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Centro Hospitalar do Oeste abre inquérito a morte de bebé no Hospital das Caldas da Rainha

CHO logo

O Conselho de Administração do CHO - Centro Hospitalar do Oeste abriu um inquérito participando à Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) o caso de uma grávida que perdeu o bebé alegadamente por falta de obstetras no Hospital das Caldas da Rainha.

Em comunicado hoje divulgado, o Conselho de Administração do CHO esclarece que, na sequência da “ocorrência grave” com uma grávida na quarta-feira “foi aberto um processo de inquérito pelas IGAS, sendo, por isso, prematuro estabelecer qualquer relação de causa-efeito entre o encerramento da urgência obstétrica e o referido episódio”. Na nota, o Conselho de Administração lamenta “profundamente a morte registada e endereça sentidas condolências a todos os familiares”.

Numa primeira nota, o Conselho de Administração do CHO confirmou que na passada quinta-feira, a urgência obstétrica “teve constrangimentos no preenchimento da escala médica, o que determinou o encerramento da referida urgência ao CODU/INEM, após a definição de circuitos de referenciação de doentes com outros hospitais”.

A entidade gestora dos três hospitais públicos oestinos salienta ainda na nota que “não há nenhum nexo de causalidade estabelecido entre a morte do bebé e as limitações no preenchimento das escalas”. Na nota, o CHO salienta que tem “envidado todos os esforços para contratar profissionais necessários para providenciar a resposta necessária à população”.

Recorde-se que o CHO integra os hospitais do SNS de Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche, tendo uma área de influência constituída pelas populações dos concelhos de Caldas da Rainha, Óbidos, Peniche, Bombarral, Torres Vedras, Cadaval e Lourinhã e de parte dos concelhos de Alcobaça e de Mafra.

SIM alerta para os riscos da falta de resposta dos serviços de obstetrícia

O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) afirmou hoje que a falta de resposta dos serviços de obstetrícia é a “razão de fundo” para o que aconteceu com uma grávida que perdeu o bebé no hospital das Caldas da Rainha.

“Naturalmente que não podemos tirar conclusões antecipadamente, mas há uma razão de fundo” para o que aconteceu, disse à agência Lusa o secretário-geral do SIM, apontando “a falta de resposta” destes serviços como “a principal responsável para que isto possa ter acontecido”.

Jorge Roque da Cunha aludia ao caso que foi noticiado pela RTP de uma grávida que perdeu o bebé alegadamente por falta de obstetras no Hospital das Caldas da Rainha.

O dirigente sindical, que endereçou os pêsames à família e aguarda agora os resultados do inquérito, disse que tem vindo a fazer, há vários meses, “sucessivos alertas” para este problema. “Ainda ontem [quinta-feira], no nosso ‘site’ oficial, fizemos um apelo pungente ao Ministério da Saúde para os problemas que se sentem em hospitais como São Francisco Xavier, Caldas da Rainha, Barreiro, Setúbal, Almada, Amadora-Sintra, onde as escalas de urgências estão abaixo dos mínimos para os serviços de obstetrícia”, referiu. Perante esta situação, defendeu, “a atitude consciente” que tem de ocorrer é o encerramento dessas urgências.

“Os médicos se não estiverem no seu local de trabalho com as condições mínimas para garantir que possam salvar vidas, cumprir as suas obrigações, incorrem em penalizações éticas e deontológicas, para além de criminais”, salientou. Exemplificou como o serviço de urgência do Hospital Garcia de Orta, em Almada, que esteve sem atendimento urgente de ginecologia e obstetrícia durante o dia de quarta-feira e as 8h30 de quinta-feira. “Naturalmente, quando os problemas ocorrem, dada a dimensão e o volume das pessoas que aí ocorrem, a responsabilidade é dos médicos”, afirmando, vincando que “o Ministério da Saúde não pode ignorar este problema”.

“Nós termos alertado, os próprios médicos emitem escusas de responsabilidade por dificuldades nessas escalas e os conselhos de administração também farão o seu papel. Por isso, é fundamental que se contratem médicos, que se invista no Serviço Nacional de Saúde e que não tente ocultar o problema com propaganda”, apelou. Para Roque da Cunha, “não é possível” a situação manter-se assim, esperando que haja “um mínimo de consciência” por parte ministra da Saúde e que apresente “soluções em vez de propaganda”.

“Por isso, fazemos o apelo para que apresentem medidas e não adiem por mais tempo essas medidas que são tão necessárias", disse, frisando que também não é possível pedir mais trabalho aos médicos do Serviço Nacional de Saúde, muitos dos quais já realizaram “200, 300 horas extraordinárias nos primeiros meses do ano”.

Texto: ALVORADA com agência Lusa