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OesteCIM defende Ota como complemento ao aeroporto de Lisboa

aviao

O Conselho Intermunicipal da OesteCIM - Comunidade Intermunicipal do Oeste deliberou, por unanimidade, que o processo de tomada de decisão final sobre a localização da nova infraestrutura aeroportuária complementar ao Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, deve reconsiderar a opção Ota, no concelho de Alenquer. A decisão foi tomada na reunião realizada esta quinta-feira na sede da OesteCIM, nas Caldas da Rainha, e tem em consideração todos os constrangimentos que estão associados à opção ‘Montijo’. Os autarcas do Oeste pedem assim que o Governo decida rapidamente onde construir o aeroporto.

Segundo refere em comunicado remetido ao ALVORADA, a OesteCIM destaca que “em linha com as principais preocupações estratégicas para o desenvolvimento do nosso país, a Comunidade Intermunicipal do Oeste reconhece a importância da problemática relacionada com o novo aeroporto da região de Lisboa, uma vez que a oferta actual está esgotada e sendo este um dos principais problemas do turismo português e, consequentemente, das exportações nacionais”. Nesta deliberação, os 12 autarcas oestinos relembram “as vantagens económicas e financeiras desta opção, o ordenamento do território e as acessibilidades já existentes como factores críticos de sucesso desta solução”.

Esta tomada de posição foi já dada a conhecer ao Governo que decidiu optar a adaptação do aeroporto militar do Montijo para o uso da aviação civil, em complemento ao aeroporto de Lisboa, cuja capacidade de utilização está no limite e regista fortes constrangimentos, não possuindo potencial de crescimento de tráfego aéreo.

A última sessão da Assembleia Municipal de Torres Vedras também aprovou a opção da Base Aérea da Ota como alternativa ao aeroporto de Lisboa, tendo decidido propor às regiões a norte do Tejo e ao Governo que voltem a defender esta solução. A moção alerta para os impactos da avifauna na aviação, apontados entre os aspectos ambientais negativos do Montijo. O documento sublinha que “todas as previsões de crescimento [do aeroporto] da Portela estão ultrapassadas” e o aeroporto dentro da capital “rebenta pelas costuras” e afasta turistas. O documento foi enviado às comunidades intermunicipais do Oeste, Médio Tejo, Lezíria do Tejo e da região Centro, assim como aos respectivos municípios e aos ministérios do Ambiente e das Infraestruturas.

A Assembleia Municipal de Torres Vedras refere ainda “o rol de investimentos” por realizar prometidos às regiões do Oeste e da Lezíria do Tejo, depois de o Governo de José Sócrates ter abdicado da construção do aeroporto na Ota e, na altura, ter escolhido a opção de Alcochete, no distrito de Setúbal. Recorde-se que a localização do aeroporto internacional de Lisboa na Ota esteve prevista pelo Governo entre a década de 1960 e o ano de 2008, tendo a discussão em torno da infraestrutura aeroportuária estado mais acesa durante os governos socialistas de António Guterres e José Sócrates. Em Janeiro de 2008, o Governo Sócrates abandonou a opção Ota e escolheu Alcochete, após um estudo coordenado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil, que indicava como mais favorável a localização do Campo de Tiro de Alcochete.

Dezasseis câmaras municipais da zona Oeste e da Lezíria assinaram, em cerimónia realizada nas Caldas da Rainha presidida pelo Primeiro Ministro José Sócrates, o chamado Plano de Acção do Oeste, que contemplava investimentos na ordem dos 2,1 mil milhões de euros até 2017, para compensar os municípios pela decisão. O acordo foi assinado com os 12 municípios do Oeste (Alcobaça, Alenquer, Arruda dos Vinhos, Bombarral, Cadaval, Caldas da Rainha, Lourinhã, Nazaré, Óbidos, Peniche, Sobral de Monte Agraço e Torres Vedras) e mais quatro da Lezíria do Tejo (Santarém, Cartaxo, Azambuja, Rio Maior).

Entretanto, o administrador da ANA - Aeroportos de Portugal, Francisco Pita admitiu, em Ponta Delgada, nos Açores, que o aeroporto de Lisboa "perde 1,8 milhões de passageiros por ano", dada a actual lotação da infraestrutura aeroportuária. Francisco Pita reafirmou que o aeroporto de Lisboa deverá chegar este ano ao recorde de 29 milhões de passageiros, mas que perde viajantes enquanto não existir outra solução, como a que se prevê para 2022, data estimada para a abertura do aeroporto complementar no Montijo.

Já a recém-criada 'Plataforma Cívica Aeroporto BA6-Montijo Não' estregou esta sexta-feira uma carta aberta ao ministro do Planeamento e Infraestruturas, Pedro Marques, a alertar para as consequências da instalação do futuro terminal aeroportuário de Lisboa na Base Aérea do Montijo. O documento enuncia um conjunto de questões que demonstram que a escolha do Montijo não é mais barata, não demora menos tempo a construir e tem algumas limitações que não teria a construção do novo aeroporto no campo de tiro de Alcochete, defendem os subscritores do documento.  

O Ministério da Defesa Nacional revelou, entretanto, que a deslocalização das aeronaves da Força Aérea que estão na base do Montijo custará perto dos 200 milhões de euros e demorará pelo menos dois a três anos. “O financiamento é assegurado através da contratualização com a ANA e a Vinci e isto é assegurado com o Ministério do Planeamento e Infraestruturas. Em termos de custos, não temos contas finais, mas será na ordem dos 200 milhões de euros”, explicou aos jornalistas o ministro João Gomes Cravinho.

Texto: Jornal ALVORADA com agência Lusa
Fotografia: Paulo Ribeiro/Jornal ALVORADA (arquivo)