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Assinatura de manifesto marcou oficialmente o arranque do projecto ‘Rede Cultura 2027’

Conselho Geral REDE CULTURA 2027

O Município da Lourinhã foi um dos 25 que assinou o compromisso, em Leiria, que define a participação no projecto da ‘Rede Cultura 2027’ que culminará na apresentação da candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027. Trata-se de um compromisso pioneiro ao nível das parcerias entre comunidades intermunicipais e que pretende fomentar a criação de uma rede de cidades e vilas que vão cooperar no domínio das artes, da cultura e do conhecimento. Para além do conjunto de autarquias, integrantes de uma região que se estende entre a Comunidade Intermunicipal (CIM) da Região de Leiria, à CIM do Oeste e até da CIM do Médio Tejo, o Conselho Geral que integra as 25 autarquias é ainda composto pelo Instituto Politécnico de Leiria (IPL), pela Associação Empresarial de Leiria (NERLEI) e pela Diocese de Leiria-Fátima. Poderá vir a integrar, num futuro próximo, também o Instituto Politécnico de Tomar. A Câmara Municipal da Lourinhã esteve representada neste acto pelo vice-presidente José Tomé.

Em nota informativa divulgada pela organização, enviada ao ALVORADA, o presidente da Câmara Municipal de Leiria e porta-voz do Conselho Geral, Raúl Castro, destaca que "este projecto é a bandeira cultural de todo este território", sublinhando ainda a "riqueza cultural destes municípios" e a possibilidade que esta ligação em rede proporcionará aos cidadãos, em relação à oferta cultura que passarão a ter ao seu dispor. Após a assinatura, cada vila e cidade parceira desta Rede vai, agora, elaborar "acordos específicos de cooperação no âmbito artístico, cultural e do conhecimento".

Nesta que foi a primeira reunião do Conselho Geral, os representantes de cada município foram unânimes em reconhecer as potencialidades desta parceria, assinando o 'Manifesto Rede Cultura 2027' que prevê "a partilha de criações e recursos artísticos e culturais no território que abrangem". "Com a constituição desta Rede, a candidatura a Capital Europeia da Cultura 2027 que o município de Leiria decidiu preparar, para ser oportunamente submetida ao processo de selecção nacional, passa a dispor de um quadro colaborativo entre estruturas e instituições mais amplo e envolvimento alargado de agentes no campo artístico e cultural", destaca o documento. Define ainda que estes municípios parceiros "colaborarão com os seus próprios meios na constituição de uma rede alargada de criação e divulgação centrada no conhecimento, na arte e na cultura".  "Tendo presente que a articulação entre arte e cultura e educação é mutuamente positiva, queremos melhorá-la", refere ainda o manifesto assinado que reconhece também a existência de "um deficit de participação coletiva na vida cultural", pretendendo, por isso, "contribuir para o aumento dessa participação".

Para além disso, os municípios signatários dizem querer "destacar a cultura como traço de união entre povos com origens e trajectos históricos distintos" e, por isso, a ligação num projecto partilhado entre todos "reforça a criação e a inovação, atrai talento e dissemina-o no território". Um outro aspecto que o manifesto destaca é que esta ligação em rede permite "conferir mais escala aos projetos de cada uma (vila ou cidade), assegurar maior mobilidade aos criadores e agentes culturais, científicos e tecnológicos, encontrar apoios e estímulos financeiros de dimensão mais vigorosa". Em suma, consideram os municípios, a Rede Cultura 2027 permite "diversificar a oferta cultural, fortalecer o património cultural enquanto recurso partilhado por um número mais amplo de cidadãos e redimensionar o turismo cultural".

A relevância desta parceria inovadora foi destacada, logo no início da cerimónia, pelo historiador e docente universitário caldense João Bonifácio Serra, coordenador do Conselho Estratégico da Candidatura de Leiria a Capital Europeia da Cultura 2027, que classificou a Rede Cultura 2027 como "uma rede de criação, conhecimento e disseminação artística e cultural, tão inédita quanto ambiciosa".  Ambiciosa pela dimensão, diversidade de actores e organizações e pelo propósito de criação de uma candidatura europeia, esclareceu, considerando inédita a "dimensão colaborativa que passa a ser um dos seus elementos estruturais, e possibilita a conjugação de agendas, a circulação de projetos e, sobretudo, o estabelecimento de plataformas comuns de criação, produção e comunicação cultural".

"Estamos a sinalizar, em concreto, que as cidades não são ilhas, mas arquipélagos, e que a variedade das identidades de cada ilha não constitui obstáculo, antes uma vantagem, na edificação de um património colectivo", destacou na sua intervenção, frisando que a Rede permitirá sublinhar transversalidades (sejam geográficas, culturais ou de outra natureza), a participação das comunidades, a mobilização de múltiplos espaços para a programação, a disseminação territorial e a articulação com as organizações do território, entre outros.  "É nossa convicção que a Rede permitirá ampliar o território destes 25 municípios, tanto no plano institucional como no plano simbólico", afirmou ainda, adiantando que a Rede Cultura 2027 "provocará decerto uma redescoberta de todo este território central do País". E caracterizou o que considerou o mais importante desta redescoberta: "as relações por vezes sofridas com a Europa e o resto do Mundo, a permanência e a mudança, serra, vale e planície, ancestralidade e empreendedorismo, resignação por vezes, combatividade, aspiração utópica e desejo de futuro".

De salientar que este projecto começou a ser delineado em 2015, com a intenção de Leiria assumir a candidatura a Capital Europeia da Cultura. Nos dois anos seguintes foi constituído um grupo de missão que, após um exaustivo estudo e trabalho, concluiu pela constituição de uma Rede, tendo como prioridade a Cultura, à qual se foram associando os vários municípios e que são, atualmente, 25. São estes que dão forma a esta rede, participando na preparação e apresentação do programa da candidatura.

No decorrer do ano passado foi criado um Conselho Estratégico do projecto, liderado por João Bonifácio Serra, bem como um órgão executivo, liderado pela empresa Musicalmente. Em paralelo têm decorrido e continuam a realizar-se encontros e reuniões, envolvendo os elementos do projecto e os agentes culturais de cada um dos municípios. Este trabalho no terreno permitirá a criação de uma base de dados digital, que possibilitará conhecer a oferta cultural de cada um destes parceiros. Entre Março e Junho serão realizados nove encontros em igual número de municípios, uma acção intitulada 'Prelúdio de Ideias em Nove Andamentos'. No final, este conjunto de actividades permitirá ao Conselho Estratégico coligir as principais conclusões e prioridades culturais a integrar o documento da candidatura.

Texto: ALVORADA
Fotografia: Direitos Reservados