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Presidente da Câmara das Caldas da Rainha defende novo hospital apenas para o norte do Oeste

Hospital Caldas da Rainha II

As Câmaras Municipais das Caldas da Rainha e de Óbidos pretendem apresentar uma nova proposta de localização para o futuro Hospital do Oeste, agora que foi concluído o estudo encomendado pela OesteCIM - Comunidade Intermunicipal do Oeste, apresentando para tal 60 hectares na zona da antiga fábrica Matel, no Bairro de São Cristóvão e no limite de ambos os concelhos. Em comunicado enviado ao ALVORADA, a presidência da Câmara Municipal das Caldas da Rainha, liderada pelo independente Vítor Marques, anuncia que é acompanhado nesta proposta pelo edil obidense, o social-democrata Filipe Daniel, tendo também auscultado o presidente da Câmara Municipal de Peniche, Henrique Bertino, para “a necessidade de efectuar uma [nova] proposta de localização”. Até ao momento, os autarcas de Óbidos e de Peniche não se pronunciaram publicamente sobre esta proposta.

Recorde-se que a localização do novo Hospital do Oeste foi estudada pela AD Nova IMS - Associação para o Desenvolvimento da Nova Information Management School da Universidade Nova de Lisboa, no documento entregue à OesteCIM e conhecido pelos representares das 12 câmaras com assento no conselho intermunicipal, coloca o Bombarral no topo das preferências para receber o futuro Hospital do Oeste, estando também a zona de Campelos junto ao nó da A8, no concelho de Torres Vedras, bem posicionada para acolher este equipamento, considerando a relação entre o número de utentes e a distância. A Quinta do Falcão, às portas do Bombarral e junto ao nó sul da A8, é apontada como a melhor escola tendo em conta o número de utentes e o tempo de deslocação. A OesteCIM decidiu entregar o estudo ao Ministério da Saúde para analisar e fazer a escolha definita do local para o futuro Hospital do Oeste para abranger toda a região.

Face ao documento agora revelado, o presidente da Câmara Municipal das Caldas da Rainha considera o estudo carece “de uma análise técnica e política aprofundada, e que o mesmo tenha de ser ponderadamente apreciado pelos órgãos autárquicos do Município das Caldas da Rainha (Câmara e Assembleia Municipal)”. Todavia, ainda assim, “sem pôr em causa a sua credibilidade técnica e científica”, refere que o estudo adianta, segundo determinados critérios (dos quais não constam a análise da envolvente do território, não tem em consideração as ofertas privadas de saúde e inclui outros territórios que beneficiam de outras ofertas hospitalares para além do CHO), uma análise qualitativa da saúde na região do Oeste e cenariza várias hipóteses de localização do Novo Centro Hospitalar do Oeste”. Ainda assim, Vítor Marques afiança que “o Governo não precisa de mais estudos para tomar as decisões políticas necessárias para defender os interesses da população e de novas políticas de saúde para a região do Oeste”, mas afirma também que “salvaguardando uma reflexão mais aprofundada, quer-nos parecer que o estudo em análise desenvolve uma ‘visão’ sectorial sem ter em devida consideração a dinâmica do território”.

O executivo independente da edilidade caldense critica o Estado por ter exigido aos municípios do Oeste - através da OesteCIM - a realização do estudo, que foi pago por todas as 12 autarquias, “num processo substitutivo” uma vez que se trata de “uma competência da responsabilidade política” do Governo. E recorda que essa exigência não foi feita para outros hospitais, dando o exemplo de Évora, Seixal, Algarve “e/ou mesmo do futuro Hospital Oriental de Lisboa”.

Num longo comunicado, a autarquia caldense destaca que a localização da nova proposta para que o investimento seja feito no concelho, deve-se à “pré-existência de um parque hospitalar que integra o CHO que tem mais de 50 anos, e que tem em curso a elaboração de um Plano Director Hospitalar que carece de um programa de investimento urgente”. Defende ainda que a zona da Mattel “tem como centralidade o território estudado”, dispondo de “fáceis acessibilidades (A8/A15 - rodovia e ferrovia), mobilidade sustentável, tem em conta a orografia e a propriedade do solo principais proprietários são o próprio Estado [Ministérios da Saúde e da Defesa e Município das Caldas da Rainha] e tem uma zona verde envolvente considerável e de propriedade pública”. Argumenta ainda a Câmara das Caldas que “tem uma localização equidistante dos territórios já identificados, serve igualmente o Bombarral, Cadaval, parte de Alcobaça, Nazaré (Oeste Norte), e até Rio Maior, com um público–alvo a servir superior a 200 mil habitantes”. Está assim implícito - mas sem o mencionar directamente - que a região Oeste deve ter dois novos hospitais públicos, ou seja, um a norte e outro a sul, uma vez que o CHO abrange neste momento perto de 300 mil pessoas com as actuais unidades hospitalares em Caldas da Rainha, Torres Vedras e Peniche. Recorde-se que, na semana passada, o PSD/Oeste defendeu um novo hospital para servir apenas a zona sul da região, no âmbito de uma parceria público/privada.

Defende ainda o executivo de Vítor Marques que, para além da localização, “se torna necessário que o novo CHO tenha um programa ambicioso, com uma diferenciação de serviços e valências, com capacidade superior a 400 camas e Unidade de Cuidados Intensivos de lotação polivalente de 30/40 camas organizadas em ‘clusters’ de 12/15 camas (podendo ficar uma de reserva)”. Acresce ainda que o novo hospital venha a ter uma unidade de nefrologia e hemodiálise, oncologia e urgência médica e cirúrgica. ”Ou seja, independentemente de termos consciência de que é necessário continuar a aprofundar os estudos demográficos e epidemiológicos da região - consideramos necessário ter como referência e objecto de estudo o Hospital Beatriz Ângelo - Loures, inclusive no plano organizacional e de funcionamento”, defende a edilidade. E conclui que “independentemente do estudo em análise”, considera “absolutamente vital, que o Governo e o Ministério da Saúde, assumam as suas responsabilidades políticas em termos orçamentais e de políticas públicas de saúde”.

Texto: Paulo Ribeiro/ALVORADA
Fotografia: Sofia de Medeiros/ALVORADA (arquivo)