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Pêra rocha do Oeste poderá começar em breve a ser exportada para a China

ANP BBR 2

O Ministério da Agricultura tem em curso vários processos que permitirão, caso sejam aprovados, a exportação de pêra rocha para novos países, estando neste momento no bom caminho as conversações para a China. Após a abertura do mercado à uva e citrinos portugueses, as autoridades chinesas demonstraram há duas semanas interesse em avançar com o processo para a pêra rocha, depois de uma acção de promoção realizada em Xangai pela ANP - Associação Nacional dos Produtores de Pêra Rocha, em Novembro. No segundo semestre deste ano está previsto que a ministra da Agricultura, Maria do Céu Albuquerque, se desloque à China, onde este assunto será discutido com as autoridades do país. A par deste país asiático, com muitos milhões de consumidores, decorrem negociações com o Equador, África do Sul, Chile, Coreia do Sul, Indonésia e Índia, revelou hoje, no Bombarral, Cláudia Sá, da Direcção-Geral da Alimentação e Veterinária, organismo tutelado pelo Ministério da Agricultura.

No seminário de balanço do Projecto ‘Promoção da Pêra Rocha nos Mercados Externos’, que decorreu no auditório da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo do Bombarral, a ANP deu conta dos grandes números da iniciativa realizada com apoios públicos do programa Compete. Em três anos, a associação que representa 86% da produção de pêra rocha em Portugal, marcou presença em nove feiras internacionais, nomeadamente em Madrid (Espanha), Berlim (Alemanha), Lima (Perú) e Xangai (China). Convidou ainda a visitar a nossa região 18 jornalistas, ‘chefs’ e ‘bloggers’ estrangeiros, mostrando todas as fases de produção deste fruto e o seu potencial gastronómico. Deu também a provar a pêra rocha do Oeste em 1730 voos da TAP com destino à Alemanha, França, Reino Unido, Espanha e Brasil e, em Paris, fez uma campanha publicitária que deu destaque à pêra rocha em 700 ‘mupis’ estrategicamente localizados na capital francesa.

Este projecto trienal, orçado em 430 mil euros, contemplou ainda a criação de uma nova identidade gráfica para a Pêra Rocha do Oeste, inspirada no Sr. Rocha, em homenagem ao produtor Pedro António Rocha que, em 1836, descobriu por acaso uma pereira diferente na sua propriedade na Ribeira de Sintra. A iniciativa ‘Promoção da Pêra Rocha nos Mercados Externos’ teve como objectivo aumentar a visibilidade além-fronteiras desta variedade 100% portuguesa e potenciar o sucesso de internacionalização das empresas produtoras, sobretudo, em sete destinos estratégicos: Alemanha, Brasil, Espanha, França, Reino Unido, Peru e China.

Na última campanha, em Agosto do ano passado, foram colhidas 200 mil toneladas de pêra rocha e 60% dessa produção é vendida nos mercados internacionais, com Marrocos a liderar a tabela, seguindo-se o Brasil e a Inglaterra. As exportações de pêra rocha renderam a esta fileira agrícola 90 milhões de euros entre Janeiro e Novembro de 2019, mais 16% do que no ano anterior. Segundo o presidente da ANP, Domingos dos Santos, este crescimento é devido "ao trabalho das centrais fruteiras e ao trabalho de promoção realizado em novos mercados". Para este resultado contribuíram as mais de 10 mil toneladas de fruta exportadas através do LIDL Internacional para as suas bases logísticas na Alemanha, que depois seguiram também para os seus hipermercados na França, Luxemburgo e Áustria. Esta parceria com a multinacional alemã, a partir do LIDL em Portugal, que obrigou 14 empresas a organizarem-se no consórcio ‘Fresh Fusion’, começou em 2014, tendo sido exportadas nesse ano duas a três mil toneladas e as exportações têm sempre vindo “a crescer de forma sustentável”, disse no semionário o director das Frutas e Legumes do LIDL em Portugal, Jorge Silva. Por semana, 32 camiões transportam pêra rocha do Oeste para os supermercados da cadeia germânica.

Ao fim dos três anos, num inquérito realizado pela ANP aos seus associados, a maioria das centrais fruteiras considerou que o projecto de internacionalização trouxe um impacto positivo para a empresa e para toda a fileira, valorizou a fruta, facilitando os contactos comerciais e impulsionando as exportações. “O retorno é bastante positivo e temos de continuar este trabalho de promoção”, concluiu Domingos dos Santos, numa altura em que as margens de lucro estão a descer devido ao aumento dos custos de produção, sendo necessário encontrar novos mercados internacionais.

A ANP, com sede no Cadaval, possui cinco mil produtores, através das cerca de 30 empresas associadas, com uma área de produção de 11 mil hectares, equivalente a 85% de toda a área de cultivo da pêra rocha do Oeste. Este fruto é produzido (99%) nos concelhos localizados entre Mafra e Leiria, incluindo a Lourinhã, sendo os de maior produção os do Cadaval e Bombarral. Esta fruta possui o estatuto DOC - Denominação de Origem Protegida, um selo que certifica a qualidade e tradição de produtos alimentares e agrícolas por parte da União Europeia. O selo garante que a produção se faz apenas nos 29 concelhos da região e que todo o seu processo se rege por regras e saberes certificados.

Texto: ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: Paulo Ribeiro/ALVORADA