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José António dos Santos renuncia à presidência da Caixa Agrícola da Lourinhã para proteger instituição

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O empresário lourinhanense José António dos Santos, constituído arguido na operação ‘Cartão Vermelho’, renunciou hoje ao cargo de presidente do conselho de administração da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo da Lourinhã, por entender que a "instituição em causa deve ser protegida".

“Sempre manifestei a vontade de, atingida a idade de 80 anos, terminar o meu mandato como presidente do Conselho de Administração não-executivo da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo da Lourinhã”, indicou, salientando que “no decurso dos eventos que vieram a público” tomou “na semana passada a decisão de antecipar para este momento o termo” do seu mandato, “que ocorreria em Outubro deste ano”. “Assim sendo, remeti nesta data ao órgão competente da CCAM [Caixa de Crédito Agrícola Mútuo Lourinhã] a comunicação da minha renúncia ao cargo, com efeitos imediatos”, referiu numa nota a que a Lusa teve acesso.

Ainda segundo José António dos Santos, “sublinho que o fiz neste momento, na sequência da decisão já anteriormente tomada. Tenho a consciência tranquila e a plena convicção de que nenhuma actuação censurável me pode ser imputada”, garantiu. “Não receio qualquer juízo sobre a minha conduta ou idoneidade, mas entendo que a instituição em causa deve ser protegida face a qualquer perturbação ou instabilidade que o actual contexto pudesse vir a causar”, rematou o empresário.

O Banco de Portugal (BdP) disse hoje à Lusa que está a avaliar "toda a informação" relativa a José António dos Santos como 'chairman' da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo da Lourinhã. "Toda a informação está a ser devidamente ponderada pelo Banco de Portugal no exercício das suas competências", disse fonte oficial em resposta à Lusa, quando questionada sobre se o Banco de Portugal está a reavaliar as condições do empresário José António dos Santos para continuar presidente da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo da Lourinhã. Também hoje, a Caixa Central do Crédito Agrícola anunciou que ordenou à comissão de avaliação interna da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo da Lourinhã a reavaliação da idoneidade de José António dos Santos. As conclusões serão enviadas ao Banco de Portugal.

José António dos Santos é fundador do Grupo Valouro e maior acionista individual da SAD do Benfica (com 16%). Foi constituído arguido no âmbito da investigação criminal ‘Cartão Vermelho’ e objecto de diversas medidas de coação, entre as quais a prestação de uma caução de dois milhões de euros. O advogado João Carlos Silva, representante legal do empresário lourinhanense, foi perentório ao sublinhar que o seu constituinte “não fez nada de ilegal, nem moral, e muito menos praticou qualquer crime”.

Entre os arguidos do processo estão Luís Filipe Vieira, então presidente em exercício da SAD benfiquista, que está em prisão domiciliária até à prestação de uma caução de três milhões de euros e proibido de sair do país, Tiago Vieira, filho de Luís Filipe Vieira, e o agente de futebol e advogado Bruno Macedo.

A investigação envolve negócios com prejuízos para o Estado, SAD do clube e Novo Banco. Segundo documentos relativos à investigação do Ministério Público, a que a agência Lusa teve acesso, Luís Filipe Vieira terá prejudicado o Novo Banco em cerca de 82 milhões de euros e ter-se-á apropriado de cerca de oito milhões de euros de uma empresa sua - a Imosteps - que vieram mais tarde a ser compensados pelo Fundo de Resolução ao Novo Banco. O presidente do SLB é suspeito de abuso de confiança por causa da venda de 25% da SAD do Benfica a José António dos Santos, o maior acionista individual do clube.

Texto: ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: Sofia de Medeiros/ALVORADA (arquivo)