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O tempo para parar!...

A vida de muitas pessoas é, cada vez mais, marcada por uma correria desenfreada em que a expressão “Não tenho tempo!” torna-se habitual na conversão quotidiana. Todos têm vidas exageradamente ocupadas, até os mais novos já não têm tempo para brincar tal é a quantidade de actividades extracurriculares que têm nas suas preenchidas agendas. A verdade é que levamos uma existência muito acelerada em que se torna extremamente difícil ter critério para o que é importante porque perdemos a capacidade de parar e pensar a vida.

A Igreja inicia o seu ano litúrgico com o tempo do Advento, cujo conteúdo existencial à luz da Palavra de Deus é o de estarmos preparados para a Vinda de Jesus, nas palavras inspiradas de São Bernardo esta acontece em três momentos: “Conhecemos uma tríplice vinda do Senhor. Entre a primeira e a última, há uma vinda intermédia. Aquelas duas são visíveis; mas esta, não. Na primeira, o Senhor apareceu na terra e conviveu com os homens; como Ele mesmo afirma, viram-n’O e não O quiseram receber. Na última, todo o homem verá a salvação do nosso Deus e contemplarão Aquele que trespassaram. A intermédia é oculta e só os eleitos a vêem em si mesmos, e por ela se salvam as suas almas. Na primeira, o Senhor veio revestido da nossa fraqueza humana; na intermédia, vem espiritualmente, manifestando o poder da sua graça; na última, virá com todo o esplendor da sua glória. A vinda intermédia é, portanto, como que uma estrada que nos leva da primeira à última: na primeira, Cristo foi a nossa redenção; na última, aparecerá como nossa vida; na intermédia, é nosso descanso e consolação.”

É significativo que o grande convite que a liturgia nos faz, quando iniciamos um novo ciclo de celebração anual do Mistério de Cristo, é a parar, a fazer silêncio, e a sabermos estar preparados para o Senhor que vem sempre às nossas vidas. Não há melhor forma de viver o tempo presente do que estarmos conscientes que a vida é um projecto maior do que nós mesmos, existem desígnios que não conhecemos, e que o melhor que podemos fazer é estar atentos e disponíveis para aquilo que o Senhor na sua providência e misericórdia nos permitir viver.

O modelo do cristão é Cristo, e nos Evangelhos vêmo-Lo constantemente a retirar-se a sós para rezar, ou seja, para se colocar diante do Pai, a escutá-Lo e a dispôr-Se para cumprir a missão de Amor que Este Lhe confiava.

A oração cristã é esta atitude fundamental de escuta, de estar na presença de Deus para n’Ele conhecer o sentido da sua existência, e como vivê-la em cada dia. Rezamos não tanto para dizer coisas a Deus, mas, sobretudo, para aprendermos a conhecer aquilo que Ele tem para nos dizer, e em cada dia aderirmos a Ele de todo o coração.

Sempre me impressionou a afirmação de Jesus acerca de uma tragédia ocorrida, e sobre a qual o interpelaram: “E aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé, matando os, eram mais culpados que todos os outros habitantes de Jerusalém? Não, Eu vo-lo digo; mas, se não vos converterdes, perecereis todos da mesma forma” (Lc 13, 4-5). A verdade é que muitas vezes adiamos para depois o que é fundamental, perdemos a vida porque não a soubemos viver e ter a capacidade de discernir o que era mais importante.

O Advento é um dom de Deus, para os que vivem a fé e a celebram em Igreja, mas também para quantos querem viver seriamente as suas vidas. É urgente que aprendamos o valor do silêncio, a necessidade imprescindível de parar, e termos tempo para escutar, rezar a vida, e dispormos a nossa vontade, e o nosso coração para aquilo que de verdade importa. Ao mesmo tempo para fazermos a entrega confiante de quanto nos preocupa e faz sofrer. Ao Senhor podemos entregar tudo. Não ter medo de lhe falar dos nossos medos, dúvidas e angústias, para que Ele nos manifeste o seu poder misericordioso e real, e encontrarmos a verdadeira consolação das nossas almas.

A todos desejo um Santo Advento, e que neste tempo aprendamos também a olhar para a Virgem Maria, a Mestra da Escuta.

Pe. Ricardo Franco
Edição 1248 - 7 de Dezembro de 2018