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Mar, uma aposta estratégica da União Europeia

O mar sempre foi um elemento de fascínio para os portugueses. Ao longo dos séculos, a vida do país esteve sempre intimamente ligado ao Atlântico. Hoje em dia, a economia do mar tem um aspeto totalmente diferente, mas continua a ser fundamental para o destino dos portugueses. O mesmo se aplica também a muitos outros países europeus, de norte a sul da Europa.

Para perceber ao certo o impacto desta dimensão da atividade económica na União Europeia, a Comissão Europeia publicou mais uma edição do Relatório sobre a Economia Azul da UE, que traça o panorama do desempenho dos setores económicos da Europa ligados aos oceanos e ao ambiente costeiro e especificamente relacionados com a sua sustentabilidade. E as notícias, felizmente, são boas: segundo os últimos dados disponíveis (de 2018), o volume de negócios da Economia Azul é já de 750 mil milhões de euros e, em termos de empregos, falamos de 5 milhões, o que significa um crescimento anual de 11,6% e mostra bem o reforço da importância do mar para a Europa.

De facto, aquilo a que chamamos Economia Azul materializa-se em recursos e atividades que tão bem conhecemos em Portugal - as energias renováveis marítimas, os alimentos provenientes do mar, o turismo costeiro e marítimo e tantas outras atividades que contribuem para o desenvolvimento económico da União Europeia. Para além do mais, preservar os ecossistemas marinhos e recuperar a saúde dos oceanos é fundamental para a sustentabilidade do nosso planeta. É sempre bom recordar, por exemplo, que os oceanos são enormes sorvedores de dióxido de carbono.

A crise que vivemos tem sido dura também para este setor, mas a União Europeia está a fazer tudo o que é possível para proteger as pessoas que vivem da Economia Azul, e sem abdicar das ambições ambientais. Aliás, apesar das graves repercussões da pandemia de Covid-19 sobre setores como, por exemplo, o turismo costeiro e marítimo e as pescas e a aquicultura, globalmente a Economia Azul tem um enorme potencial em termos de recuperação económica da Europa, sobretudo se continuarmos a diversificar as atividades do mar e minimizarmos o impacto que algumas dessas atividades têm sobre os ecossistemas marinhos, reforçando a sua sustentabilidade.

Dentro da União Europeia, é de destacar o papel de Portugal para dinamizar a economia do mar, com a sua enorme Zona Económica Exclusiva, portos como Sines e Leixões, que ligam a Europa ao resto do mundo, e uma grande qualidade de investigação científica associada às ciências do mar.

A Comissão Europeia apoia o crescimento sustentável dos setores marinho e marítimo, de forma a que a inovação e a educação contribuam para a Economia Azul Europeia. Assim, o relatório publicado dá indicações valiosas sobre o impacto das atividades marinhas nos vários Estados-Membros, destacando ações prioritárias, desde tornar a pesca mais sustentável até ao ordenamento do espaço marítimo.

Não só é preciso atentar na dimensão social da Economia Azul, como também perceber a sua dimensão ambiental. Neste ponto, a Comissão Europeia destaca o número cada vez maior de energias marinhas renováveis, essenciais para que, até 2050, consigamos que 35% da eletricidade europeia seja proveniente destas fontes. Verificou-se também uma redução de 29% das emissões de CO2 associadas às atividades do setor do mar, entre 2009 e 2017. Estas são tendências positivas, mas que temos de continuar a reforçar.

A Economia Azul adiciona o vetor de sustentabilidade à já conhecida Economia do Mar e é e continuará a ser uma aposta europeia. Representa uma aposta capaz de fomentar simultaneamente uma economia dinâmica e empregos de qualidade, enquanto protege o planeta e a biodiversidade. Portugal, Europa e o Mar: uma relação de sucesso sobre a qual temos que continuar a trabalhar no presente para um futuro melhor.

Sofia Colares Alves
Representante da Comissão Europeia em Portugal (artigo escrito segundo o Novo Acordo Ortográfico)