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DIÁSPORA-COVID-19: testemunho de Carmo Furtado, dos Campelos, residente em Cabo Verde

carmofurtado

Como está a viver a Diáspora da Lourinhã este novo tempo, em que o centro das atenções é a pandemia da Covid-19? O ALVORADA iniciou a partilha de testemunhos de vida dos emigrantes lourinhanenses que se encontram espalhados pelos quatro cantos do mundo.

Neste tempo difícil que todos atravessamos, com uma pandemia que reduz ao máximo o contacto entre todos, queremos desta forma manter bem vivo o que nos une. Queremos contribuir para que quem esteja longe, fique mais perto de nós, na Lourinhã.

Partilhe e, caso tenha algum familiar e amigo que queira que o contactemos, para aqui deixar o seu testemunho, envie-nos mensagem pelo nosso Facebook ou para o endereço electrónico Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar..

Fique em segurança. Cuide de si e dos outros!

Este 40º testemunho é Carmo Furtado, dos Campelos e residente na cidade da Praia, na, Ilha de Santiago, em Cabo Verde.

Sou a Carmo Furtado, nascida e criada nos Campelos. Com 10 anos fui para a Escola Secundária da Lourinhã, aí conheci o Rui Furtado, com quem casei há 38 anos. Temos os dois 57 anos. Temos dois filhos maravilhosos de que me orgulho muito, o Tiago e o Diogo, que são os proprietários do ‘Salty Beach Bar’, na Praia da Areia Branca e sou avó de três rapazes lindos, o Francisco, o Lourenço e o Théo. É deles que sinto mais saudades de abraçar, vamo-nos vendo todos os dias nas novas tecnologias e assim sinto-os  mais perto... falamos, rimos, brincamos e damos muitos beijinhos virtuais. Estão todos de quarentena em casa, mas graças a Deus estão bem.

Vim trabalhar para Cabo Verde há 15 anos atrás, em 2005. Vivo na cidade da Praia na, Ilha de Santiago, onde trabalho como Produtora de Televisão e o meu marido em restauração, num espaço de Livraria Café, desde há 7 anos. Vivemos os dois longe dos que mais amamos, longe da nossa terra, da nossa casa, longe dos familiares e amigos.

Por força de um inimigo invisível - o coronavírus -, a nossa vida mudou, mudaram as relações humanas, o convívio social, mudaram as rotinas, o ritmo, o relacionamento profissional, também mudou a escala de importância e valores de cada momento.

A maioria do comércio está encerrado, os hotéis, restaurantes, bares, todos os espaços que promoviam o convívio social e humano, as ruas vazias e as pessoas fechadas em casa, as ligações aéreas e marítimas fechadas e sem ligações entre ilhas.

As farmácias, supermercados, bancos tudo com filas enormes, mas com as devidas regras de atendimento. Graças a Deus ainda nada nos faltou de bens alimentares e medicinais.

As praias também foram interditadas, assim como os passeios à beira mar... e aqui, em Cabo Verde, o mar é uma presença constante, é o nosso vizinho mais próximo, o espaço de sossego e contemplação que procuramos ao final de cada dia, aos fins-de-semana para retemperarmos forças.

Já são 30 dias de estado de emergência e neste momento registam-se 113 casos positivos em Cabo Verde, 55 dos quais na cidade da Praia, onde vivo.

Pessoalmente dou comigo a pensar como será o futuro de todos nós, que incertezas nos reserva o amanhã... mas também em quão difícil será o quotidiano de milhares de cabo-verdianos que são pobres, têm fracos recursos, vivem em barracas, casas e bairros com péssimas condições, que dificilmente poderão garantir a sua sobrevivência e da sua família. Peço a Deus todos os dias que se consiga controlar aqui a pandemia.

Havemos de resistir, havemos de vencer, havemos de recuperar a nossa forma de vida anterior, havemos de voltar ao convívio social e ao reforço dos laços humanos, mas sinto que nada mais será, no futuro, igual ao passado.

Oxalá recuperemos o que de bom tinha a nossa vida antes desta pandemia, que nos surpreendeu a todos, e que consigamos reflectir e abandonar o que não era fundamental, nem contribuía para uma vida melhor. Esse é o nosso destino e a nossa obrigação. E é o objectivo desta fase das nossas vidas, em que me encontro separada dos meus filhos e netos do coração, que amo tanto, de familiares e amigos a quem estamos ligados com profundos laços de amizade e carinho. Tenho saudades de todos, mas este será apenas um momento mau da nossa vida, que iremos ultrapassar para construirmos juntos um mundo melhor, mais unido mais saudável mais inclusivo. Logo logo estou aí para vos abraçar,  família e amigos.

#Vamos ficar todos bem  #força Lourinhã #cuidem-se por favor #Beijo família do meu coração💛 #juntos vamos conseguir, derrotar este inimigo invisível. Bem haja a todos.