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Dia dos Fiéis Defuntos: a esperança que nos anima e conforta

A fé em Cristo alimenta a esperança na eternidade. O apóstolo Paulo, no escrito mais antigo do Novo Testamento, lembrava assim os primeiros cristãos: “Irmãos, não queremos deixar-vos na ignorância a respeito dos que faleceram, para não andardes tristes como os outros, que não têm esperança. De facto, se acreditamos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus reunirá com Jesus os que em Jesus adormeceram” (1 Tes 4, 13-15). A Igreja proclama ao mundo, a partir do Mistério Pascal, a vitória do Senhor Jesus Cristo sobre a morte e a esperança de quando formos chamados deste mundo, participarmos com Ele da Vida plena em Deus. Afinal como nos recorda o livro do génesis (cfr Gn 2-3) Deus quando nos criou, pensou-nos e ofereceu-nos o paraíso, e é esse o destino de toda a humanidade redimida pelo seu Filho na Cruz, se aceitar o dom da sua vida.

A morte é uma realidade da nossa condição humana e de toda a criação. Tudo o que nasce, morre. Apesar de ser uma evidência e um dado que todos conhecemos, esta reveste-se de um carácter assustador e terrível. O desconhecido, o fim, o vazio, o nada, são termos que descrevem os sentimentos que perpassam em muitas pessoas quando confrontadas com a notícia da morte de quem amam ou então na eminência da sua. Na linguagem humana é um mal para o qual não há remédio, e que a todos nos espera.

Viver para morrer é um absurdo terrível da existência, é uma condenação da qual ninguém pode escapar.

A Igreja conhece e anuncia uma boa notícia, a melhor que poderíamos receber, anunciada por S. Pedro: “Homens de Israel, escutai estas palavras: Jesus de Nazaré, Homem acreditado por Deus junto de vós, com milagres, prodígios e sinais que Deus realizou no meio de vós por seu intermédio, como vós próprios sabeis, este, depois de entregue, conforme o desígnio imutável e a previsão de Deus, vós o matastes, cravando-o na cruz pela mão de gente perversa. Mas Deus ressuscitou-o, libertando-o dos grilhões da morte, pois não era possível que ficasse sob o domínio da morte. Foi este Jesus que Deus ressuscitou, e disto nós somos testemunhas” (At 2, 22-24.32).

A esperança cristã projecta-nos para uma plenitude que nos anima e conforta. Nós somos de Deus e a Ele pertencemos, d’Ele vimos e a Ele voltamos. A oração pelos que morrem nasce desta certeza, eles são defuntos “os que terminaram a sua função” neste mundo, mas a quem Deus chama à sua presença. O seu corpo mortal é reduzido a pó, mas o seu ser mais profundo, a sua alma, permanece e entra em trânsito para a eternidade.

Rezamos para que possam ser purificados de todo o mal, e de todas as más opções durante a sua vida terrestre, e entrem na comunhão com Deus Senhor da vida e da morte.

O povo chama a Novembro o mês das almas, contudo, penso que temos muito de caminhar para o vivermos com autêntico sentido cristão, de que não fazem parte expressões como “finados” que significa acabados, ou as “eternas saudades” se acreditamos e esperamos a vida eterna. O ritual da Comemoração dos Fiéis Defuntos diz: “A Igreja peregrina não podia ao celebrar a Igreja da glória (Dia de Todos os Santos), esquecer a Igreja que se purifica no Purgatório”.

É certo que a Igreja, todos os dias, na Missa, ao tornar sacramentalmente presente o Mistério Pascal, lembra «aqueles que nos precederam com o sinal da fé e dormem agora o sono da paz». Mas, neste dia, essa recordação é mais profunda e viva. O Dia de Fiéis Defuntos não é dia de luto e tristeza. É dia de mais íntima comunhão com aqueles que «não perdemos, porque simplesmente os mandámos à frente» (S. Cipriano). É dia de esperança, porque sabemos que os nossos irmãos ressurgirão em Cristo para uma vida nova. É, sobretudo, dia de oração, que se revestirá da maior eficácia, se a unirmos ao Sacrifício de reconciliação, a Missa.

A fé salva-nos na medida em que nos capacita para viver o Amor de Deus, manifestado em Jesus, que dá sentido à vida, e é muito maior que a morte! Lembremos os nossos que partiram com gratidão pelas suas vidas, e peçamos a Deus que os acolha na sua presença, assim como a nós quando chegar a nossa hora. Estas serão as mais belas flores!

Pe. Ricardo Franco

Edição 1246 - 2 de Novembro de 2018