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Berlenga integra lista de ilhas prioritárias para evitar extinção de espécies

Berlengas

Um estudo publicado esta quarta-feira na revista ‘PLoS One’ mostra que remover mamíferos invasores como ratos, gatos, cabras e porcos seria benéfico para 9,4% das espécies ameaçadas que residem em ilhas. Realizado por uma equipa internacional que incluiu técnicos de conservação da SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, o estudo identificou um total de 169 ilhas onde seria crucial implementar projectos de remoção de espécies invasoras na próxima década. Entre as ilhas listadas estão o Corvo e a Berlenga.

Segundo um comunicado da SPEA enviado ao ALVORADA, na Berlenga, a remoção do rato-preto terá benefícios directos para a lagartixa-das-berlengas, que apenas pode ser encontrada neste arquipélago: a Berlenga é, aliás, um exemplo do sucesso da remoção de espécies invasoras: após quatro anos de trabalho a ilha está agora livre de predadores não nativos. Como resultado, no início deste ano foi registado na ilha o primeiro nascimento de roque-de-castro, uma ave marinha ameaçada”. No caso da ilha do Corvo, nos Açores, o estudo mostra que a remoção de rato-preto e de gatos iria beneficiar o morcego-da-madeira.

“Ilhas como a Berlenga e o Corvo são importantes não só para as espécies que identificámos como prioritárias neste estudo, mas também para muitas aves marinhas, por exemplo, que também sofrem imenso com a predação por mamíferos invasores”, destaca Nuno Oliveira, técnico de conservação marinha da SPEA, que colaborou no estudo.

O trabalho publicado teve como objectivo definir os critérios a nível internacional  e avaliar a prioridade de remoção de mamíferos introduzidos em ilhas, tendo em conta os vertebrados ameaçados presentes nas ilhas avaliadas. O estudo utilizou dados biológicos e geográficos para 1279 ilhas com 2823 populações de 1184 espécies de aves, répteis, mamíferos e anfíbios consideradas Criticamente em Perigo ou Em Perigo na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN, a lista mais completa do mundo relativa ao estatuto de conservação de animais, fungos e plantas. Com base nesta informação, usaram-se critérios práticos para contemplar a viabilidade técnica e sócio-política de remover mamíferos invasores prejudiciais. A avaliação envolveu 54 peritos, incluindo Nuno Oliveira e Pedro Geraldes, ambos da SPEA.

“Erradicar mamíferos invasores de ilhas é uma boa forma de remover uma ameaça-chave às espécies insulares e prevenir extinções e conservar a biodiversidade”, disse Nick Holmes, director de Ciência na Island Conservation, que liderou o estudo. “Este estudo é uma preciosa avaliação sobre onde encontrar estas oportunidades de conservação a nível global e apoia decisões a nível regional e nacional sobre onde e como prevenir extinções”, sublinhou o responsável.

O estudo representa uma importante colaboração global para recomendar ações práticas com efeito na luta contra a crise global de extinção de espécies. Mais de 50 autores de mais de 40 instituições em todo o mundo, incluindo organizações não-governamentais, governamentais e académicas, contribuíram para este artigo. O estudo foi coordenado por biólogos da Island Conservation (Estados Unidos da América), do Laboratório de Acção de Conservação da Universidade da Califórnia em Santa Cruz (Estados Unidos da América), da BirdLife International (Reino Unido) e do Grupo Especialista em Espécies Invasoras da Comissão de Sobrevivência de Espécies da União Internacional para Conservação da Natureza (Suíça).

Texto: ALVORADA
Fotografia: Paulo Ribeiro/ALVORADA (arquivo)