Pintassilgo: “A Democracia ou é paritária ou não é Democracia”.

Catarina da Silva, presidente do Departamento das Mulheres Socialistas - Igualdade e Direitos da Federação Regional do Oeste (MS-ID FRO)