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OesteCIM e Universidade Nova de Lisboa vão criar em dois anos a primeira região inteligente do país

OesteCIM bandeiras

A plataforma ‘Smart Region’ é um projecto-piloto com um investimento total de um milhão de euros que vai arrancar na OesteCIM - Comunidade Intermunicipal do Oeste, fruto de uma parceria com a Nova Information Management School (NOVA IMS), da Universidade Nova de Lisboa. Trata-se da primeira plataforma analítica integrada de inteligência territorial que, numa abordagem de ‘big data’ e ciência dos dados, oferecerá capacidades de recolha, armazenamento, processamento e análise dos dados gerados pelas redes ‘Wi-F’i públicas dos municípios que, combinados com dados provenientes dos sistemas operacionais e das redes de sensores municipais, permitirá alavancar a construção de uma região de turismo inteligente e sustentável.

É este o propósito do projecto anunciado esta sexta-feira pela OesteCIM que, desta forma, está a preparar-se para criar a primeira região inteligente do país e que, posteriormente, poderá ser replicada para todas as regiões do país, incluindo Açores e Madeira. “O ecossistema criado por esta parceria estratégica permite que a academia de excelência e a Administração Pública possam implementar modelos que ajudem o processo de tomada de decisão de políticas públicas e, simultaneamente, ajudem investidores e agentes económicos a desenvolver actividades económicas de efectivo valor acrescentado, baseado em dados factuais”, explica a OesteCIM em comunicado enviado ao ALVORADA.

A NOVA IMS vai investir um milhão de euros para criar a primeira Plataforma Analítica Integrada de Inteligência Territorial ‘Smart Region’. O projecto piloto-arranca no território da OesteCIM e terá a duração de dois anos, período após o qual a plataforma ‘Smart Region ‘ficará disponível para ser replicada em todo o território nacional. “Trata-se de um projecto colaborativo de cocriação de uma solução inovadora capaz de potenciar a economia da região assente no conceito de ‘Smart Cities’ aplicada ao turismo inteligente e sustentável’", sustenta a instituição intermunicipal oestina.

O projecto terá um investimento total de 999.843 euros, cofinanciados em 57% (569.410 euros) por verbas comunitárias através do Fundo Social Europeu. O potencial de retorno económico é calculado em 533.000 euros em 2021 e 2022, considerando a automatização de processos, cuja informação é actualmente recolhida de forma manual, poupanças com a deslocação aos municípios para esclarecimento de questões, redução da despesa com custos médios de comunicações móveis, entre outros.

Tirando partindo do potencial de criação de capacidades analíticas gerado pelas iniciativas ‘Wi-Fi’ dos Centros Históricos do Turismo de Portugal e ‘WiFi4EU’ da Comissão Europeia, este projecto tem como objectivo geral criar a primeira plataforma analítica integrada de inteligência territorial que, numa abordagem de ‘big data’ e ciência dos dados, oferecerá capacidades de recolha, armazenamento, processamento e análise dos dados provenientes dos sistemas operacionais e das redes de sensores municipais integrados com os dados gerados pelas redes ‘Wi-Fi’ públicas dos municípios abrangidos. Esta abordagem altera o paradigma de planeamento e gestão do turismo e hospitalidade à escala intermunicipal numa abordagem de ‘Smart & Sustainable Tourism’.

Através desta plataforma será possível compreender a interação das pessoas, que vivem, trabalham ou visitam o território dos 12 concelhos do Oeste, com base nos dados do registo e utilização dos pontos de acesso ‘Wi-Fi’, envolvendo as dimensões espaço e tempo na análise. “Por exemplo, conhecer o número e características de pessoas em eventos e locais, distinguir entre visitantes novos e recorrentes, estabelecer horas de ponta, traçar padrões de deslocação, marcar pontos de interesse, etc. Em paralelo, irá permitir disponibilizar uma aplicação que melhora a experiência de quem visita a comunidade intermunicipal, tirando partido do cruzamento de dados provenientes dos sistemas operacionais municipais com os dados originários das redes de ‘Wi-Fi’, visando disponibilizar informação dinâmica no espaço e no tempo e suportando ações de marketing de contexto, isto é, entregar informação personalizada em função do momento e local onde a pessoa se encontra”, sublinha a OesteCIM.

A Plataforma Analítica Integrada de Inteligência Territorial ‘Smart Region’ visa aproveitar as tecnologias de informação e comunicação e, assente na identidade territorial, alavancar a geração de conhecimento para promover a regeneração económica, a coesão social, uma melhor administração do território e gestão das infraestruturas, passando de uma de uma lógica de gestão urbana reactiva para uma lógica proactiva, suportada pela transformação digital e baseada no conhecimento, na disponibilização alargada de dados e na actualização permanente da informação.

Para o subdirector da NOVA IMS e coordenador da NOVA Cidade - Urban Analytics Lab, Miguel de Castro Neto, “as capacidades que a tecnologias oferecem hoje de capturarmos gigantescas quantidades de dados, lança o desafio de serem criadas as capacidades analíticas para promover a sua conversão em informação e, assim, passarem a ter valor para os processos de tomada de decisão, para a criação de novos produtos e serviços e para uma cidadania mais activa e participada”. Para o especialista é “essencial dotar o território nacional e órgãos de soberania, locais, regionais e nacionais, de ferramentas que permitam uma tomada de decisão baseada em dados fidedignos e em tempo útil, como a actual pandemia bem evidenciou”.

Já Pedro Folgado, presidente do conselho intermunicipal da OesteCIM, considera que “sendo um dos exemplos mais comuns a utilização dos metadados das comunicações móveis para construir esta inteligência territorial, a generalidade destes serviços assenta na utilização de dados externos, com a consequente necessidade de contratualização de um serviço de informação permanente e respectivo custo associado”. E explica que “o processo de criação de redes de ‘Wi-Fi’ público municipal gera a oportunidade de, pela primeira vez, os municípios serem os ‘donos’ dos dados necessários e suficientes para o desenvolvimento de capacidades analíticas e pela criação de valiosos ‘insights’ sobre as mais diversas dimensões da governação do território”.

Texto: ALVORADA
Fotografia: Paulo Ribeiro/ALVORADA (arquivo)