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Dar espaço e tempo ao bem!

O Papa Bento XVIum dos homens mais iluminados e brilhantes do seu tempo, disse durante o seu magistério: “O que são os horrores da guerra, as violências sobre os inocentes, a miséria e a injustiça que se abatem sobre os mais fracos, senão a oposição do mal ao Reino de Deus? E como responder a tanta maldade a não ser com a força desarmada e desarmante do Amor que vence o ódio, da Vida que não teme a morte?”.

No passado dia 11 de Novembro assinalou-se o centenário do fim de um dos mais terríveis conflitos que viveu a humanidade: a I Guerra Mundial, ou Grande Guerra, que causou a destruição de vários países da Europa, pôs fim a impérios, e foi responsável por quase 10 milhões de mortos, mais de 20 milhões de feridos, e levou a que milhões e milhões de civis fossem vítimas dos sucessivos ataques ou que morressem de fome nos seus países destruídos.

As causas desta guerra, assim como de quase todas as outras, resumem-se a uma disputa insana de interesses mesquinhos de poder, e da necessidade cega de alguns fazerem valer as suas posições económicas ainda que à custa da vida de milhões de inocentes. O Presidente Francês no discurso que fez perante os 70 Chefes de Estado reunidos em Paris disse: “O nacionalismo é uma traição ao patriotismo (…) é urgente rejeitar o fascínio, pela violência e pela dominação (…) Somemos nossas esperanças em lugar de opormos os nossos medos. Juntos podemos evitar as ameaças como o espectro da mudança climática, a pobreza, a fome, a doença, as desigualdades e a ignorância. Iniciemos esta luta e poderemos vencer. Continuemos porque a vitória é possível!”.

As palavras são importantes e necessárias, mas são os actos que manifestam a vontade de mudança e o compromisso sério pelo bem comum, que deve sempre ser prioritário. O engano e a mentira é se deixar conduzir pelos interesses pessoais sem atender aquilo que é melhor para todos. O Bom Papa S. João XXIII, num dos seus textos mais marcantes, a encíclica Pacem in Terris, referia com uma força e lucidez apaixonante: “A todos os homens de boa vontade incumbe a imensa tarefa de restaurar as relações de convivência humana na base da verdade, justiça, amor e liberdade: as relações das pessoas entre si, as relações das pessoas comas suas respectivas comunidades políticas, e as dessas comunidades entre si, bem como o relacionamento de pessoas, famílias, organismos intermédios e comunidades políticas com a comunidade mundial. Tarefa nobilíssima, qual a de realizar verdadeira paz, segundo a ordem estabelecida por Deus” (nº 162).

Impressiona-me sempre que apesar de todos sabermos que a guerra é má, e que só conduz a uma maior destruição, julguemos que esta é justificada como forma de combater o mal, ou então é muitas vezes algo inevitável e até necessária. Carl S. Lewis, o aclamado autor das ‘Crónicas de Nárnia’, num outro livro precioso ‘Screwtape Letters’, põe na boca do diabo esta afirmação contundente e que muito nos deve fazer reflectir: “É claro que uma guerra é algo bem divertido. O medo e o sofrimento imediatos de um ser humano são um alívio refrescante para as miríades de diabos que trabalham sem descanso”.

A mudança da nossa forma de pensar deve passar por pequenos actos que sejam sinal de uma rejeição clara de quanto ponha em causa o sermos construtores de paz. A título de exemplo sugiro dois: não favorecer ou permitir que as nossas crianças brinquem com armas, ainda que sejam de brincar, e rejeitar tudo o que seja conteúdos de violência gratuita nos programas que visionam e jogos com que se distraem. O importante é fazermos coisas que nos façam ser melhores pessoas e contribuam para a nossa edificação, porque a inocência de pensarmos que se trata de algo inócuo e apenas diversão, é um engano, porque de facto quem se acaba sempre por se divertir de verdade é quem nos odeia: o diabo.

A memória dos milhões que morreram vítimas da guerra possa ser uma ajuda para nos fazer rejeitar terminantemente tudo o que são práticas e hábitos de violência e de guerra. Tanto de bom que podemos fazer, para quê dar espaço e tempo ao mal?

Pe. Ricardo Franco
Edição 1247 - 16 de Novembro de 2018