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Desabafos: Estórias Curtas II

Esta coisa de cumprimentar os nossos amigos com os cotovelos (local para os quais nos mandam tossir) não me cabe na cabeça. Nós, os latinos, falamos com as mãos. É como tirar a tromba a um elefante ou as asas aos pássaros.

Fico a pensar nos esquimós, que se cumprimentam esfregando os narizes (kunik). Agora, esfregam o quê?

Porque será que com a máscara ficamos surdos?

Acabámos de descobrir que temos uma mercearia no bairro. E que ao fundo da rua há um excelente parque com árvores frondosas. Passamos lá todos os dias e nem nos tínhamos dado conta.

Também eu não conhecia a minha rua e afinal aqui há quase tudo. Farmácia, comércio, jornais, jardim, restaurante, café.

É o lado bom que o vírus trouxe. Começamos a dar mais valor ao que nos rodeia. O corona fez com que não sejamos como o invejoso que, em vez de sentir prazer com o que tem, sofre com aquilo que os outros têm.

Cumprimentamos (também) com os pés. Para os elevadores e para a tampa do lixo, usamos o cotovelo.

Se a função faz o órgão, qualquer dia nascemos só com o polegar para usar nas mensagens do telemóvel.

João Henrique Farinha