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A prioridade do bem!

A educação dos filhos é uma prioridade para todos os pais. Estes sabem que é fundamental garantirem-lhes os meios necessários para o seu crescimento e aprenderem a viver em sociedade. As sociedades, mesmos as mais arcaicas, estão organizadas no sentido de proporcionarem aos mais novos as oportunidades de irem gradualmente desenvolvendo as suas capacidades, e serem capazes de responderem aos desafios da existência. O progresso de qualquer realidade humana está sempre dependente de como esta ajuda os seus membros a descobrirem a sua vocação, e a cumprirem-na na relação com os outros em comunidade.

A missão de educar os filhos é dos pais. É uma aventura cheia de beleza e incógnitas, mas que radica na experiência de amar e ser amado. Acho sempre muito bonito o receio que experimentam os pais quando nasce o primeiro filho, tudo é novo e revestido de uma fragilidade que confunde, mas a verdade é que depressa descobrem em si capacidades e aptidões desconhecidas fundamentais para ajudarem aquele pequeno ser a crescer e viver num mundo, muitas vezes, inóspito e assustador.

Um dos grandes dons da paternidade e da maternidade é contribuírem para uma mais correcta hierarquização dos valores e prioridades pelos quais se deve ordenar a vida.

A sociedade organizada nas suas diversas instituições tem o dever de ajudar os pais a educar os filhos numa dimensão supletiva, garantindo que todos têm os mesmos direitos e deveres numa visão fundamental da igualdade entre todas as pessoas. As propostas que se possam fazer em termos da educação devem sempre radicar numa experiência provada e comprovada do que contribui para o bem de todos, respeitando as suas culturas, as formas de apreender a realidade, e as opções livres de seguirem e professarem determinada religião.

O particular nunca é critério para o todo, a experiência individual condicionante do que é comum, o relativo ser tornado absoluto. As grandes crises da sociedade, os grandes sofrimentos e “nuvens negras” da história da humanidade, aconteceram quando alguns quiseram impor de forma violenta a sua visão de sociedade perfeita e mais avançada.

O relativismo impõe-se com uma rapidez avassaladora e extremamente preocupante. As pessoas perdem o sentido das prioridades, e deixam de ser capazes de valorizar o essencial e fundamental para o seu viver e de quantos os rodeiam.

O nosso tempo reveste-se de um enorme desafio, que a todos nos deve fazer pensar sobre as razões mais profundas e decisivas da nossa existência. O mal, e o seu autor, são uma erva daninha que se multiplica com uma rapidez inquietante. As suas vítimas são sempre os frágeis e débeis, os mais novos e desfavorecidos. Para os que acham que ainda não há razão para alarme vejam a seguinte notícia: «Os alunos do 5.º ano da Escola Francisco Torrinha, no Porto, receberam na sala de aulas um inquérito a que deveriam responder de forma anónima e onde lhes é perguntada a sua orientação sexual. (…) Depois de se reunir com a escola, a associação de pais explicou que as perguntas surgiram no âmbito da disciplina de Cidadania e sob o tema Educação para a Igualdade de Género. (…) Na ficha em questão - e que se trata de uma folha A4, sem qualquer identificação ou logótipo da escola, agrupamento ou entidade responsável pelo questionário, tendo como título “ficha sociodemográfica” - é pedido à criança que escreva a sua idade, nacionalidade e que identifique a sua identidade de género (homem, mulher ou outro). Esta pergunta levantou a sua dose de indignação na rede social, mas não tanto quanto a seguinte: “Sinto-me atraído por homens, mulheres ou ambos?”».

A nós cabe-nos a lucidez, o discernimento e a perseverança para lutarmos contra todas estas investidas perniciosas que pretendem destruir a nossa sociedade, a partir do seu maior tesouro que são as crianças. Será que queremos mesmo viver num mundo de indefinidos, e que tudo seja válido desde que corresponda a um desejo do momento?

Termino com uma Palavra da 1 Carta de São Pedro quando os primeiros cristãos se deparavam com os exageros destruidores das sociedades em que viviam: «E quem vos poderá fazer mal, se fordes zelosos em praticar o bem? Mas, se tiverdes de padecer por causa da justiça, felizes de vós! Não temais as suas ameaças, nem vos deixeis perturbar; mas, no íntimo do vosso coração, confessai Cristo como Senhor, sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça; com mansidão e respeito, mantende limpa a consciência, de modo que os que caluniam a vossa boa conduta em Cristo sejam confundidos, naquilo mesmo em que dizem mal de vós. Melhor é padecer por fazer o bem, se é essa a vontade de Deus, do que por fazer o mal» (1Pe 3, 13-17).

Pe. Ricardo Franco

Edição 1245 - 19 de Outubro de 2018